segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

OS PAIS DA REGRA BRASILEIRA – UMA HISTÓRIA DE SUCESSO

Os pais da regra no Torneio da Cana X Vinho - Santo Amaro (BA)


Ao completarmos quarenta e cinco anos da criação da Regra Brasileira, recordo um pouco daquilo que foi a grande modificação na maneira de jogar e difundir o nosso esporte.
No ano de 1966, quando a Liga Caxiense de Futebol de Mesa comemoraria o seu primeiro aniversário, recebemos a visita dos baianos Oldemar Seixas e Ademar Carvalho. Além de cavalheiros, em todo o sentido da palavra, foram os responsáveis pela apresentação de um futebol de mesa diferente do que era praticado no nosso estado. A mesa foi providenciada e eles a deixaram em condições para a partida de demonstração do jogo, a qual foi realizada após o torneio disputado na Regra Gaúcha. Até então, nenhum de nós havia visto uma partida em um campo considerado enorme para os padrões da época e com dois times padronizados. Foi algo inesquecível e que nos tocou profundamente. Por que não tentarmos fazer algo melhor? Foi esse o pensamento inicial do presidente da Federação Riograndense, Gilberto Ghizi e o meu, pois a antiga regra baiana tinha alguns inconvenientes como o carrinho, pois ao se formar a “cerquinha”, o adversário podia entrar, mesmo que batesse nos adversários, desde que não os deslocasse mais do que um centímetro. Para essa medição, havia uma régua especial. Procuramos, na ocasião, aliar o que havia de bom na regra gaúcha ao melhor da regra baiana.
Havia o convite para a realização do campeonato estadual daquele ano em Caxias. Para isso, seguidamente, recebíamos a visita do Ghizi em nossa cidade, e o assunto, além do estadual, era o da nova regra. Elaboramos um anteprojeto, estudando artigo a artigo, procurando um meio de não desvirtuar nenhuma das duas. Afinal, ambas eram regras de um toque.
Com o anteprojeto definido, apresentamo-lo à Assembléia que participou do Campeonato Estadual, patrocinado pela Federação Riograndense de Futebol de Mesa, sendo aprovado por todos, sem restrições. A responsabilidade foi entregue aos dois interessados, que deveriam seguir rumo à Boa Terra para apresentá-lo aos baianos.
Em Salvador, recepcionados por botonistas de um quilate indescritível, começamos as conversações no sentido de que a nova Regra fosse aceita e praticada, visando à realização de Campeonatos Brasileiros e um intercâmbio entre todos os brasileiros.
Pela Bahia, os participantes foram os dois baianos pioneiros que saíram do verão baiano para o gélido inverno gaúcho: Oldemar Seixas e Ademar Carvalho. A eles se juntaram Nelson Carvalho, o mestre, e Roberto Dartanhã Costa Mello, o homem forte da Liga Baiana de Futebol de Mesa.
ADEMAR CARVALHO. Figura maravilhosa, excelente botonista, brincalhão, gozador, amigo para todas as horas. Trabalhava na empresa S. A. Nacional de Combustíveis e Acessórios SANCA, com sede em Salvador. Seu carro, um Aero Willys era o meio de locomoção de todos nós. Só não deixava o Oldemar sentar a seu lado, pois sempre que saía do carro batia a porta com força. Ademar ficava doido com ele. Pedia que eu sentasse a seu lado e quando eu fechava a porta o fazia como se fosse meu, com cuidado, o que fazia com que ele dissesse que o Oldemar observasse como era o ato de fechar a porta. Além disso, em sua chácara, retirada do centro, reuníamo-nos aos domingos para jogar a famosa baba, aqui chamada de pelada. Os visitantes tomavam banho no chuveiro da família, e os demais num banheiro no lado de fora da casa. Ademar era excelente botonista, mas quando algo não dava certo fazia coisas extravagantes, como certa vez, ao perder um campeonato, quebrou um a um os seus botões do Vitória. Tinha um irmão que jogava com o Corinthians. Seu nome Evandro Carvalho. Outra grande figura. Em sua residência, conheci seu pai, senhor Raul, que editava um Almanaque Brasiluso, presenteando-me com dois exemplares de anos distintos. Esses almanaques estão no Museu Casa de Brusque, pois são de um valor inestimável e uma fonte de consultas.
Ademar faleceu após uma cirurgia cardíaca. Fui o último a conversar com ele, na noite anterior a essa cirurgia. Prometeu-me que tão logo retornasse para casa me ligaria. Desejei-lhe sorte e fiquei no aguardo. Após alguns dias tornei a ligar e a sua esposa, Margarida, deu-me a triste notícia.
NELSON CARVALHO. O mestre era quem organizava os campeonatos, fazia as tabelas e cuidava da escala de árbitros. Metódico, genro do presidente José de Souza Pinto, era uma pessoa finíssima. Seu time tinha um jogador especial chamado Sarapatel. Deixar o Sarapatel chutar ao gol era sofrer gol certo. Foi o grande incentivador e anotava todos os questionamentos sobre a nova regra que estava surgindo. Participou ativamente de todo o trabalho, e foi através de sua iniciativa que conseguimos sair de Salvador com os exemplares impressos da nova Regra.
