segunda-feira, 25 de agosto de 2014

RETORNANDO À ESCRITA

Depois de ficar inerte por um mês, sem que houvesse manifestações apreensivas sobre a parada da Coluna, volto a escrever sobre o nosso esporte. Aliás, manifestações chegaram, mas de meus dois leitores fiéis, os quais reclamaram a ausência de histórias sobre o passado do nosso esporte. Roza e Abiud demonstraram estar preocupados com essa parada estratégica, mas já os alertei sobre o retorno.
E voltei nessa data, pois recebi do cineasta Filipe Seixas o documentário produzido por ele, com duração de vinte minutos, realizado há dois anos em Salvador. Ao rever aquelas cenas tomadas no Passeio Público, onde irmãos e amigos Oldemar Seixas e Roberto Dartanhã, juntamente comigo recordávamos os primeiros passos no sentido da organização de uma Regra que unisse os brasileiros de todos os quadrantes. Senti que deveria continuar a falar sobre o que aconteceu e o que acontece na atualidade.
No mesmo dia, recebi do Raimundo Fernando Valverde da Silva, de Juazeiro, dando contas do resultado final do INCAP, vencido por um representante de sua entidade, contando da homenagem ao Ronald Aguiar. Ronald é um velho amigo que conheci em 1967 e que continua, apesar de seus mais de oitenta anos, a jogar futebol de mesa. E, veja bem, Juazeiro é no norte da Bahia, na fronteira com Pernambuco e esse baluarte do nosso esporte estava lá, jogando e mostrando a sua categoria. Merecida homenagem a essa pessoa gentil que, durante o brasileiro de Salvador, ofertava a cada participante uma fitinha do Senhor do Bonfim. São gestos assim que cativam e mostram o enorme coração que habita em seu peito. Lembro ainda que, quando realizei uma campanha de auxílio ao Oldemar Seixas, ele foi um dos primeiros a depositar razoável valor na conta corrente, minimizando o aperto que nosso amigo enfrentava naquele momento.
Essa foto mostra Haroldo Andrade, de Juazeiro, campeão do INCAP ao lado o Ronald Aguiar, um dos decanos do futebol de mesa baiano.
Justíssima homenagem a um baluarte que muito fez e faz pelo nosso esporte
Já tinha imaginado voltar a escrever e pensado em publicar as fotos de dois times que foram doados e que, na mesma semana, apareceram em fotografias, via facebook. O primeiro foi destinado a um primo, filho de meu padrinho Nélio Sambaquy. O Luiz Pedro Sambaquy, desde pequeno comparecia na AABB para ver os jogos, demonstrando o seu interesse no nosso esporte. Dei-lhe um time do Internacional, apesar de sua preferência ser o E. C. Juventude. Esse time foi fabricado na Bahia e, acredito, nunca jogou nenhuma partida.
Time doado ao Luiz Pedro Sambaquy, há mais de 30 anos
O segundo time foi doado ao Guto Hoffmann, filho de meu amigo e irmão Germano Hoffmann. O Guto, que residia na mesma rua em que eu morava em Brusque, apareceu em minha casa com seu pai, querendo comprar um time de botão. Na época, eu mandava buscar na Bahia uma boa quantidade de times, pois a garotada estava vivendo uma febre de praticar o futebol de mesa. Na ocasião da visita do Guto, não havia nenhum time disponível em casa. Eu havia jogado o Brasileiro de 1979 em Vitória e conquistado o sétimo lugar com um time de acrílico, que fora trazido de Salvador pelo Jomar Moura. O time era vermelho, com o emblema do Inter estampado nos botões. Eu havia recebido um novo Inter, de paladon, feito em Sergipe, com pins de metal embutidos. Jogaria com ele, doravante. Então, resolvi doar o time que havia feito bonito em Vitória, pois, caso contrário, ficaria sem uso. E o Guto ficou radiante e andou ganhando alguns torneios e até um vice–campeonato na Associação Brusquense de Futebol de Mesa. Nas fotos que salvei, até a súmula do jogo final na disputa do vice-campeonato, ele postou, provando a sua façanha.
Time doado ao Guto Hoffmann há mais de 20 anos. Abaixo está a súmula da ABRFM
Tudo isso contribuiu para o retorno da coluna.

