segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

VIAGEM NO TEMPO – VOLTA AO PASSADO.


Na década de oitenta foi formada uma rede de troca de informações sobre o futebol de mesa brasileiro. Participavam Geraldo Cardoso Décourt, de São Paulo e praticante da regra de 12 toques, Getúlio Reis de Farias do Rio de Janeiro e Adauto Celso Sambaquy de Santa Catarina praticantes da Regra Brasileira – 1 toque e José Ricardo Caldas e Almeida de Brasília da regra de três toques. Mesmo com a grande diferença de idade entre eles, entendiam-se muito bem, organizando seus compêndios e procurando sempre engrandecer o esporte escolhido: futebol de mesa.


Hoje apenas dois estão entre nós. José Ricardo Caldas e Almeida, o mais jovem e esse articulista. E nós dois continuamos a conversar, hoje com muito mais facilidade, pois nossos bate-papos eletrônicos são feitos diariamente. E a grande surpresa que recebo do José Ricardo é o motivo da coluna que talvez se estenda por mais duas ou três semanas.

Eis a íntegra do compêndio de matérias relacionadas ao futebol de mesa de Caxias do Sul que foram coletadas pelo José Ricardo:

1963

Até 1963, o futebol de mesa sempre foi praticado às escondidas. Os próprios amigos nem sequer sabiam que seus gostos eram comuns no jogo de botões. Poucos tinham a ousadia de dizer que jogavam o futebol de mesa, e os que faziam eram sempre “gozados” pelos companheiros.

Entretanto, em 1963, um grupo de bancários, liderados por Marcos Pedro Amoretti Lisboa, organizou e realizou um campeonato bancário caxiense de futebol de mesa. Dez técnicos classificaram-se para disputar o turno final. O campeão foi o próprio Marcos Lisboa, representante do Banrisul, ficando em segundo lugar, empatados, Renato Miller e Delesson Pavão Orengo, também do Banrisul. Adauto Celso Sambaquy, único representante do Banco do Brasil classificado, ficou com a quarta colocação. As demais colocações foram estas: 5º Jovir Zambenedetti (Banrisul), 6º Antonio Carlos de Oliveira e Sylvio Puccinelli (ambos do Banrisul), 8º Justo Martins (Banrisul), 9º Carlos Bertelli (Banrisul) e 10º José Régis de Carvalho Prestes (Banco da Província).

Com o incentivo conseguido pelo desprendimento dos bancários, principalmente do Banco do Estado do Rio Grande do Sul, os elementos do Banco do Brasil organizaram e realizaram o seu primeiro campeonato, na AABB - Caxias do Sul. Depois de completadas as sete rodadas que compunha o turno final, dois nomes terminaram empatados no primeiro posto: Adauto Celso Sambaquy (G. E. Flamengo) e Paulo Luís Duarte Fabião (E. C. Pelotas). Foi necessário um jogo desempate e a partida terminou com a vitória do primeiro, por 2 x 1, ficando o título com Sambaquy, após brilhante campanha invicta. Ivan Mantovani ficou em terceiro lugar, Roberto Grazziotin em 4º, Sérgio Calegari em 5º, Nelson Mazzochi e Raymundo Vasques empatados na sexta colocação e Heitor Stumpf ficou com o oitavo posto. Os prêmios foram oferecidos por Claumann @ Cia Ltda.

Nesse mesmo ano – importantíssimo para o futebol de mesa em Caxias do Sul – foi realizado o Campeonato Caxiense em sua primeira edição. O campeão foi Marcos Lisboa, que conseguiu realizar magníficas apresentações. O vice-campeão foi Vanderlei Duarte, outro excelente jogador, ficando o terceiro lugar com Adauto Celso Sambaquy.

1964

Em 1964, novamente realizou-se o campeonato bancário e, confirmando a grande categoria, Marcos Lisboa, do Banrisul, sagrou-se bi-campeão, ao vencer todos os seus adversários. O campeonato foi realizado nas dependências do Recreio Guarany, apresentando nas demais colocações: 2º Sérgio Calegari (AABB), 3º Roberto Grazziotin (AABB) (, 4º Delesson Orengo (Banrisul), 5º Paulo Luís Duarte Fabião (AABB), 6º Adauto Celso Sambaquy (AABB) e Sylvio Puccinelli (Banrisul), 8º Pedro Massignani (Sulbanco), 9º Raymundo Vasques (AABB), 10º Ivan Mantovani (AABB) e 11º Francisco Rebstein (Agrimer). Francisco Pauletti (AABB), Justo Martins e Carlos Bertelli (Banrisul) e Giordano (Sulbanco) foram desclassificados por excesso de WO.

Na AABB, mais uma vez dois técnicos chegaram à última rodada ocupando o primeiro posto: Adauto Celso Sambaquy e Roberto Grazziotin. Na partida extra, Sambaquy venceu pelo clássico marcador de 3 x 1. Desta maneira, Sambaquy conquistou o bicampeonato. Roberto Grazziotin foi o 2º, Paulo Luís Duarte Fabião o 3º, Raymundo Vasques o 4º e Sérgio Calegari o 5º.

No campeonato municipal, Marcos Lisboa sagrou-se bicampeão.

1965

No dia 12 de junho de 1965, nas dependências do Diretório Acadêmico “Amaro Cavalcanti”, da Faculdade de Ciências Econômicas de Caxias do Sul, um grupo de desportistas fundou a Liga Caxiense de Futebol de Mesa, cuja primeira diretoria foi então eleita e ficou assim constituída: Presidente: Adauto Celso Sambaquy, Vice-Presidente: Antonio Carlos Oliveiras, 1º Secretário: Saul Henrique Vanelli, 2º Secretário: Deodatto Maggi, 1º Tesoureiro: Delesson Pavão Orengo e 2º Tesoureiro: Sérgio Calegari.