Nelson era uma pessoa que estava sempre disposta a acompanhar a comitiva baiana que recepcionava os gaúchos. Muitas vezes, orientava-nos quanto ao jogo, à maneira de usar a malícia que ainda não possuíamos. Era uma pessoa que estava sempre junto conosco.
Infelizmente Nelson também não está entre nós. Com o meu afastamento do futebol de mesa, na década de oitenta, perdemos o contato. Guardo com carinho uma fita K7 com depoimentos de vários amigos baianos, inclusive Nelson, Ademar, Webber e Jomar Moura, sempre me emocionando quando escuto suas vozes.
ROBERTO DARTANHÃ COSTA MELLO era o homem forte da Liga. Dono de um mercado na Baixa do Sapateiro deixava seus afazeres para nos servir de guia turístico durante o dia, quando os demais, por obrigações tinham de comparecer aos seus locais de trabalho. Em sua maravilhosa residência, ofereceu-nos um jantar típico de comidas baianas. Foi lá, que instigado por Ademar, Dartanhã, Jomar Maia, Oldemar, Webber Seixas que o Ghizi resolveu experimentar a pimenta baiana. Dartanhã sempre foi um abnegado e nos encontramos em diversas cidades desse nosso país. Em Recife, no segundo Brasileiro, fui o árbitro de sua conquista maior, quando na finalíssima venceu ao excelente Cesar Zama. Depois, encontrei-o em Vitória (ES), quando empatamos em 0 x 0 e eu segui adiante na competição. A última oportunidade ocorreu no Rio de Janeiro, ao apreciarmos o Campeonato realizado em Itapetinga, cujo resultado final não chegou a ser concretizado. Por decisão de todos os participantes, foram declarados campeões brasileiros os botonistas Jomar Moura e Miguel Oliveira.
OLDEMAR SEIXAS. Desde 1965 mantinha correspondência com ele. Conhecemo-nos em 1966, quando de sua viagem ao Rio Grande do Sul. Ficamos hospedados em sua casa, na Estrada da Rainha, número 48. Naquela época, ele era bancário e trabalhava na parte da manhã, ficando disponível no período da tarde. Escrevia uma coluna no Jornal A Tarde, de Salvador, sobre o futebol de mesa. Não há muita necessidade falar sobre ele, pois é conhecido de todos os botonistas brasileiros. Era o goleiro quando praticávamos nosso futebol, tanto na chácara do Ademar quando na praia. Pegava bem no gol. O detalhe é que não escapava da gozação do Ademar; é que Oldemar só bebia guaraná. Mesmo no frio de Caxias nunca sorveu um gole de vinho, nem mesmo com a desculpa de que assim esquentaria. Morria de frio e continuava bebendo guaraná.
GILBERTO GHIZI. Presidente da Federação Riograndense de Futebol de Mesa, o porto-alegrense colorado era um grande botonista na regra gaúcha. Ao chegarmos à Bahia, não se adaptou com os botões baianos que eram novidade para nós. Ao perder umas três ou quatro partidas, colocou os seus puxadores na mesa e jogava sempre com eles. Eram botões cavados, jogando contra lisos. Mesmo assim, não conseguia muito êxito, pois os baianos eram exímios praticantes do futmesa. Foi decisivo na formação dessa regra que hoje em dia nos dá tantas alegrias e felicidade. Ao final dos trabalhos, ficamos com um impasse apenas. Havíamos, em nosso anteprojeto, estabelecido uma mesa intermediária entre a baiana e a gaúcha. Foi então que a argumentação levantada pelo bom senso dos amigos baianos falou mais alto. Nós teríamos de construir nossas mesas, pois mesmo que fosse a intermediária, a antiga mesa da Regra Gaúcha deveria ser abandonada. Ao contrário, a Bahia toda jogava com a mesa de 2,20 x 1,60. Em todas as agremiações que visitamos, as mesas eram nessas medidas. Além deles, os pernambucanos, paraibanos, potiguares, sergipanos e alagoanos já possuíam mesas nessas dimensões. Talvez essa modificação do tamanho da mesa não fosse bem aceita, pois muitas agremiações não tinham muitos recursos para a construção de novas mesas. Fizeram-nos compreender que poderia ser o entrave para a aceitação definitiva da nova regra. Por fim, e diante dessas argumentações, aceitamos a continuidade da mesa baiana como a oficial.
Essa é a história resumida do trabalho que foi construído, em conjunto, por baianos e gaúchos de 8 a 22 de janeiro de 1967.
Para orientar aos queridos leitores, estampo uma foto que foi batida em Santo Amaro da Purificação, quando participamos do Torneio da Uva e da Cana, vencido por Oldemar Seixas, onde aparecem na ordem: Álvaro César (Santo Amaro), Oldemar Seixas, Adauto Celso Sambaquy, Nelson Carvalho, Gilberto Ghizi e Ademar Carvalho. Só faltou o Roberto Dartanhã que não pode comparecer ao evento. Cinco dos seis responsáveis pela criação da Regra Brasileira em um longínquo ano de 1967, no século passado.
Até a semana que vem, se Deus quiser.
Sambaquy