Até a semana que vem, se Deus assim permitir.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

REPÓRTER ESS0 INFORMA: ESTAMOS FICANDO SEM NOTÍCIAS.

Em 31 de outubro de 2011, abordei A COMUNICAÇÃO NO FUTEBL DE MESA, dizendo que passava horas lendo os diversos blogs que atualizam o que se passa em nosso país. Dessa maneira me inteirava do que acontecia nas agremiações e enaltecia o trabalho anônimo desses amigos que prestavam excelente serviço ao futebol de mesa.
Com o tempo, alguns blogs foram sendo transferidos para o facebook. Para acompanhá-los, tive de abrir uma conta e os localizar, seguindo a rotina que havia acostumado a manter desde a minha volta ao mundo encantado do futmesa.
Já, naquela mesma coluna, dizia que muitos surgem com força, mas, com o passar do tempo vão minguando, diminuindo e finalmente parando... E o tempo mostrou que quase todos estão nesse pé de igualdade: praticamente parados no tempo e no espaço.
Restavam os abnegados que migraram para o facebook. Lá estavam Gothe, Breno, dois dos mais completos blogs existentes, que continuavam fornecendo material para atualizar nosso conhecimento esportivo.
Breno foi um dos que migrou dos blogs para o Facebbok
Terminada a Copa do Mundo, uma bomba estoura no nosso meio. O fim do ciclo do Gothe Gol. Foi algo inesperado e que conseguiu causar espanto e surpresa a todos os botonistas brasileiros, pois Gothe era lido do norte ao sul, do leste ao oeste. Isso depois de onze anos informando, diariamente, sobre o que acontecia, não só no Rio Grande do Sul, como em todo o resto do país, já que entre seus colaboradores havia botonistas baianos, cariocas, capixabas, catarinenses e gaúchos. Mas, devemos reconhecer que é um esforço que demanda muita mão de obra e, em nosso meio, é muito difícil conseguir abnegados que se prestem a transmitir o que acontece em suas agremiações. Seria muito mais tranquilo ao Gothe receber os assuntos de mão beijada e somente colocá-los ao dispor dos leitores. Mas, diferente disso, tinha de ir ao encontro dos acontecimentos e, muitas vezes, com prejuízo de seu desempenho nas competições. Por isso, eu entendo a atitude dele. Sai por cima, abandonando o maior informativo botonistico brasileiro. Quem sabe alguém consiga seguir o seu exemplo, criando um veículo informativo que possa alegrar os corações dos botonistas.
Blog do Gothe foi sempre um dos mais lidos com atualizações diárias
Os blogs, começando pelo futebol de mesa news de São Paulo, o qual já dá sinais de enfraquecimento, pois são poucas as novidades que aparecem em suas páginas, tem uma tendência de diminuir a sua força. Muitas são as notícias que permanecem por meses e até anos sem serem modificadas.
Blogs como da Riograndina, onde o excelente Mário produzia a coluna do presidente e, regularmente, eram mostrados os resultados das competições, simplesmente, parou. E, como ele, pararam os blogs do pessoal de Pelotas, de Livramento, de Caxias, da Liga Inglesa, assim como AFUMTIBA, CBFM e blogs de botonistas: Alexandre Prezzi, Rogério Prezzi, Marcos Zeni, Daniel Pizzamiglio, Chelsea de Hugo Alexandre, uma porção deles. Enio Seibert recomendou o blog Botoníssimo, que também não apresenta novidades. Do nordeste, vários ficaram sem atualizações como o Clube dos Rodoviários, Liga Jardim Brasil, A Hora do Botão, Armandinho futmesa.
Salvam-se, trazendo notícias semanais: A Marreta, do meu amigo Abiud Gomes, Penofutmesa, do amigo Sergio Travassos, Zzfutmesa, do grande José Edson Carneiro da Cunha, Guido Garcia, Afumeca, mantido pelo esforço do incansável João Batista Rangel Júnior que conseguem amenizar um pouco a curiosidade de todos nós, leitores ávidos.
o blog A Marreta continua com atualizações semanais
Já escrevi, também, solicitando que, por favor, falem do futebol de mesa na imprensa esportiva, mas vejo que são muito poucas as inserções nas páginas de esporte.
Fico com o coração entristecido, já que na atualidade possuímos ferramentas que nos ajudam a divulgar os acontecimentos na hora imediata de sua realização, não conseguimos pessoas que se disponham a fazê-lo. Que o Santo Protetor do Futebol de Mesa nos ajude e guie alguém para suprir as ausências dos que pararam de escrever.