No dia seguinte, para comemorar a criação da Liga, foi organizado o primeiro torneio intermunicipal do Estado. Apresentaram-se grandes nomes do futebol de mesa gaúcho e brasileiro, tais como, entre outros, Lenine Macedo de Souza (fundador da Federação Riograndense de Futebol de Mesa), Carlos Saraiva (Campeão gaúcho), Renato Ramos (presidente da FRFM), Antonio Azevedo, Sérgio Duro e Gilberto Ghizzi, todos de Porto Alegre. Representando Caxias do Sul estiveram em ação Marcos Lisboa (campeão local), Vanderlei Duarte, Sérgio Calegari, Deodatto Maggi, Raymundo Vasques e Adauto Sambaquy. Venceu o torneio o técnico Carlos Saraiva, do Internacional, seguido por Antonio Azevedo, do Cometa e Marcos Lisboa, da Liga Caxiense.

1965 também foi o ano das mudanças nos campeonatos em Caxias do Sul.

Quebrando a série de vitórias de Marcos Lisboa, Vicente Sacco Netto, da AABB sagrou-se campeão bancário, competindo contra onze técnicos (6 da AABB, 3 do Banco do Comércio, 1 do Banrisul e 1 do Sulbanco). No primeiro turno, Série A, tivemos como campeão Sambaquy, seguido por Sacco, Grazziotin e Puccinelli. Na série B, Marcos Lisboa, Vasques, Calegari e Fabião. No turno final, Vicente Sacco Netto realizou uma campanha notável, conseguindo chegar em primeiro lugar, seguido por Puccinelli, da AABB, e Lisboa, do Banrisul. Depois chegaram mais dois técnicos da AABB: Grazziotin e Sambaquy.

Depois de dois anos em poder de Adauto Celso Sambaquy, o cetro abebeano de futebol de mesa passou para Roberto Grazziotin, com o Pradense F. C.. A seguir, colocaram-se: 2º Adauto Celso Sambaquy, 3º Sérgio Calegari, 4º Raymundo A. R. Vasquez, 5º Paulo L. D. Fabião, 6º Sylvio Puccinelli, 7º Sérgio Guimarães da Silva, 8º Paulo Serafini, 9º Rubem Bergmann e 10º Jorge Brambilla. Na categoria infanto-juvenil, o campeonato da AABB teve a presença de dez técnicos, de 8 aos 14 anos, e apresentou esta classificação: 1º José Grippa, 2º Raymundo Vasques Filho, 3º Marciano Almeida, 4º Delmar Perizzollo, 5º Ricardo Bergmann, 6º José Brambilla, 7º Newton Rosa, 8º Kaizô Beltrão, 9º Carlos Tedesco e 10º Eduardo Tedesco.

Já o campeonato da cidade, começou com a realização do Torneio Inicio no Mês de agosto, e que apresentou os seguintes campeões: Terceira Categoria (de 8 até 13 anos incompletos): Raymundo Vasques Filho (AABB), Segunda Categoria (13 anos completos até 18 incompletos): Airton Dalla Rosa (Recreio Guarany) e Primeira Categoria (maiores de 18 anos): Marcos Lisboa (Banrisul). Digna de nota a participação de Antonio Carlos Oliveiras, que veio de Porto Alegre somente para disputar o torneio.

No campeonato principal estas foram às colocações:

Terceira Categoria: 1º Gelson Sachett, 2º Raymundo Vasques Filho, 3º José Grippa, 4º Jorge Compagnoni, 5º Newton Rosa, 6º Helio Ramos, 7º Marciano Almeida, 8º Ricardo Bergmann, 9º Ricardo Almeida e 10º Antonio Tessari.

Segunda Categoria: 1º José Raul de Castilhos, 2º Airton Dalla Rosa, 3º Júlio Mário Queiróz, 4º Paulo Gazola, 5º Jorge Lisboa, 6º Luiz Alberto Gazola, 7º Álvaro Lisboa, 8º Cláudio Junchen, 9º Douglas Gonçalves, 10º Tadeu Corso, 11º Luiz Carlos Freitas, 12º João Mário Queiróz, 13º Hermínio Bassanesi, 14º Sergio Dalla Rosa e 15º Carlos Signorini.

Primeira categoria: 1º Deodatto Maggi (Santos), 2º Vanderlei Duarte (Karibe), 3º Marcos Lisboa (Flamengo), 4º Marcos Antonio Zeni (Juventude), 5º Sérgio Silva (Grêmio), 6º Saul Vanelli (Motorizado), 7º Carlos Valiatti (Valiatti), 8º Adauto Celso Sambaquy (Vasco da Gama) e 9º Delesson Orengo (Botafogo). Outros concorrentes: Sérgio Calegari, Justo Martins, Carlos Agostinelli, Enodir Luz e Adão Siqueira.

Na semana que vem mostraremos o movimento dos anos 1966 em diante.

Até lá, se Deus quiser.

Sambaquy.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

MEU PRIMEIRO G. E. FLAMENGO


Ao disputar o meu primeiro campeonato na AABB, meu time era o quadro campeão de 1947, cuja fotografia do time do G. E. Flamengo eu havia ganhado.

Tinha muito orgulho daquele time, pois conhecia todos os jogadores e era amigo de alguns deles. O goleiro era o Ary Hoffmann, nascido no natal de 1926 em São Francisco de Paula. Ele chegou a jogar no Juventude em 1943, em 1944 no Grêmio Leopoldense, vindo posteriormente para o Flamengo. Ganhou dois títulos citadinos. Os zagueiros eram o Ariosto Azambuja, um vacariano que começou a jogar pelo E. C. Brasil, daquela cidade, e Ary Detânico, oriundo do Pombal (da várzea), e que também possuía dois títulos da cidade.