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

DEODATO MAGGI


Na relação dos campeões caxienses, mais precisamente no ano de 1965, um nome se destaca, representando o SANTOS F. C., Deodato Maggi.
Deodato era funcionário da Industrial Madeira Ltda. Apareceu com seu time de botão e se uniu ao grupo que disputava o campeonato desde 1963. Aos poucos, adquiriu ritmo de jogo e se tornou um excelente botonista. Era um abnegado e não se contentava com as poucas mesas que dispúnhamos para a prática de nosso esporte. Por ser funcionário da Industrial Madeireira, conseguia fabricar mesas de pau-marfim, muito superiores as que possuíamos, e isso ajudou no desenvolvimento de nossas atividades. Ele possuía mesa em casa, no seu local de trabalho e a fornecia a quem solicitasse.
Foi o campeão no ano da fundação da Liga Caxiense. Por essa razão, destacou-se como o primeiro caxiense a participar do Campeonato Estadual desenvolvido pela Federação Rio-grandense de Futebol de Mesa. E é dele a primeira glória colhida, pois foi o vice-campeão estadual do ano de 1965, perdendo a partida final para Paulo Borges, este representante  do Clube Piratas de Porto Alegre.
No ano de 1966, no famoso Torneio de Aniversário da Liga Caxiense, teve destacada participação, mas ficou no caminho, não conseguindo chegar às finais que ficaram com Cláudio Bittencourt e Ademar Carvalho. Foi um dos que ficaram encantados com a exibição realizada pelos dois baianos. Por sinal, a tábua de pau marfim, que acabou sendo batizada de Maracanã, foi conseguida por seu intermédio. Mandou levá-la até a sede da AABB, onde os dois baianos a transformaram num lindo campo de futmesa.
A partir daí, começamos a brincar na mesa grande e todos fizeram encomendas de times baianos, fabricados na ocasião pelo senhor José Aurélio. Ele encomendou um Santos, todo branco, com a numeração preta. Ao mesmo tempo, continuávamos a disputar o nosso campeonato caxiense na regra gaúcha. Meu time era composto de botões puxadores de cores variadas. Era a menina dos olhos do Deodato. Numa das rodadas em que disputávamos o caxiense, lá na AABB, ele fez uma proposta irrecusável pelo meu time. Ofereceu o valor de um time baiano pelos meus puxadores. Como eu havia recebido do meu compadre Vicente Sacco Netto um time completo de puxadores, nas cores vermelha e branca, não pensei duas vezes. Fechei negócio e entreguei o time para o Deodato. Afinal, eu já imaginava que os dias dos botões puxadores estavam contados e, dessa forma, eu teria mais um time de botões baianos em meu poder.
Deodato lutava pelo bicampeonato caxiense. Reforçou seu time, mesclando alguns que eu havia vendido com os seus preferidos. Só que ele não contava com a surpresa que eu haveria de proporcionar-lhe. No dia 26 de novembro daquele ano teria de me enfrentar, contando com a vitória, pois eu estava de time novo. Nessa noite, os vermelhinhos não tomaram conhecimento do Santos, e eu venci o jogo por 2 x 1, tirando dele a chance de se tornar o segundo bicampeão caxiense. Paulo Valiatti, com a Ponte Preta tornou-se campeão com uma diferença mínima de pontos.
O destino estava traçado, pois em dezembro realizamos o estadual e no mês seguinte a Regra Brasileira foi criada. Caxias adotou a Regra Brasileira e todos os campeonatos e torneios seriam realizados nessa modalidade. Deodato jogou com o seu Santos, mas sentiu a grande dificuldade de adaptação. Esse mesmo fenômeno aconteceu com Marcos Lisboa, pois ambos haviam desenvolvido técnicas que os tornavam quase invencíveis na Regra Gaúcha. Não se adaptaram aos botões lisos, às mesas maiores, ao novo tipo de bolinha. Aos poucos foi abandonando, jogando até o ano de 1970 quando, por uma proposta vantajosa de Santa Catarina, abandonou o Rio Grande do Sul, sem nem ao menos se despedir de seus amigos.
Encontrei-o há mais de trinta anos, aqui, em Balneário Camboriú. Continuava o mesmo, gritão, gozador e saudoso de nosso tempo de futebol de mesa. Depois disso, perdemos definitivamente o contato, até saber que havia falecido prematuramente.
Procurei fotos em que ele estivesse presente, mas nunca as encontrei, até que, usando os recursos do Google, localizei-o  como ex-presidente da Associação Empresarial de Guaramirim. Sua foto postada com a referência “in-memoriam” indicava que ele deve ter falecido no curso de sua administração.
Hoje, a nossa homenagem é endereçada a quem primeiro trouxe a alegria e a glória de uma conquista ao botonismo de Caxias do Sul. Seu vice-campeonato, conquistado num domingo chuvoso em Porto Alegre, deverá ser preservado e enaltecido como glória que deu início à caminhada de sucesso de nossa atual AFM Caxias do Sul.
Ao Deodato Maggi nossa homenagem e nosso abraço saudoso. Um dia nos veremos novamente e poderemos recordar os bons tempos de botonismo.
Até a semana que vem, se Deus assim o desejar.
Sambaquy

domingo, 29 de janeiro de 2012

A PREMIAÇÃO DOS CAMPEONATOS BRASILEIROS.