Até a semana que vem, se Deus assim permitir.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

QUEM SERÁ O PRESIDENTE NO CINQUENTENÁRIO?

Já que a Copa do Mundo está finalizada, cabe a pergunta que já está me intrigando há algum tempo: - Quem será o presidente da AFM Caxias nas festividades de seu cinquentenário?
Ate agora não soube de movimento nenhum por parte dos botonistas caxienses e, como acredito que essa comemoração deva ser de vital importância, lanço a pergunta no ar. Acredito que o novo presidente deva ser alguém arrojado e que deseje realizar o melhor Torneio até então promovido pela entidade pioneira do estado na Regra Brasileira.
Tenho reclamado constantemente com alguns associados pela falta de atualização do nosso blog, pois a única coisa que muda é a coluna que escrevo semanalmente. Tomo conhecimento do que se passa em Caxias através do facebook do Rio Grande, do amigo Walter Almeida ou, então, pelos e-mails que ele encaminha gentilmente. Meu filhão adotivo Maciel tem enviado jornais onde estão notícias sobre o envolvimento de botonistas caxienses, falando sobre os Jogos Abertos, no qual participaram botonistas de Porto Alegre e locais. Para minha alegria, vi que Daniel Maciel continua vencendo e convencendo, seguido pelo excelente Carraro, em terceiro o nosso menino prodígio Gustavo Lima (que já foi nacionalmente conhecido como Pica Pau) e, na quarta posição, o fabuloso e eterno Luiz Ernesto Pizzamiglio, isso na categoria especial. Na categoria sênior livre, a vitória coube ao porto-alegrense Breno Kreuzner, ficando os caxienses Daniel Crosa e Luiz Ernesto Pizzamiglio na segunda e terceira posição, com Daiam Oliveira, outro porto-alegrense como quarto colocado. Isso foi publicado em dois jornais, por que não ser publicado em nosso blog?
O novo presidente terá a responsabilidade de fazer funcionar essa ferramenta que nos deixa inteirados sobre tudo o que se passa dentro dessa entidade que criamos no distante ano de 1965. Gostei de saber que os jogos foram patrocinados pelo SMEL, o que me deixou despreocupado, pois é uma referência fabulosa ter esse apoio em nossas promoções. Que isso seja conservado para sempre.
Quando a entidade completou 40 anos, houve uma festa bonita; nos 45 anos, a festa foi maior e trouxe muita gente às dependências da AFM. Acredito que, agora, nos 50 anos, data memorável que pouquíssimas Associações de Futebol de Mesa podem orgulhar-se de comemorar, a festa será maior e mais bonita.
Meu querido afilhado Rogério já enviou alguns modelos do pôster que ornamentará essa promoção. E, já peço ao novo presidente que comandará esse grupo seleto de botonistas gaúchos, que não esqueça os fundadores que ainda estão entre nós: Delesson Pavão Orengo, Sérgio Calegari, Saul Henrique Vanelli, Marcos Zeni e eu, pois Raymundo Antônio Rotta Vasques, Antônio Carlos de Oliveira, Deodatto Maggi e Vanderlei Duarte já não se encontram mais entre nós. E lembre também de convidar o Airton Dalla Rosa, nosso primeiro campeão estadual, o Marcos Fúlvio de Lucena Barbosa, vice-campeão brasileiro em 1978.
Que seja lembrado sempre de que, quando a Associação foi fundada, a quase totalidade de vocês ainda não havia nascido. Nós criamos e lhes entregamos essa herança esportiva que tem feito a alegria de muitos botonistas, não só da cidade, como do Brasil inteiro.
Pediria ao novo presidente que empregasse o seu melhor esforço no sentido de mostrar ao país o quanto foi importante essa criação. O quanto ela ajudou as pessoas que frequentaram seu seio, que usaram a sua camisa e que levaram o nome de Caxias do Sul aos mais diversos quadrantes nacionais. Muitas glórias e conquistas foram conseguidas. As prateleiras da sede estão mostrando o quanto seus membros dignificaram a entidade. Somos exemplo para muitos e isso nos enche de orgulho, sem vaidade. Alegria de ver que o sonho dos jogadores de botão se transformou em algo muito grande e bonito para ser admirado e copiado por aqueles que admiram o futebol de mesa. E que cada presidente dessa entidade dedicou os seus esforços mais pungentes, para que ela continuasse a promover a alegria e a felicidade de todos os seus membros.
Acredito que o potencial de todos os associados os habilita a concorrer a esse prestigiado posto que, com certeza, entrará para a história da AFM Caxias do Sul, pois será aquele que estará à testa no seu cinquentenário. Como espero poder estar na festa, tenho certeza de que ficarei imensamente feliz, pois, para o centenário, tenho certeza de que não poderei participar. Contento-me com o cinquentenário.