O lateral direito era o Manuel Duarte (Dadá, apelido igual ao meu) que era porto-alegrense e veio do S. C. Internacional. O centro médio era o cerebral Mário Machado, natural de Cachoeira do Sul e havia jogado no G. A. Eberle, um jogador que conseguia jogar macio e sempre estava com a bola. O lateral esquerdo era Armando Mano, também de São Francisco de Paula e começou sua carreira jogando pelo Riograndense, da várzea de Porto Alegre. Em 1945 atuou no S. C. Internacional e de lá, veio para o Flamengo.

O ponteiro direito era o Flávio Vieira (Chicão), tio do meu amigo Rudy Vieira. Chicão começou a jogar no Az de Ouro, em 1945 e 1946 jogou no Juventude e de lá para o Flamengo. Nestor Ruggeri (Alemãozinho) era o ponteiro esquerdo e nasceu em Novo Hamburgo, começando a sua carreira no E. C. Floriano, atuando pelo Juventude de 1943 a 1946, vindo em 1947 para o clube grená. Wilson Paulo Escobar (Zizinho) era com Machado o cérebro do time. Nasceu em Porto Alegre e começou jogando no São Lourenço, da várzea, depois jogou pelo Internacional vindo finalmente para Caxias, defender o Flamengo. Sady Costamilan era o ponteiro esquerdo e caxiense, como seu irmão Lady Costamilan, meio campo, começaram no G. A. Eberle, em 1943, passando para o Pombal em 1945 e desde 1947, no tricolor caxiense. Rodrigues Paim (Pavãozinho) era o reserva da ponta direita, Walter Penha, que também começou no S. C. Internacional era reserva da defesa. Com ele o Higino Detânico, irmão do Ary, que também jogava no meio campo.

Ainda contava com o Natalino Viecelli (Passarinho), natural de Campos Novos e que jogou no Tupy, da várzea e de lá se transferiu para o Flamengo.

O bonito de tudo isso é que a gente conhecia todos os jogadores, encontrando-os pela cidade. E assim foi por muito tempo. O Ary Hofmann tinha uma frota de ônibus, que faziam a linha para São Francisco de Paula, e morava perto do campo do Fluminense, local onde se encontra a atual Prefeitura Municipal. O Ary Detânico era taxista. O Chicão era padeiro, e dos bons. O Sady e o Lady trabalhavam na Prefeitura, que ficava ao lado do colégio onde eu estudava. O Alemãozinho era motorista de caminhão. O Higino Detânico era policial rodoviário, e, o Penha, sapateiro, que muitas vezes consertou meus sapatos e chuteiras. O Passarinho era uma figura espetacular e muitas vezes nos encontrávamos na sede do Vasco da Gama, ainda na Moreira César, quando íamos jogar futebol de mesa.

Eu conseguia transferir para os botões a minha admiração por aqueles jogadores amadores, que defendiam o meu clube do coração. Acredito que foi uma época em que podíamos sentir a emoção de ser treinadores de gente que víamos jogar todos os domingos.

Escrevo hoje sobre o meu primeiro time de botão, pois recebi de um amigo de Brasília, amante do futebol de mesa: José Ricardo Caldas e Almeida, uma consulta feita, via Internet no Jornal Vida Esportiva de 1949, que circulava na cidade de Caxias do Sul, dados sobre os jogadores que pertenciam ao clube que me colocou no futebol de mesa, pois foi com ele que iniciei a minha caminhada em 1963. Com isso, fiz uma verdadeira viagem no tempo e voltei a morar na rua Alfredo Chaves, número 816. Percorri as ruas que iam até o campo do Fluminense, ladeando a chácara da Família Eberle, para assistir um Fla x Flu regional, tipicamente gauchesco, sem a pompa do Fla x Flu carioca, mas de igual emotividade. Depois descia a rua e ia até o campo do Juventude, tendo de passar por uma pinguela para chegar até a entrada toda de madeira. Quantas vezes íamos até o Mato Sartori, pulávamos a cerca de trás, e, sorrateiros assistíamos partidas maravilhosas.

Depois desse Flamengo, eu modernizei outras equipes. Sempre com jogadores tricolores. Quando venci o campeonato de 1969, meu goleador era o Jarinha, e a equipe tinha a seguinte escalação; Bagatini, André, Sergio, Roberto e Paulinho, Enio Chaves e Gaspar, Sidnei, Caio, Jarinha e Tecchio. Como reservas o Zé Roberto, Trava e o Taquari. Baita timão que enfrentava qualquer um e acabou campeão caxiense.

Essas são coisas que podemos sonhar, por que o futebol de mesa nos permite. Lembro ainda que quando o Paulinho foi contratado pelo Internacional de Lages (SC), veio jogar em Brusque. Com ele estavam o Iura e o Loivo, craques renomados que defenderam o Grêmio Porto Alegrense. Conversando com eles o Paulinho fez questão de dizer que era o meu lateral esquerdo. Depois do jogo fomos todos tomar umas geladinhas, no bar da frente do estádio do Carlos Renaux.

Bons tempos e bons amigos que só o futebol de mesa consegue conservar.

Até a semana que vem.

Sambaquy.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

HOJE COMEMORAMOS O DIA DO BOTONISTA E O CENTENÁRIO DO DÉCOURT.


Há cem anos, nesse dia, nascia em Campinas (São Paulo), aquele que foi o desbravador do futebol de mesa em solo brasileiro. Não foi o seu inventor, coisa que ainda permanece escondida na poeira dos tempos, mas foi o primeiro que saiu do anonimato para tentar mostrar o futebol celotex como um esporte a ser desenvolvido.