Diante da beleza dos troféus que está sendo destinado aos principais colocados nos diversos campeonatos brasileiros da atualidade, meu pensamento retrocedeu e falarei das primeiras premiações que simbolizavam a grande conquista.
Em 1970, na Bahia, houve a premiação ao primeiro e segundo lugar do campeonato por equipes e, também, para o individual. Havia prêmio para a artilharia e defesa menos vazada da competição e um que hoje é chamado de “fair play”, denominado troféu disciplina que premiava a delegação mais comportada. Para cada participante fora ofertado um crachá emitido pela Liga Baiana, onde aparecia o Estado representado e o nome do competidor, seguido por sua assinatura. Os gaúchos ainda ganharam uma medalha de participação e ficou nisso.
Em 1971, Pernambuco seguiu a mesma linha. Prêmios aos dois campeões do individual e por equipes, troféu disciplina, artilharia e defesa menos vazada. Em vez de crachá, a Liga Pernambucana ofertou uma pequena flâmula que deveria ser colocada na camisa, na qual constavam os dizeres “II Campeonato Brasileiro de Futebol de Mesa, seguido do distintivo da Liga Pernambucana e, abaixo, continuava dizendo: de 13 a 15 de agosto de 1971. Recife (PE)”. Só que os pernambucanos inovaram e entregaram um diploma a cada participante e outro destinado à entidade as quais pertenciam. Era uma documentação de participação e equivalia a uma medalha.
No ano seguinte, 1972, o campeonato ficou sob a responsabilidade da Liga Caxiense de Futebol de Mesa. Resolvemos inovar e como seria realizado somente o campeonato individual, premiamos os quatro melhores colocados. Mas, com o suporte financeiro do Conselho Municipal de Desportos, sugerimos um troféu menor a cada participante, com a gravação de sua participação na competição. Todos saíram com uma lembrança bonita deste terceiro grande campeonato nacional de futebol de mesa. Depois desse, ficamos quatro anos sem a disputa maior, sendo que somente em 1976, na cidade de Jaguarão (RS), foi realizado o campeonato. Mais dois anos se passaram e, em 1978, no Rio de Janeiro é retomada a disputa, agora com força total. Não compareci a nenhum dos dois campeonatos por razões profissionais, pois estava lotado na agência do Banco do Brasil, na cidade de Brusque e não havia chance de me ausentar em virtude do diminuto quadro de funcionários.
Voltei a participar em 1979, em Vitória (ES), dessa vez representando o meu estado adotivo. Como só estávamos realizando os campeonatos individuais, a inovação foi a entrega de troféus aos quatro primeiros colocados. Aos demais, apenas uma medalha de participação. Nesse campeonato, fiquei com a sétima colocação e guardo a medalha de participação como troféu conquistado.
Em 1980, em Pelotas, novamente a premiação aos quatro primeiros colocados e medalhas aos demais participantes. Em 1981, em Brusque, não foi diferente. Só que a premiação ao campeão, Hosaná Sanches, não pode ser levada por ser grande demais e tivemos de enviá-la através de uma empresa transportadora. Na cidade de Brusque havia muito incentivo por parte dos industriais e comerciantes, os quais nos doaram os troféus maravilhosos.
Após esse campeonato eu não participei mais de nenhum campeonato brasileiro. Por isso não sei quando foi modificado o sistema de premiação, destinando troféu até o oitavo colocado em cada categoria.
A grande dificuldade, que não foi só nossa, pois há poucos dias li, no blog da Federação Brasiliense de Futebol de Mesa, notícia sobre o primeiro Campeonato Interclubes, realizado de 5 a 8 de fevereiro de 1981, no qual estavam reunidos dezoito clubes de seis estados da União; junto à nota estava postada a foto dos troféus ofertados. Eu acredito que os troféus do campeonato brusquense eram muito mais bonitos do que aqueles. Mas, tudo era muito difícil e a organização cabia a quem promovesse a disputa. A obrigação de conseguir a premiação era uma das atribuições que demandavam os maiores sacrifícios. Quando não se tinha recursos para a compra, a solução era pedir, aos amigos, a doação.
Hoje a premiação é maravilhosa e digna de elogios. Acreditamos que isso motivou ainda mais ao crescimento de nosso esporte, o qual atingiu um estágio inigualável. Ficamos maravilhados em olhar as fotos dos felizes vencedores, todos sorridentes, ostentando os seus magníficos troféus, do primeiro ao oitavo lugar.
Guardo nos compêndios sobre o futebol de mesa, que estão depositados na AFM Caxias, fotografias em que aparecem os troféus do primeiro campeonato, realizado em 1970. Seria interessante se houvesse a possibilidade de publicar a foto em que o presidente Ademar Carvalho está abrindo o campeonato e, na primeira fila, estão sentados José Gomes (Sergipe), Adauto Celso Sambaquy (Rio Grande do Sul), Ivan Lima (Pernambuco), João Paulo Mury (Rio de Janeiro) e Oldemar Seixas (Bahia). Todos poderiam avaliar a dificuldade inicial que todas as entidades encontraram, pois não havia um comando geral para gerir o nosso esporte. Tudo era feito de maneira muito amadora. Naquele tempo havia apenas o sonho de grandes troféus.
Fotos: Troféus de ontem e de hoje no Futebol de Mesa
Foto do Congresso de Abertura do 1º Campeonato Brasileiro de 1970