Até a semana que vem, se Deus assim permitir.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

A MIGRAÇÃO DA REGRA GAÚCHA PARA A BRASILEIRA: CONSEQUÊNCIAS

Logo da Liga Caxiense de Futebol de Mesa
Na última coluna falei sobre as agremiações que iniciaram as atividades na Regra Brasileira. Em Caxias do Sul, a comandante geral, a Liga Caxiense de Futebol de Mesa, aderiu imediatamente. Com isso a AABB e o Recreio Guarany migraram para o novo sistema. Mas, muita gente que estava em alta na Regra Gaúcha sentiu dificuldade nessa mudança. Marcos Lisboa, que era o maior nome do Banrisul e que havia vencido os campeonatos de 1963 e 1964, promovidos pela Liga, sendo também bicampeão bancário, não conseguiu se adaptar ao novo tipo de botões. Ele fabricava seus times. Sabia como ninguém cavar um botão, dar o caimento desejado e seu craque maior era um botão em que 80% da circunferência possuia caimento e suspendia a bolinha, mas nos restantes 20% era cavador. Era com ele que batia tiro e meta, laterais e tiro de canto. Com os 20% cegos ele fazia lançamentos extraordinários e cavava com elegância. E, dependendo de onde ficasse a bolinha, os restantes 80% poderiam chutar e cobrir o arqueiro. Até tentou, mas desistiu e voltou aos campeonatos no Banrisul na Regra Gaúcha.
Inauguração da sede da LCFM em 1971
Outro que também se afastou foi o Delesson Orengo. Delesson fora fundador da Liga e também jogava com o Marcos o campeonato do Banrisul. Ele gostava mesmo era da mesa pequena e dos botões puxadores de galalite. Um time padronizado, com botões lisos, e uma mesa enorme o assustaram e ele deixou de jogar conosco. Ainda, hoje, continua a jogar seus campeonatos em seu escritório de advocacia, com o seu sócio, após os expedientes.
Sambaquy e Orengo nas festividades dos 45 anos de LCFM/AFM Caxias
A grande terceira baixa foi o Deodatto Maggi, campeão de 1965. Maggi também não se adaptou à nova maneira de jogar, apesar de ter mandado confeccionar um Santos, cujo ataque era Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe, pelas mãos do seu Aurélio. Chegou a jogar alguns campeonatos, mas seu rendimento não era o mesmo de antes.