Foi ele quem imprimiu o primeiro livro com regras para o jogo de botões. Isso em 1930, quando ainda era um menino com seus dezenove anos de idade. Isso foi realizado no Rio de Janeiro, pois o menino percorria as redações dos jornais da época, como A Noite, A Ordem, Diário da Noite, A Batalha, O Globo, Rio Esportivo, Diário de Noticias, e as revistas A Noite Ilustrada e o Suplemento de O Cruzeiro, levando noticias sobre os campeonatos cariocas de futebol celotex. Com o tempo consegue amizade com Thomaz Mazzoni e José de Moura e consegue colocar noticias na Gazeta de São Paulo (que ainda não era a Gazeta Esportiva).

Sempre defendeu que o esporte era para crianças de oito a oitenta anos, e nunca uma diversão infantil. Defendia a idéia que essa história de esporte de criança foi criada por antigos praticantes, que por diversas razões deixam de praticá-lo em clubes e continuam a jogar com seus filhos e até seus netos.

Em 1957, quando voltou a praticar de maneira quase ininterrupta, foi motivada por uma partida de futebol de mesa transmitida ao vivo pela TV Record, reunindo o campeão mundial de Box, Eder Jofre e o Deputado Federal Herbert Levy. Ficou entusiasmado e dias após, encontrando Eder Jofre, foi informado que no Grêmio Dramático Luso Brasileiro estavam disputando campeonatos. Foi para lá inscrever-se, sagrando-se vice-campeão paulista, em campeonato promovido pela Federação Paulista.

Em 1980 encontrou-se com um antigo botonista carioca que havia sido um dos primeiro compradores do livro de regras de futebol celotex. Esse botonista chamava-se Getúlio Reis de Faria e jogava na Regra Brasileira. Para que pudessem jogar em idênticas condições, enviei ao Décourt um time liso da Esquadra Azurra. O encontro dos dois veteranos botonistas chamou-se JUBILEU DE OURO NO BOTONISMO. Afinal, desde 1930, Getúlio desejava conhecer Décourt e cinqüenta anos depois conseguia esse feito. Isso serve para avaliar o valor que Décourt tinha para os botonistas brasileiros.

Por onde passou sempre defendeu suas idéias, realizando campeonatos de futebol de botões, com ou sem incentivo. Em Porto Alegre, pelos idos de 1950, quando trabalhava com seguros, realizou com o patrocínio do Correio do Povo, um campeonato de futebol de mesa. Fica uma sugestão aos historiadores de nosso esporte para que procurem nos jornais da época, pois foi amplamente noticiado. Sei disso porque meu avô comprava o jornal e quem ia buscá-lo na banca era eu. Sempre lia as noticias esportivas. Quem sabe alguém consegue reconstruir essa façanha, até então inédita em nosso estado.

Apesar de ter conhecido o futebol de botões no Rio de Janeiro, foi em São Paulo onde desenvolveu seus maiores esforços, sempre no sentido do crescimento desse esporte tão querido. Constituiu clubes, formatou informativo, escreveu e divulgou aquilo que amava, muitas vezes em prejuízo próprio, mas movido por uma chama amorosa que durou até seu último dia de vida.

Faleceu em 27 de maio de 1998, deixando uma enorme lacuna entre nós.

Para homenageá-lo, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, decretou a data de 14 de fevereiro como sendo o Dia do Botonista.

Por essa razão, meus amigos botonistas, devemos considerar esse ano como sendo o centenário da figura maior do futebol de mesa nacional. Comemoremos o dia e o centenário de nosso amigo querido, que lá do alto deve estar formando seu clube de futebol celotex, reunindo todos os que nos precederam na grande viagem que todos nós faremos um dia.

Até a semana que vem.

Sambaquy.





segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

NOSSOS ADVERSÁRIOS MAIS CONSTANTES. QUEM SÃO ELES?


Meus amigos, em muitas vezes fiquei pensando como eram difíceis meus jogos contra o São Paulo. Desde que iniciei no futebol de mesa o meu adversário mais temido é sempre o São Paulo. Não sei se isso é uma perseguição, mas, para mim sempre ficaram marcadas as partidas contra os defensores do São Paulo. Começou com o Renato Toni, depois da descoberta do futebol de mesa, e continuou com o Gilberto Oliveira, Marcos Fúlvio de Lucena Barbosa, Nelson Carvalho, que na Bahia sempre apresentava o Sarapatel, como arma fora do comum para chutar no meu gol, Norival Factum, também da Bahia e Vicente Sacco Netto, meu cumpadre, mas invencível competidor. Depois de minha mudança para Santa Catarina, encontrei mais um São Paulo, na pessoa de Roberto Zen, que sempre era uma pedra em meu caminho.

Então parei para pensar: - Devo ter jogado muitas partidas contra os adversários são paulinos.

Com isso, imaginei sempre, em meus desvaneios que o adversário que mais tinha enfrentado era sempre o São Paulo. Como sempre fui organizado em minhas partidas, fui apelar para a minha estatística e fiquei surpreso com os resultados.

Pelos inúmeros adversários enfrentados, o maior número de defensores enfrentados foi uma surpresa que tive de engolir: Dois times dividiam entre si o número de adversários enfrentados, pois o Grêmio e o Palmeiras tiveram dezoito treinadores que colocaram seus times na mesa contra o meu time.

O Corinthians teve quinze defensores que me enfrentaram, Fluminense e Santos com quatorze também estão muito à frente do São Paulo.

Depois vieram os defensores do Vasco da Gama e do Cruzeiro que com doze técnicos, sempre estiveram no outro lado das mesas. Com onze o Flamengo, clube de maior torcida do Brasil, mas que não vinga no futebol de mesa. O Botafogo com dez, Juventude com oito, Bahia e São Paulo com sete defensores foram os meus adversários.