Troféus do Caxiense de 1967

Troféus do 1º Brasileiro Interclubes de 1981

Troféus de hoje - Mundialito de Seleções

Troféu do 3º Estadual de Equipes Liso do RS

Troféu do Centro Sul Brasiliero 2011

Cristian Baptista e seu troféru de Campeão Brasileiro de 2011

Até a semana que vem, se Deus permitir.
Sambaquy

domingo, 22 de janeiro de 2012

UM DIÁRIO NO TEMPO


Há quarenta e cinco anos passados, terminava a nossa exitosa temporada em terras baianas. Ghizi e eu saímos do Rio Grande do Sul rumo à Boa Terra nos primeiros dias do ano de 1967, chegando a Salvador no dia sete, mais precisamente à noite. Foi exatamente na época em que havia sido trocado o nome da rua em que o Oldemar morava. Antigamente, ela se chamava Estrada da Rainha e, posteriormente, Rua J. E. Silva Lisboa. Ao tentarmos explicar ao taxista onde desejávamos desembarcar, surgiu uma grande dificuldade, pois ele não conhecia o local e perguntando aos demais, ninguém sabia onde ficava a tal rua.
Depois de algum tempo, arrisquei a sugestão de indicar o nome antigo: Estrada da Rainha. Clareou tudo na cabeça dele. Era perto dali. Em questão de minutos, depois de dois dias inteiros dentro de ônibus, desembarcamos na frente de uma casa, número 48 na Estrada da Rainha. A grande maioria dos botonistas estava por lá, aguardando-nos.
Nossa missão era a de apresentar o nosso projeto de regra, mas a ânsia dos baianos era a de conhecer os gaúchos do sul do Brasil. Muitos não acreditavam que havíamos nos deslocado do sul do país para jogar botão com eles. Convites choviam de todos os clubes baianos. Afinal o futebol de mesa era o maior esporte da Bahia, pois não havia Campeonato Brasileiro e o futebol na Bahia enfrentava cisões, tendo inclusive o Ademar Carvalho de denominar seu time de Vitorinha, pois o Vitória estava em pé de guerra contra tudo e contra todos. No dia oito começamos a jogar, aprendendo a dominar os botões lisos, já que jogávamos com botões puxadores. Nós dois recebemos times de presente, mas a dificuldade era enorme. Estranhávamos os botões, a mesa que era muito lisa, a bolinha e, sobretudo, a regra. Havia algumas coisas na regra baiana que, contadas hoje, são motivos de risadas. Uma delas era o famoso carrinho. Você colocava a bolinha entre dois botões seus, preparando para arrematar ao gol e o adversário vinha com um botão e deslocava o seu, sem encostar na bolinha. Para nós era falta. Para eles, chamava-se carrinho e o juiz com um medidor verificava se a distância entre o botão que bateu e o botão batido não tivesse sido ultrapassada, fazendo com que a jogada continuasse normalmente. Além de outras que foram abolidas quando a Regra Brasileira foi confeccionada definitivamente.
Do dia oito até o dia 22 de janeiro conhecemos todos os clubes da Bahia. Liga Baiana, Liga de Brotas, Liga Brasil, Liga JM, além de visitar figuras importantes que praticavam o nosso esporte. Andamos jogando em cidades como Santo Amaro da Purificação, onde joguei com Amauri Alves e Cesar Costa; visitamos a Refinaria Landulfo Alves, em Mataripe; lá, joguei contra o engenheiro Mariano Salmeron Neto. Aliás, foi contra ele a minha primeira vitória na Boa Terra.
Conhecemos pessoas de todas as classes sociais. Visitamos clubes pobres e clubes ricos.
Mas, devo destacar uma pessoa humilde que nos visitou, na casa de Oldemar Seixas, chamada Armando Passos. Pela sua maneira simples, suas vestes surradas, podia notar-se que era de poucas posses. Veio nos visitar e com o seu time em uma caixinha fez questão de jogar conosco. Não era um expoente, pois empatamos em 1 x 1. Ao final da partida, tirou de sua caixinha um cartão escrito e uma medalha e me ofertou. O cartão continha:” Ao Sambaquy pelo seu trabalho para divulgar o futebol de mesa. Homenagem de Armando Passos. 13/1/1976.” Fiquei emocionado com o gesto daquele amigo e guardo até hoje com carinho a sua homenagem.
No dia 19 de janeiro, Oldemar nos levou até a residência do Dr. Elias Morgado, Juiz de Direito de Salvador. Ele nos recepcionou como se fôssemos grandes desportistas, com direito a um magnífico jantar, servido com luxo e esplendor. Ao final do jantar, fomos convidados a jogar com o Dr. Elias. Ao término, nova homenagem, dessa vez em forma de uma figa baiana, com um cartão escrito de próprio punho pelo eminente juiz. Dizia: Ao “Samba”. Segundo o sadio desportista Oldemar Seixas você já é baiano honorário. E não poderia deixa de sê-lo, pois você tem “samba” no próprio nome. Não deixe de acreditar na pequena figa anexa, por que, como dizem os espanhóis – “Yo no creo em brujas, pero que las hay, hay”. Salvador, janeiro, 19, 1967 Elias Morgado Filho.
Tenho essas duas preciosidades entre os meus troféus, emoldurados, guardados com o carinho que conservo meus pertences.
Devo dizer que guardo no coração todas as recepções que tivemos nessa terra que amo com saudade. Em cada casa que visitávamos nos era servida a tradicional comida baiana. Com certeza eu nunca usei da pimenta oferecida, mas meu companheiro de viagem, afrontado que foi pelo Ademar Carvalho, na casa do Roberto Dartanhã, disse: - Gaúcho não perde para baiano. Eu vou usar essa pimenta.
Não é necessário dizer que houve um silêncio sepulcral na sala. Ninguém mais falou. Todos olhando para o corajoso gaúcho que salpicou a comida que levaria a boca com uma gotinha da pimenta. Até as cozinheiras vieram para a porta da sala. Todos os olhos fixos naquele intrépido filho dos pampas. Colocada a comida na boca, mastigada, um vermelho mais forte do que a camisa do Inter cobriu a sua face. Ghizi, que pela primeira vez entrara naquela casa, levantou-se e saiu correndo rumo à cozinha pedindo água. Foi pior, pois a pimenta se multiplicou várias vezes. O resultado foi uma semana correndo ao banheiro e sempre com um rolo de papel higiênico na mão. O farmacêutico de perto da casa do Oldemar ficou feliz, pois vendeu o estoque de remédio contra diarréia.
Na mesma rua, morava o senhor José Aurélio, o mais famoso fabricante de botões da Bahia. Uma pessoa maravilhosa que, juntamente, com sua esposa, não sabiam o que fazer para nos agradar. Só que nunca permitiu que passássemos da sala para a sua oficina. Seu segredo era guardado a sete chaves e foi com ele para o mundo dos espíritos.
Dia 22 de janeiro, a minha última partida foi contra Nelson Carvalho, uma das pessoas mais amáveis que encontrei na Bahia. Era genro do eterno presidente da Liga Baiana, o famoso José de Souza Pinto, que nunca foi botonista, mas estava sempre de terno e gravata presidindo as sessões da entidade.
Quarenta e cinco anos se passaram. Muitos já partiram desse mundo, outros desapareceram do mundo botonístico, ficando somente a saudade de um tempo em que deveria ter sido marcado em um diário, pois seriam eternizadas todas as visitas feitas naqueles dias em que ousávamos pensar em criar uma regra para todos os brasileiros jogarem botão.
Hoje, podemos comemorar os quarenta e cinco anos da Regra Brasileira, dos 38 campeonatos brasileiros realizados, da união que ligou brasileiros de todos os quadrantes em torno de uma mesa, fazendo amizades incríveis que perduram e vão continuar amalgamadas enquanto vivermos. Mais cinco anos e teremos de realizar uma grande festa em nível nacional: o Cinquentenário de nossa Regra Brasileira.
Até a semana que vem, se Deus assim permitir.
Sambaquy