A compensação, entretanto, foi na quantidade de novos adeptos que surgiram na AABB. Todos os antigos praticantes mandaram confeccionar seus times, de acordo com seu sonho, desenhados e enviados ao Seu Aurélio. Até o Chicão Bergmann, que jogava os campeonatos da AABB com um dos times Lione, que haviam sido comprados juntamente com a mesa oficial da Regra Gaúcha, mandou fazer um Juventude de 1940, quando ele era titular a zaga. Surgiram Dirceu Vanazzi, Nelson Mazzochi, Luiz Carlos Ponzi, Carlos Peres, Osni de Oliveira, Heitor Stumpf, Walmor Medeiros, Homero Kraemer de Abreu, Milton Machado, Silmar Haubrich, Ricardo Medeiros, Aldo Oliveira, Luiz Alfredo Gastaldello, Sérgio Guimarães e Joel Oliveira que encomendavam times e passaram a disputar os campeonatos da AABB, cada vez mais concorridos.
AABB Caxias do Sul
O pessoal do Recreio Guarany, quase todo composto por rapazes com pouca idade tiveram mais dificuldades para comprar seus times, pois dependiam de mesadas de seus pais. Mas, com inteligência bolavam rifas e as vendiam aos aposentados que frequentavam o clube para jogar seu dominó ou o seu carteado. Com as rifas, conseguiram mandar confeccionar uma mesa oficial e compraram alguns times. E, lá, também o número de adeptos aumentou consideravelmente. Airton Dalla Rosa, Ângelo Slomp, Nelson Prezzi, Vitório Menegotto, Almir Manfredini, Sérgio Silva receberam a companhia de Jorge Compagnoni, Carlos Berti, Ariovaldo Sebben, Ricardo Almeida, José Raul de Castilhos, Enoir Luz, Paulo Santana, Paulo Leonardi e Ivan Puerari que premiavam o campeonato mais concorrido entre os jovens botonistas da cidade.
Almir, Angelo e Nelson alguns dos meninos do Guarany

Sambaquy com outros meninos do Guarany como Airton e Jorge
O sucesso fez com que várias entidades esportivas da cidade abrissem as suas portas ao futebol de mesa. A primeira foi o Vasco da Gama, tendo uma grande quantidade de botonistas. Mário Ruaro Demeneghi, Nelson Ruaro Demeneghi, Rudy Vieira, Boby Ghizzoni, Augusto Peletti, Aldemiro Ernesto Ulian, Jonas Rissi, Jone Almeida, Jorge Rezende, José Machado, Odir Forner, Sergio Salomon, Milton Berti e Neuri Fedrizzi realizavam campeonatos disputadíssimos.
José Machado - Rubens Schumacher - Boby Ghizoni
A Rádio Difusora cedeu uma sala aos seus funcionários e lá colocaram uma mesa. Adelar dos Santos Neves, Renato Monteiro, Gilberto Oliveira, Marcos Meregalli foram os pioneiros que passavam horas jogando futebol de mesa.
Rádio Difusora - Caxias do Sul
O Noroeste, cujo presidente Jairo de Oliveira também era radialista e participava com o pessoal da Rádio Difusora levou os irmãos Valiatti, Paulo e Carlos, José Machado, Oswaldo Costa e Oswalter Soares Borges para ocuparem a sede social do clube onde duas mesas estavam locadas à disposição dos botonistas.
Sede do Noroeste