Como eu estava enganado. Talvez pela dificuldade que existia contra os são-paulinos, achava que eram a maioria de meus adversários, mas ledo engano. Perdi campeonatos por causa de clubes que enfrentei poucas vezes, muitos com títulos sem qualquer força esportiva, tais como: Itabaiana, Brejo Sujo, Porto, Floripa. Literatura, Irapuru, Sirius, Galícia, Moto Clube, Milan, Joinville, Vascão, Penharol, Vitoriense, Pradense, Motorizado, Independiente, América, Zebra, Carlos Renaux, Juventus, Pombal, Internationale, Armour, Continental e Guanabara que ocultavam um grande técnico que me superava no jogo disputado.

Por isso eu acredito que o futebol de mesa seja a correspondência do futebol que é jogado nos gramados, pois quem tem a melhor técnica e está mais preparado, consegue êxito no final do tempo programado para o embate.

Hoje eu não tenho mais aquela ânsia de ganhar troféus para ostentar a glória de haver conseguido ser o melhor, mas, em compensação sinto a saudade de partidas memoráveis que joguei e que guardo em minha memória, pois foram momentos em que a minha vida toda esteve transferida para o botão que impulsionei em direção a bolinha que deveria entrar no gol adversário.

Por isso eu sempre defendi a conservação de todos os troféus que ganhamos em nossa jornada esportiva. Hoje, com 74 anos completos, paro em frente de um troféu e examino o quanto foi difícil conquistá-lo. Todos eles tem uma história, que se confunde com a minha própria história.

Quando recebi a visita do presidente do Atlântico Sul Futebol de Mesa, nascido em 1962, mostrei-lhe meu primeiro troféu, ganho em 1963 em uma conquista na AABB. Ele ficou estarrecido e ao mesmo tempo mostrou respeito às minhas conquistas. Talvez, quando conquistei, por duas vezes o vice-campeonato da série B do campeonato do Marcilio Dias, em Itajaí, foi ele quem mais vibrou dizendo a todos que havia conquistado, depois de mais de vinte e seis anos, um troféu na mesa , e não como homenagem. Foi emocionante e acredito que até minha esposa não acreditou muito na minha conquista, uma vez que eu jogo pouco e treino raramente, mas, quem foi botonista sempre será um botonista.

Por isso, meus amigos, creiam-me, em cada trajetória desenvolvida em um campeonato, ou mesmo em um torneio há uma história sendo escrita. E nelas, cada um de vocês é o personagem principal. Portanto, valorizem seus adversários e principalmente as suas conquistas, pois cada uma delas encerra uma história que faz parte da história de sua vida.

No final, nada levaremos, mas enquanto pudermos aproveitar e mostrar nossas conquistas, incentivando nossos descendentes ao nosso esporte, devemos usufruir de tudo aquilo que conquistamos em disputas honrosas nas mesas de nosso país.

Um abraço de quem já venceu muito.

Até a semana que vem se Deus quiser.

Sambaquy.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A IMPORTÂNCIA DO MÁRIO DE SÁ MOURÃO PARA O FUTEBOL DE MESA DE CAXIAS.



São muitas as pessoas que mereceriam citações como fomentadores do futebol de mesa de Caxias. Geralmente são aficionados pelo esporte, os quais acabam dedicando-se inteiramente para o crescimento daquilo que amam e praticam.

Hoje, não falaremos de um botonista contumaz, mas de um amigo que ajudou a elevar o nome de nossa cidade, do nosso futebol de mesa, aos recantos mais afastados desse nosso país. Essa pessoa chama-se Mário de Sá Mourão. No governo do prefeito Victório Três, convidado, assumiu a presidência do Conselho Municipal de Desportos e trabalhou incansavelmente para mostrar o potencial esportivo de Caxias do Sul.

Como éramos amigos, fomos até ele, levando a idéia de realizar em nossa cidade um campeonato brasileiro de futebol de mesa. Já haviam sido realizados dois campeonatos, um em Salvador (Bahia) e outro em Recife (Pernambuco). Mostramos as fotografias tiradas em ambas as competições e explicamos detalhadamente como seria promovido o nome da cidade em todo o país, pois em todos os cantos dele há um botonista. Marcos Fúlvio de Lucena Barbosa me ajudava em todos os momentos e também era amigo do Mário de Sá Mourão. Foi providencial a sua participação no sentido de conseguirmos o sim definitivo. Foi então que recebemos a noticia tão aguardada: Vamos fazer o campeonato brasileiro. Podem convidar as pessoas de todos os estados, pois Caxias abrigarará cada um deles.

Então começou o trabalho do Sá Mourão. Sua primeira providência foi nos chamar para a sede da AABB para uma foto com o troféu de campeão, de vice, terceiro e quarto e a grande novidade, até então inexistente nessa modalidade: um troféu de comparecimento e reconhecimento a cada um dos botonistas que estariam jogando em nossa cidade. Com as fotos prontas, nosso trabalho foi enviá-las juntamente com os convites. Então começaram a aparecer jornais de todos os pontos do país com as nossas fotos, anunciando o campeonato a ser realizado em Caxias do Sul.

Sá Mourão convoca toda a imprensa escrita e falada de Caxias para um churrasco na AABB, quando então foram expostos os nossos objetivos. Além dos radialistas e jornalistas, esteve presente o Vice Prefeito Mansueto de Castro Serafini Filho, que também tentou jogar contra Getúlio Soares da Rádio Difusora Caxiense. Com o apoio dos órgãos de divulgação, conseguimos encher o Ginásio da AABB, com pessoas vindas de todos os cantos da cidade e de cidades distantes, como pessoas de Uruguaiana, na fronteira com a Argentina.