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

OS MENINOS DO RECREIO GUARANY

Almir - Ângelo - Nelson  (Acima qdo jovens e abaixo na época do Recreio da Juventude)
Ao escrever a primeira coluna desse ano, não esperava a reação agradável produzida pela consideração de que muitos sonhos serão realizados em 2012.
Dificilmente há comentários à coluna, coisa que, por vezes, nos faz pensar que estamos escrevendo e ninguém lê o que está escrito. Mas, nessa coluna, um comentário, por sinal longo e vindo de uma terra distante, mas escrito por alguém que fez parte do movimento caxiense que solidificou o futebol de mesa, o então menino Jorge Compagnoni.
Ele, ao comentar o sonho que disse possuir, afirmou que o seu era jogar uma partida com Almir Manfredini. Pedia que escrevesse algo sobre ele, pois foi um de seus melhores amigos e que os demais ficariam felizes com isso. Senti-me honrado com o pedido, considerando, pela diferença de idade, não ter convivido com essa garotada do Recreio Guarany, pois nos encontrávamos somente na hora dos jogos, uma vez por semana. Aquilo ficou martelando a minha cabeça, pois conheci todos aqueles meninos e sabia de seu valor. Então me ocorreu pedir auxílio a uma pessoa que viveu naquela época e que participou ativamente de todo o movimento do futebol de mesa caxiense: Dr. Nelson Prezzi.
Transcrevo a seguir o que foi escrito por esse grande botonista, já homenageado como o grande mestre de cerimônias da AFM, pai do presidente atual da agremiação:
“Três garotos, em torno de 10 a 12 anos de idade começaram a jogar Futebol de Botão (hoje Futebol de Mesa), moravam nas imediações da esquina da Rua Sinimbu, com a Vereador Mario Pezzi. No meu caso, na própria esquina, outro na Vereador, numa casa onde havia uma sorveteria e o terceiro, na Sinimbu, próximo de onde se encontra uma agência bancária da SICRED atualmente.
Jogávamos Nelson A. Prezzi, Ângelo Slomp, Almir Manfredini com botões que adquiríamos na antiga Casa Saldanha. Preparávamo-los, torneando-os, cavando, deixando alguns rasteiros e outros com a caída alternada que fazia a bola, na época um botão de camisa, levantar. A regra utilizada era a Gaúcha. Tínhamos uma mesa na casa do Almir, onde nos reuníamos às tardes, já que todos estudavam pela manhã.
Mais adiante conhecemos outros adeptos, e um dos primeiros foi Luiz Carlos Dambroz. Muitos outros não são recordados seus nomes. Posteriormente, veio o Airton Dalla Rosa, meu cunhado na atualidade, que morava junto ao Recreio Guarany e lá praticava o futebol de mesa há algum tempo. Convidados, fomos todos para lá.
A partir dali, a coisa foi crescendo, até conhecermos o pessoal do Banco do Brasil, onde se salientava o Sambaquy. Deste convívio e do surgimento da Regra Brasileira, por ele trazida, com botões elaborados, houve uma integração maior entre os clubes da cidade, como Vasco da Gama, Noroeste, Juventus e outros que se juntaram a nós no Guarany e à AABB, aumentando a febre.
Mas a ideia aqui é me ater aos meus companheiros iniciais. Infelizmente, já falecidos, ambos com pouquíssima idade. O Ângelo, a quem chamávamos de “BITI” ou NENE”, cujos pais eram os donos da Sorveteria Tirol, na rua Vereador Mario Pezzi, muito conhecido como o homem dos chocolates que derreteram nos bolsos das calças no calor de Salvador (BA), durante a ida ao primeiro campeonato brasileiro. Ângelo jogava com o seu Corinthians. Faleceu aos 42 anos, se não estou enganado, por problemas de Diabetes. Em seu velório, Almir e eu conversamos, lamentando a perda de um grande amigo, o qual nos deixava prematuramente. Mal sabíamos nós que pouco tempo depois o Almir também nos deixaria. O Almir Manfredini (MIRI) era filho de um caminhoneiro e de uma professora de sobrenome de solteira Puerari, cuja família era também vizinha. Tinha vários irmãos e irmãs. Seu tio, Ivan Puerari também fazia parte do grupo e jogava com a Inter de Milão. O Almir jogava com o Santos F. C.
O Almir foi o primeiro a deixar os cabelos ficarem mais longos, modismo dos tempos da Jovem Guarda, com as roupas mais justas para combinar. Lembro-me também que foi a primeira pessoa a falar em computador e, posteriormente, passou a ser a sua profissão, tendo inclusive formado uma das primeiras empresas de informática de Caxias do Sul, a BENFARE. Casou-se com a irmã de um colega de profissão e amigo, o dentista José Lusa, que foi quem me trouxe a triste notícia de seu falecimento em virtude de um aneurisma cerebral. Almir estava com apenas 43 anos de idade.
Fica aqui a saudade desses companheiros de futebol de mesa, mas muito mais forte de dois grandes amigos que fizeram parte de minha vida. Hoje, a AFM CAXIAS tem mesas com seus nomes, uma maneira de homenageá-los para todo o sempre.
Quem me sugeriu que escrevesse sobre o Almir, e eu acabei  juntando o Ângelo, pois não consigo falar de um sem lembrar o outro, foi outro amigo que faz parte do grupo do Recreio Guarany: Jorge Antonio Compagnoni, que solicitou ao Sambaquy a lembrança da grande figura humana que foi Almir Manfredini. Espero ter feito minha parte em  lembrar destes dois grandes companheiros.”
Por essa razão, a coluna de hoje é uma referência àqueles meninos valiosos que conseguiam realizar campeonatos maravilhosos nas dependências do Recreio Guarany e que, depois de algum tempo, tornaram-se pilares para a criação da Liga Caxiense, atual AFM. Hoje, são os seus filhos que brilham nas mesas e homenageiam aqueles representados pelos nomes que lá estão escritos, realizando grandes jogos, continuando, com o mesmo amor e carinho, a luta iniciada por seus pais.
Obrigado meu querido amigo, Dr. Nelson Prezzi, por trazer essas doces lembranças de momentos de amizade que permanecerão para sempre em todos os corações envolvidos.
Até a semana que vem, se Deus permitir.
Sambaquy