Botonistas do Noroeste
Havia ainda núcleos no Pombal, Flamengo e Juventus. Mas o número de botonistas era reduzido e acabaram migrando para as disputas da Liga, que funcionava no Edifício Martinato, no centro da cidade.
Juventus - Caxias do Sul
 No início dos anos setenta, novos botonistas foram aparecendo: Luiz Ernesto Pizzamiglio, Marcos Fúlvio de Lucena Barbosa, Luiz Veronese Mascia, Adaljano Tadeu Cruz Barreto, Adalberon Cruz Barreto, Mário de Sá Mourão, José Domingos Susin, Celso Triches e tivemos a alegria do retorno do Marcos Zeni e Roberto Grazziotin.
Foto dos participantes da LCFM nos anos 70
Realmente, foi difícil perder grandes botonistas na migração de uma regra para outra, mas a compensação veio através de tantos nomes que encheram de glória a história do futebol de mesa caxiense.
O regresso de nossa aventura a Canguçu - um time de heróis

Até a semana que vem, se Deus assim permitir.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

AS AGREMIAÇÕES QUE INICIARAM ATIVIDADES COM A REGRA BRASILEIRA

A Regra Brasileira ganhou força na Bahia e no Rio Grande do Sul. Pela influência baiana, o nordeste foi aumentando o rol de entidades que passaram a disputar no novo modelo botonístico. Destaque para Sergipe, Paraíba e Pernambuco que, junto com os baianos, foram os estados que estiveram presentes no primeiro brasileiro.
No sul do país, a cidade de Caxias do Sul foi o embrião. Com o tempo, alguns abnegados, residentes em outras cidades, aderiram à Regra Brasileira. Com o deslocamento de Vicente Sacco Netto para Canguçú, foi formada uma frente no sul do estado, a qual se tornou muito forte e persiste até os dias atuais. Na capital do estado ganhou força quando Claudio Schemes a levou para o S. C. Internacional. Foi o início de um trabalho que rendeu inúmeros frutos e com a criação de várias entidades que abrigam a Regra Brasileira com intensidade, local onde predominava a Regra Gaúcha e depois a Unificada, de Enio Seibert.
Claudio Schemes
O Rio de Janeiro aderiu de imediato através de Getúlio Reis de Faria. Sua entidade, em Vila Isabel, perto do Colégio Martins, atraiu o professor e diretor do Colégio ao futebol de mesa. Antônio Carlos Martins passou a jogar com a turma do Getúlio e, com eles, alguns professores do referido curso como Luiz Antônio Dias Guimarães que jogava com uma Portuguesa. Além deles, o Getúlio formava uma plêiade de meninos que, junto a seus dois filhos, enalteciam e dignificavam o futebol de mesa. Um remanescente desse grupo é o nosso conhecido amigo Wanner, que continua a brilhar nas mesas cariocas.
Três Pilares do Rio: Pedro , Claudio e Wanner
 O Rio de Janeiro participou do primeiro brasileiro com os seguintes botonistas: Adelson Albuquerque, João Paulo Mury, Paulo Granja, Paulo Henrique e Antônio Carlos Martins. Jogavam com seus botões de galalite, bem menores do que os padronizados, fabricados na Bahia. Pouco tempo depois, João Paulo Mury, que praticava a Regra carioca, aderiu à Regra de três Toques e ajudou a fundar uma Confederação Brasileira de Futebol de Mesa, (sem lastro jurídico) que abrigava essa regra. Juntou-se a ele o Hélio Nogueira, que já havia participado da Regra Brasileira com sucesso, tendo participado no segundo campeonato brasileiro realizado em Recife.
Hélio Nogueira jogando contra Oldemar Seixas com arbitragem de Sambaquy
Campeonato Brasileiro de 1979 - Vitória - ES