O campeonato em si foi um sucesso grandioso. O campeão foi o carioca Antonio Carlos Martins, ficando o baiano Orlando Nunes com o segundo lugar. Em reconhecimento ao tratamento recebido em nossa cidade o Orlando entrega ao Sá Mourão o seu Botafogo, vice campeão brasileiro. Foi seu primeiro e único time.

A festa de encerramento foi emocionante, realizada na AABB, com a presença do Prefeito Municipal Victório Três, gerente do Banco do Brasil, presidente da AABB, todas as rádios e jornais da cidade.

Passado o campeonato, Mário de Sá Mourão começa a jogar conosco, em nossa sede, no Edifício Martinato. E acreditem, jogamos seis vezes e o venci cinco vezes, mas fui derrotado em 20 de junho de 1973, por 3 x 2, fazendo três gols contra.

As proezas do Mário são histórias que já foram comentadas em um artigo anterior. Em agosto de 1973 fomos convidados a apadrinhar uma Associação na Bahia, presidida por Oldemar Seixas. Era a nossa chance de agradecer tudo o que Sá Mourão havia feito por nós e então o convidamos, deixando o Marcos Fúlvio de fora. Seguimos para a boa terra, com o nosso botonista mais novo. Foi esta a melhor viagem que fiz em todo o meu tempo de futebol de mesa, pois não havia momento do dia ou da noite em que não estávamos todos dando boas risadas, pois o Sá Mourão sempre era dono da piada pronta.

O Oldemar tinha um fusquinha, colocava todos nós dentro do carrinho e íamos de um clube a outro. Numa noite, passando por um parque, vimos um casal de namorados, abraçados. O Sá Mourão mandou o Oldemar diminuir a marcha, e, quando cruzávamos por eles, colocou a cabeça para fora e gritou: “Vai comer ai ou quer que embrulhe?” O Oldemar ficou branco, pois era figura conhecida em Salvador e há muito mantinha um programa no ar: “Bahia, Campeão dos Campeões”. Se o reconhecessem, ele iria pagar o pato pela ousadia do gaúcho....

No torneio que fizemos por lá, jogando contra verdadeiras feras do botonismo, todos nós fomos presas fáceis. E o Sá Mourão não se alterava com nada. Foi apelidado de Turista do Futebol de Mesa.

No retorno, continuou ajudando bastante a então Liga Caxiense. Acredito que cansou de jogar e perder, mas jamais cansou de ser a pessoa grandiosa que sempre foi, agradando a todos, alegrando os ambientes e sendo o nosso Turista do Futebol de Mesa.

Nas festividades dos 45 anos da AFM Caxias do Sul, contamos com a presença dele, o que nos deixou emocionados, pois seu nome está anotado com letras de ouro no livro da vida daquela entidade, que ele ajudou enormemente.

São amigos assim que nos fazem sentir como é bonito o trabalho que desenvolvemos no futebol de mesa, pois sem ser um botonista nato, foi um tremendo colaborador e divulgador de nosso esporte.

Por isso, hoje a nossa homenagem a esse amigo que Deus colocou em nosso caminho. Que tenha vida longa e continue sendo sempre essa pessoa que cativa a todos que o conhecem.

Desejo mostrar a todos vocês duas fotos dele, em momentos diferentes. Uma na divulgação do terceiro brasileiro e outra visitando a nossa AFM por ocasião dos 45 anos.

Um grande abraço a esse amigo e que apareçam inúmeros Mários em nossa caminhada.
Até a semana que vem se Deus quiser...

Sambaquy.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O CUSTO DE UM TIME DE BOTÃO.


A história nos faz refletir sobre o quanto custa um time de botão. Ora, se no início os times eram de botões de roupa, coisa de garotos que se aproveitavam dos botões de paletós, capas de chuva, botões enfeitados de vestidos de suas mães, o custo era no máximo umas palmadas, hoje em dia a transformação faz com que tenhamos de gastar pequenas fortunas.

Mas, para os botões, depois de apropriados, havia a necessidade de prepará-los para serem craques. Quase todos os dias, na minha rua, viam-se jovens sentados na beirada da calçada passando seus craques na laje, fazendo com que perdesse a primeira camada baixa, para não saltarem por cima da bolinha. Depois vinham as lixas mais finas que ajudavam na transformação.

O melhor fabricante de botões de nosso bairro era o Renato Toni. Ele conseguia surpreender a todos, sempre com novidades. Com o tempo, apareceram os iô-iôs e o Renato conseguia fazer deles um par de zagueiros intransponíveis. Mais adiante as tampas de potes de cremes de beleza também eram utilizadas, e, transformados em bons zagueiros. O problema eram os atacantes, pois naquela época ninguém falava em graus no declive dos botões. Era tudo no olhômetro. Calculava-se a caída e procurava, com um vidro deixar o botão semelhante em toda circunferência.

E assim foram sendo criados bons times. Os melhores botões eram sempre cobiçados.

Passam-se alguns anos e surge em Porto Alegre a fábrica de botões puxadores. A principio eram todos de uma só cor, mas foram ficando cada vez mais sofisticados e começaram a surgir botões em camadas. Para os nossos padrões eram caros e bastante difíceis, pois naquela época viajar à capital só se fosse nas férias. Mesmo assim começaram a chegar aos poucos em Caxias. Quem conseguia um ou outro era invejado. Tinha de jogar em diversos lugares para mostrar o craque “importado”.

Até que, em determinada época, a Livraria Saldanha começa a vender botões fabricados em Porto Alegre. Foi uma festa para os botonistas caxienses.