domingo, 8 de janeiro de 2012

SONHOS TRAZENDO LEMBRANÇAS

Ao escrever a coluna da semana que passou, fui surpreendido pelo comentário postado pelo excelente botonista Jorge Compagnoni, pessoa com quem, há mais de quarenta anos, não tinha contato.
Jorge fez parte da delegação gaúcha que participou do primeiro Campeonato brasileiro da modalidade e o fez de modo brilhante. Ele e o Airton Dalla Rosa foram os destacados para disputarem o campeonato individual, por serem os dois melhores botonistas de Caxias na ocasião.
Para essa escolha foi determinante o Torneio Caxias do Sul x Recife, desenrolado no dia 20 de novembro de 1969, quando recebemos a agradável e prazerosa visita de Ivan Lima, o presidente e introdutor da Regra Brasileira na Veneza Brasileira. Ivan estava no sul para narrar uma partida de futebol, pois fazia parte da TV Rádio Clube de Recife e aproveitou para nos visitar. Reunimo-nos na AABB, onde funcionava a sede da Liga Caxiense e treinávamos para a participação no brasileiro que seria realizado, em Salvador, no mês de janeiro vindouro.
Airton Dalla Rosa, Jorge Compagnoni e eu fizemos as honras da casa ao Ivan. Jogamos um quadrangular, todos contra todos. Os dois meninos golearam o Ivan de forma inapelável. Eu o venci por 4 x 3 e empatei em 1 x 1 com os dois. O torneio foi vencido pelo Jorge Compagnoni que venceu ao Airton e recebeu um troféu magnífico. Era uma águia com as asas abertas que fora oferecido pela Mapro – Materiais de Propaganda, a qual nos fornecia os troféus para a premiação dos vencedores das competições.
Nesse dia foi decidido que os dois, por reunirem maiores condições seriam os dois representantes no individual, ficando a equipe formada pelos demais integrantes da delegação.
Para que fosse permitida a viagem dos meninos, tivemos de conseguir autorização de seus pais, ficando a guarda dos garotos sob a minha responsabilidade.
Na Bahia, o campeonato se desenrolou da seguinte forma: Dia 10 de janeiro seria disputado o campeonato por equipes e, no dia 11, o individual.
Como a Paraíba havia enviado somente um representante para disputar o individual, foi feito o sorteio das chaves e o paraibano caiu na chave do Jorge. Portanto, ele teria um jogo a mais do que o Airton.
A chave A ficou constituída por Oldemar Seixas (Bahia), Nivaldo (Paraíba), Jorge (Rio Grande do Sul, Paulo Henrique (Rio de Janeiro), José Marcelo (Sergipe) e Rafael Alves (Pernambuco).
A chave B ficou com: Airton Dalla Rosa (Rio Grande do Sul), Rodolfo Albuquerque (Pernambuco), Átila Lisa (Sergipe), Antonio Carlos Martins (Rio de Janeiro) e José Santoro Bouças (Pepe) (Bahia).
Na chave A, o Jorge teve os seguintes resultados: 4 x 1 sobre Paulo Henrique), 1 x 1 com Nivaldo, 0 x 3 com Oldemar Seixas, 3 x 1 em Rafael e 1 x 1 com José Marcelo. Assim, teve uma única derrota e empatou com o campeão da chave.
Na chave B, do Airton, os resultados foram os seguintes: 3 x 0 com Rodolfo, 0 x 1 com Santoro, 7 x 1 em Martins, 1 x 1 com Átila. Da mesma forma, uma única derrota e empate com o campeão da chave.
O destaque especial de tudo isso é que os dois eram dois meninos com 14, 15 anos, jogando contra homens feitos que já disputavam por diversos anos dessa maneira. Sem considerar erros tristes, cometidos contra eles por parte de alguns árbitros, todos pertencentes à Liga Baiana de Futebol de Mesa. Já relatei o que houve com o Ângelo Slomp que, para continuar na disputa, teve de ser convencido por mim, ajudado pelo Ivan Lima que foi muito envolvente em estimular a continuidade da disputa por parte do nosso menino. Narra o Jorge que, na sua partida com Oldemar, houve uma falta “inventada” pelo árbitro, resultando em gol. Disse mais, que o Oldemar pediu desculpas, vendo que não havia sido cometida, mas mesmo assim marcou. Que terminou a sua partida revoltado e chorando, pois era apenas um menino.
Para ilustrar esse pedido de desculpas, sem considerar o erro do árbitro, visando somente a vitória, devo dizer que no brasileiro seguinte, em Recife, havia um clima de guerra entre Pernambuco e Bahia, para conseguir sagrar-se campeã. Jogava contra Oldemar Seixas e o jogo estava 2 x 1 para ele, quando toca a sineta anunciando o final da partida. Nesse instante, eu estava armando uma jogada que o Oldemar não teria condições de desfazer. Mas, como havia terminado o tempo fui cumprimentá-lo, sendo impedido pelo árbitro pernambucano que disse que a partida tinha de continuar. O Oldemar olhou para mim com olhos arregalados, pois pensava estar livre do gol de empate. Só que a minha formação é diferente da que ele demonstrou contra o Jorge. Joguei a bolinha para fora, pois senti que havia má intenção do árbitro, querendo prejudicar um amigo. Em minha opinião, mais vale um gesto honesto do que algo conseguido com desonestidade. Tenho um amigo desde 1966 que poderia ter perdido por um ato absurdo cometido por uma pessoa que nem recordo mais quem possa ser.
Por isto, meus amigos, fica registrada a felicidade desse contato com uma pessoa que desde 28 de fevereiro de 1970, quando jogamos pela última vez, não havia tido mais notícias. Que, de agora em diante, possamos trocar figurinhas mesmo que seja através do computador.
Equipe que representou o Rio Grande do Sul
Angelo Slomp - Walmor Medeiros - Jorge Compagnoni - Adauto Sambaquy - Airton Dalla Rosa