Martins, entretanto continuava a jogar na Regra Brasileira e foi o vencedor do brasileiro realizado em Caxias do Sul, o que incentivou sobremaneira a modalidade na cidade. O troféu ficava na entrada da sala da diretoria da escola Curso Martins, atraindo muitos botonistas como os irmãos Szpiro (David e Arnaldo), Fernando Antônio Lamas Flores, Augusto (com quem joguei em 27.1.80) no campeonato brasileiro realizado em Pelotas; Hélio Nogueira e Júlio César Albuquerque Nogueira, o qual conseguiu alguns títulos brasileiros.
Sambaquy, Ivan lima, João Paulo Mury, e Oldemar Seixas em Salvador 1970
Sergipe sempre foi uma força atuante na Regra Brasileira. Não foi à toa que, já no primeiro brasileiro, os nomes de Átila de Menezes Lisa e José Marcelo Freire Farias figuraram como campeão e vice. No segundo foram 3º e 4º colocados, atrás de Roberto Dartanhã Costa Mello e Claudelino Cezar Zama, baianos que disputaram o título. Em 1979, surgiu José Inácio dos Santos como campeão e Átila como vice. Em 1981, Antônio Hernanes D’Ávila ficou com o vice-campeonato na cidade de Brusque. Em 1983, José Ediberto Bastos Santos conquistou mais um vice-campeonato para Sergipe, em casa.
Atila Lisa - 1º Campeão Brasileiro
Pernambuco conquistou, com méritos, o título de campeão por equipes no segundo campeonato realizado. A figura de Ivan Lima, radialista, amante do futebol de mesa que jogava com o Galícia era o mentor maior do movimento pernambucano. Somente em 1993, novamente em Recife, tivemos um nome figurando como vice-campeão: Nilo Tadeu Nunes. Em 1994, em Natal, Paulo José Machado conseguiu se classificar em terceiro. O movimento continua e, agora, em evolução graças à divulgação de Sérgio Travassos.
1971 - entrega do diploma a Ivan Lima feita por Manoel Nerivaldo Lopes - LGFM
(Guarabira - Paraíba)
Alagoas, Rio Grande do Norte, Paraíba eram participantes nos primeiros anos, pois marcavam presenças em diversos campeonatos realizados. Dos três, quem mais progrediu foi o Rio Grande do Norte, onde grandes nomes estão aparecendo para a glória de nosso esporte. Nem todos iniciaram como pioneiros. Foram se agregando ao longo do tempo e se tornando pilares à sustentação de nosso esporte no contexto nacional.
A alegria de ver nomes consagrados no futebol de mesa, mesclados com antigos botonistas faz com que a certeza de nossa luta sempre será levada adiante, diferente de outros movimentos do mesmo futebol de mesa, mas que sofrem com a falta de continuidade, como a própria Regra de 3 Toques, que está quase adormecida e com pouquíssimos pontos de atuação em nosso território.
A festa de despedida do 1º Campeonato Brasileiro. O pessoal do Rio Grande do Sul com o pequeno grande Webber Seixas (ao centro). Feijoada no Ypiranga
Que as agremiações, apoiadoras da Regra Brasileira, continuem com força total e que novas apareçam para solidificar e mostrar que estaremos sempre no coração dos botonistas que atuam em nosso continente.
Brasileiro de 1970. Uma homenagem  aos que começaram esta caminhada


Até a semana que vem, se Deus assim permitir.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

JOGOS INESQUECÍVEIS

Cada botonista, nesse universo em que vive, deve ter uma série de jogos inesquecíveis que não saem de seu pensamento. Partidas que poderiam ser consideradas normais, mas por um fato qualquer se tornaram importantes e povoam a memória de uma maneira curiosa. Muitas, nem sequer resolveram torneios ou campeonatos, mas ficaram gravadas para sempre.