Eu já cursava o ginásio e lá encontrei o Marcos Pedro Amoretti Lisboa, filho de uma professora e que era um exímio botonista. Além disso, o Marcos tinha uma habilidade fora do comum para preparar craques. Havia desenvolvido uma espécie de torno manual, no qual fazia os botões ficarem com ângulos específicos para determinadas posições. Lembro ainda do zagueiro “faz tudo” que ele utilizava. Esse botão levantava a bolinha em quase toda a circunferência, mas, uma parte era cega e quando colocada a bolinha nela, não levantava e assim ele cavava os laterais e corners. E era esse zagueiro que ia bater os escanteios para que um dos três botões colocados na área adversária cabeceasse a bola para o fundo das redes.

Em uma ocasião, o Marcos e eu pegamos uma carona de caminhão e fomos até Porto Alegre, com a finalidade de comprar botões. O caminhão nos deixou em determinado ponto e de lá, apanhamos ônibus e fomos até à rua Paulino Teixeira, número 51, onde nos encantamos com o paraíso dos botões. Enchemos os bolsos e rumamos à Rodoviária para regressar à Caxias, felizes como alguém que consegue realizar o seu sonho mais sonhado.

Entretanto, haviam botões que marcaram época em Caxias. Um deles era um botão marrom que havia sido rompido e que fora colado. Mas, ficou tão bom que jamais errava um chute ao gol. Fiz economias, deixei de ir ao cinema, de tomar refrigerantes, sorvetes e de comprar meu doce de batata doce e consegui reunir o montante para comprar o passe do”Colado”. Estava realizado, só que na estréia, em casa de uma família que morava perto do campo do Juventude, o “Colado” foi roubado. Chamei todos eles de ladrões e chorei muito. Havia custado bastante sacrifício ter aquele botão e agora um ladrão o havia levado. Deixei de jogar nas casas que me convidavam depois dessa desventura.

Houve uma época em que encontrei um rapaz que morava perto de minha casa e que fazia botões de casca de coco. Seu nome era Riário Neves. A mãe dele era doceira e ele era quem quebrava os cocos, aproveitando as cascas para fazer botões. Comprei dele vários botões e colava o retrato de jogadores do Vasco da Gama, cuja foto eu havia ganho de um amigo.

Quando estava com dezessete anos, jogava futebol de campo com amigos e em determinada ocasião deixei os meus times na casa de um deles. A fatalidade aconteceu e a casa pegou fogo. Dois times foram cremados naquela noite.

Aos poucos fui conseguindo formar um novo time. Já estava trabalhando e ganhando meu próprio dinheiro e isso facilitava as coisas. Na escola onde fazia o curso de Contabilidade, o meu amigo e colega Raul José Stalivieri, sabendo que eu estava juntando botões me presenteou com um botão preto, atacante, que logo recebeu o apelido de Vitor. E como o Vitor marcava gols. Foi dele o gol da vitória de meu primeiro troféu, campeonato da AABB de 1963.

Os botões panelinha, fabricados em plástico, eram mais utilizados pelas crianças que jogavam em estrelões. Nós jogávamos nas mesas da regra gaúcha. Entre nós não houve muita aceitação deles, pois os puxadores eram botões muito caprichados, muito embora não houvesse um padrão definido em qualquer time. Usávamos botões de diversas cores, desde que gostássemos dele. O único padrão que tínhamos era o número, colado na parte de cima dos botões, ou então a foto recortada do rosto do jogador.

Foi então que surgiu o botão baiano, padronizado, com diferenças entre defensores e atacantes. Os introdutores foram Oldemar Seixas e Ademar Carvalho. Vieram participar de um torneio em Caxias e trouxeram alguns times. Entre eles, uma seleção brasileira que me foi presenteada e que guardo com carinho até os dias atuais. Esse foi o primeiro time que saiu da Bahia com destino certo. Os demais foram todos vendidos aqui em Caxias, em Porto Alegre e no Rio de Janeiro. Se tivessem trazido mais cem times, com certeza teriam vendido todos.

Para se ter uma idéia dos valores de compra dos botões, um time de puxadores custava o equivalente a dois jogadores baianos. Nós estávamos finalizando o campeonato de 1966, ainda na Regra Gaúcha, na AABB, logo após a vinda dos baianos e o Deodatto Maggi fez uma proposta inusitada para mim. Pagava pelo meu time da Regra Gaúcha o equivalente ao um time baiano. Não pensei duas vezes, pois o meu amigo/irmão/compadre Vicente Sacco Netto havia confeccionado um time branco e vermelho que eu não utilizava, pois estava acostumado com o time que estava disputando o campeonato. Vendi o time titular e o time que ganhei do Vicente seria o substituto no restante do campeonato. Dias depois eu teria de jogar contra o Maggi e entrei com o time feito pelo Vicente, contra os meus craques. Para tristeza do Maggi, venci o jogo.

Hoje, tenho alguns times guardados. A grande maioria foi presente recebido de botonistas que considero muito em minha vida. Tenho botões que ganhei de Geraldo Decourt, de Oldemar Seixas, de José Ricardo Caldas e Almeida, de José Geraldo Cursino, de Antonio Maria Della Torre, de Vanderlei Duarte e Luiz Ernesto Pizzamiglio, de Oswaldo Fabeni, os quais são intocáveis. Times que ganhei campeonatos não ficaram em minhas mãos. Presenteei-os a pessoas que devem ter valorizado botões campeões.

Para quem não conhece o quanto é dispendioso manter um time de botão, isso é apenas uma amostra do que o botonista realiza. Hoje em dia existem maletas (ônibus), material de limpeza, flanelas especiais, réguas, paletas, bolinhas e tantas outras coisas que são necessárias para o bom desempenho do time. Além disso, o botonista deve estar sempre preparado para as despesas de deslocamentos, pois os torneios são realizados de norte a sul desse nosso país.

Felizmente, consegui ver ser realizado o meu sonho de unir o Brasil em torno de uma mesa de botão.