Até a semana que vem, se Deus permitir.
Sambaquy

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

MUITOS SONHOS SERÃO REALIDADES EM 2012

A vida na Terra traz, cotidianamente, a oportunidade de nos tornarmos cada vez mais úteis. Mas úteis em que sentido? Por exemplo, no sentido de contribuirmos de forma cada vez mais efetiva para a melhoria da vida das pessoas que convivem conosco.
Nossa contribuição está diretamente ligada ao nosso perfil comportamental, o que tem como base o nosso pensamento. Cabe então perguntar como estamos nos portando diante das situações que a vida nos apresenta, tais como a morte súbita de alguém que amamos, uma alteração no cenário econômico e social que muda radical e rapidamente a vida das pessoas, a união de membros familiares que por qualquer razão estejam separados.
No botonismo encontramos famílias que se dedicam com fé e entusiasmo, ajudando-se reciprocamente, fazendo com que o esporte que amamos seja um elo de união. Cito dentro de nossa associação vários exemplos. Pizzamiglio (pai e filho), Prezzi (pai e filhos). Mas, em outras agremiações encontramos pessoas com o mesmo sangue dedicando-se ao mesmo esporte, tais como a família de meu querido amigo Claudio Schemes. Seu filho Paulo, por diversas vezes tem dito que está na quarta geração o gosto pelo futebol de mesa. Os irmãos Mielke, no Circulo Militar, orgulhos do papai Douglas. Querem coisa mais linda do que dois irmãos praticarem o mesmo esporte mesmo que tenham de enfrentarem-se para conseguir chegar a primeiro lugar.
Tentei demonstrar, de uma maneira muito simples, que sonhos podem ser realizados. E todos nós alimentamos uma boa quantidade deles em nossa cabeça.
Eu sonho com a volta do grande amigo Airton Dalla Rosa ao convívio dessa gente maravilhosa da AFM. Assim como sonho com o retorno do meu amigo/irmão Vicente Sacco Netto aos campos de madeira. Para tanto, estou alimentando-o através de Luís Rodalles, que já entrou em contato com o Vicente e convidou-o para frequentar o Circulo Operário Pelotense, na condição de máster. São dois sonhos, com a probabilidade de um deles se concretizar.
Mas eu tenho mais sonhos. Gostaria de poder jogar com frequência, pois meus afazeres não estão permitindo que eu consiga tempo para essa atividade que tanto admiro. Além disso, sinto o peso dos anos, que me impedem de ficar muitas horas em pé. Como dizia aquele sábio profeta: O tempo é o nosso melhor professor, só que ele acaba matando a todos os seus alunos.
Acredito que todos vocês também tem os seus sonhos. Talvez não consigamos realizá-los sozinhos. Teremos, muitas vezes, de contar com os nossos amigos, que tomam o lugar de nossos irmãos, para a realização de desejos que alimentamos em nosso íntimo.
Envolvidos pelo espírito do Natal, entrando em um ano que esperamos seja maravilhoso, peço a cada um de vocês que tentem conhecer os sonhos de seu amigo, seu adversário na mesa, mas seu irmão de fé, camarada, aquela pessoa com que você poderá contar sempre, pois comunga do mesmo gosto que tens esportivamente. E, ao conhecer esse sonho, procure torná-lo realidade. Talvez, o que para muitos possa parecer algo impossível, para nós, com mais vivência, com mais quilometragem de vida, seja bem mais fácil.
Sejamos uma família unida, onde todos podem sentir uma mão firme para apoiá-lo quando houver necessidade, e transformemos em felicidade aquilo que é um desejo, uma vontade de querer alguma coisa que imaginamos nunca conseguir.
Falo isso para vocês por que eu tive um sonho e o realizei. Eu sonhei ainda menino em unir as pessoas que gostassem de jogar botão e fizéssemos campeonatos a nível nacional. Alguns anos foram necessários para concretizar esse sonho, mas ele foi realizado, e hoje, quando eu vejo uma realização exitosa, um encontro de numerosos botonistas, a disputar campeonatos, sinto como se eu lá estivesse e lutasse para ser o campeão. Consegui realizar esse sonho, que nunca foi pequeno, pois envolvia pessoas, gostos e vontades, que muitas vezes divergiam da minha. Mas quando se tem um sonho e o perseguimos, fatalmente ele será realizado.
Descubram os sonhos de todos os seus amigos e o ajudem a concretizá-los.
Só assim todos nós seremos felizes e a recompensa será ver o sorriso na face da pessoa sonhadora e o abraço agradecido por ter conseguido atingir seu ideal.
Meus caros amigos, que 2012 seja o ano da realização de todos os seus sonhos, assim como os que eu também sonhei.
Até a semana vindoura, se Deus permitir.
Sambaquy