Semana que vem tem mais, se Deus quiser.

Sambaquy.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

VAMOS TORCER JUNTOS PELA REATIVAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO BRUSQUENSE.


Como já comentei em inúmeras vezes, após a minha passagem pela presidência da Associação Brasileira de Futebol de Mesa, fui abandonando aos poucos o nosso esporte. Vários outros compromissos eram assumidos e isso, aliado ao desgosto com os acontecimentos havidos, fizeram com que o futebol de mesa perdesse espaço em minha vida.

Entretanto, nunca abandonei totalmente, pois, de longe, acompanhava sempre as atividades desenvolvidas pelos meus amigos. A partir de 1982, cada vez menos eu comparecia à sede da ABRFM para jogar. Até 1986, os campeonatos foram jogados regularmente. Desde 1974 os campeões foram Adauto Celso Sambaquy, 1975 – Valmir Merisio, 1976 - Adauto Celso Sambaquy, 1977 - Marcio J. Jorge, 1978 – Adauto Celso Sambaquy, 1979 – Sérgio José Moresco, 1980 – Marinho Vieira, 1981 – Edson Appel, 1982 – Edson Cavalca, 1983 – Edson Cavalca, 1984 – Roberto Zen, 1985 – Décio Belli, 1986 – Toni Nicola Bado. Foi então que houve a primeira parada, pois até o ano de 1991 nada foi realizado.

No ano de 1991, a garotada que disputava torneios juvenis e infantis, reuniram-se e passaram a ocupar a sede realizando campeonatos regulares, com a presença de alguns antigos botonistas. Em 1991 – Carlos Bernardi, 1992 – Marcelo Bianchini, 1993 – Ricardo Zendron, 1994 – Marcio Muller continuaram a escrever a história. Então dá-se mais uma parada, desta vez até 1997, quando Carlos Bernardi consegue o seu bi-campeonato . De 1997 até os dias atuais tudo foi abandonado. Por coincidência, nesse ano eu vim morar em Balneário Camboriú.

Muitas vezes conversava com o pessoal que investiu pesado na construção de nossa sede social. Faltava a pessoa que estivesse interessada em movimentar o futebol de mesa, que arregaçasse as mangas e começasse o trabalho que sempre é muito e desgastante. Ninguém desejava ficar com o encargo.

A luz no final do túnel apareceu agora, em 2011. Por uma feliz coincidência, Ítalo Petrechelli é transferido de Pelotas para Brusque. E, como apaixonado pelo futebol de mesa tenta saber com os mais antigos quem movimentava o esporte na cidade.

Surge a figura do Sérgio de Oliveira, esse gigante do futebol de mesa gaúcho que chama a atenção do Ítalo e o coloca em contato comigo. Conversamos e isso estimulou a minha procura pelos antigos líderes brusquenses. Muitos deles, hoje com suas empresas próprias, talvez não tivessem interesse em voltar. Mas, ao conversar com alguns deles e dizer que o nosso amigo Ítalo estaria fazendo o grande serviço de restauração, o interesse parece que voltou e prometeram-me ajudá-lo naquilo que fosse possível. Dois dos últimos campeões da primeira leva de participantes ficaram entusiasmados e eu acredito que tanto o Roberto Zen como o Décio Belli estarão dando cobertura para a reativação do nosso futebol de mesa brusquense.

Jamais poderemos esquecer o valor de Brusque no contexto nacional, pois foi lá que se realizou o primeiro Campeonato Sul Brasileiro de Futebol de Mesa, em 1979, e em 1981 o sétimo Campeonato Brasileiro. E também tivemos o segundo Torneio Proclamação da República , patrocinado pelo Marcos Zeni, que o levou de Caxias à Brusque, numa homenagem que nos envaideceu muito. Sem contar as grandes promoções que houveram com a Afumepa, com Florianópolis e a turma do Joel Dutra, e principalmente com o pessoal de Caxias do Sul. Muitos botonistas caxienses estiveram em nossas casas, pois os acolhíamos com amizade e eles estavam sempre em casa de algum associado, pois eram nossos irmãos queridos. Estiveram participando de nossos torneios o Airton Dalla Rosa, o Luiz Ernesto Pizzamiglio, o Nelson Prezzi, o Marcos Antonio Zeni, o Adaljano Tadeu Cruz Barreto. Visitas como Oldemar Seixas, Jomar Moura e Claudio Schemes eram constantes em Brusque. Foi na nossa sede que homenageamos o Geraldo Cardoso Décourt com uma placa de prata, durante um churrasco oferecido ao nosso grande botonista brasileiro.

A Associação Brusquense de Futebol de Mesa participou dos Campeonatos Brasileiros de Vitória (ES), Pelotas (RS), patrocinou o sétimo e pela última vez participou do de Itapetinga (BA).

Eu acredito que, se for venturoso o trabalho do Ítalo, voltaremos a ver dias de glória na sede da ABRFM, agora abrangendo dois tipos de regra, pois o Ítalo está associado ao Marcilio Dias de Itajaí, o qual adota a regra de 12 toques. Com isso, dois participantes do Marcilio, residentes de Brusque, terão condições de praticar com regularidade o futebol de mesa na regra de 12 toques, ajudando o trabalho de reconstrução.

Além disso, o apoio da Federação Catarinense será enorme, uma vez que já havia interesse dela em implantar a Regra Brasileira nas disputas estaduais. Com o esforço de um jovem praticante, que já encontrou em Florianópolis um clube para jogar, será um achado e a revitalização de nosso futebol de mesa.

Estou vibrando com isso. Quem sabe os botões guardados há mais de vinte e cinco anos possam ser retirados da gaveta em que estão guardados.

Vamos torcer pelo sucesso do Ítalo.

Até a semana que vem.

Sambaquy