Dentre as partidas que marcaram a minha vida de botonista, devo destacar algumas especiais. A primeira foi no ano de 1963, enfrentando a Paulo Luís Duarte Fabião, pelo campeonato interno da AABB. Estávamos empatados e esse seria o jogo decisivo de quem seria o primeiro campeão abebeano caxiense. Venci o jogo por 2 x1, com gols dos botões 11 e 3.
Partida contra Paulo Fabião, quando recebi meu  1º troféu em 1963
No dia 13 de junho de 1965, joguei contra Lenine Macedo de Souza, então presidente da Federação Riograndense de Futebol de Mesa e que, ao se apresentar, disse ostentar o título de campeão brasileiro. Perdi esse jogo por 1 x 2, tendo o botão 9 marcado o meu gol. Foi a primeira partida jogada contra adversário que não era residente em minha cidade.
Em maio de 1966, joguei a primeira vez contra Vicente Sacco Netto e seu São Paulo. O resultado foi 1 x 1 e, novamente, o botão número 9 foi o autor do gol. Depois disso, foi o adversário que, durante o tempo que residiu em Caxias mais vezes  enfrentei ainda na Regra Gaúcha e depois na Brasileira.
Minha despedida da Regra Gaúcha foi uma partida memorável, em que enfrentei Sérgio Duro, que representava o Grêmio Porto-Alegrense, realizada no dia 28 de dezembro de 1966. Venci o jogo por 4 x 0, com gols dos botões 9, 8, 5 e 3. Dias após, estava seguindo para a Bahia para conseguir montar a Regra Brasileira com mais cinco amigos.
No regresso, depois de perder muitos jogos para amigos baianos, vim preparado e, na disputa do Torneio Inicio da AABB, de 1967, jogando na Regra Brasileira realizei seis jogos, em 18 de fevereiro de 1967, tendo marcado quinze gols e sem levar nenhum. Joguei contra Vicente Sacco Netto, Sérgio Calegari, Sylvio Puccinelli, Rubens Schumacher, Raymundo Vasques e Rubem Bergmann. Foi um feito memorável para mim, pois intimidei meus adversários, venci o Torneio e recebi um lindo troféu.
Em 20 de dezembro de 1967 foi promovida, pelo Sindicato dos Bancários de Caxias do Sul, a Primeira Olimpíada Bancária. No futebol de mesa, venci a todos os meus adversários e fiz a final contra Sylvio Puccinelli, a quem venci por 3 x1, com gols dos botões 5, 8 e 11. Um lindo troféu comemorativo me foi entregue pelo presidente do Sindicato, colega Dauro Brandão de Mello.

Em 5 de maio de 1969, recebi a visita do amigo Valdir Szeckir, de Porto Alegre, com quem joguei duas partidas. Perdi uma por 2 x 3 e venci outra por 2 x 1, com gols dos botões 4 e 8 na primeira e dois do número 9, na segunda.
Valdir renato Szeckrir
Em 20 de novembro de 1969, o visitante veio de mais longe. Era Ivan Lima, de Recife, que de passagem por nossa cidade, participou de um Torneio Caxias x Recife, com a participação de Jorge Compagnoni e Airton Dalla Rosa. Venci-o por  4 x 3, com três gols do número 9 e um do 10. Estava me preparando para o primeiro campeonato brasileiro que seria realizado em janeiro de 1970, em Salvador (Bahia).
No dia 10 de janeiro de 1970, fiz a minha primeira partida em certames nacionais. Enfrentei a sergipano José Inácio dos Santos e nosso jogo terminou empatado em 1 x 1, com o meu gol marcado pelo botão 10.
No regresso realizei a mais importante partida, até então. Em 10 de fevereiro de 1970, contra o Almir Manfredini, vencendo-o por 5 x 4 conquistei o meu primeiro e único título de Campeão Caxiense. Os gols foram marcados pelos botões números 7, 8, 9, e mais dois pelo número 7, nessa ordem.
Em agosto de 1971, por ocasião do segundo Campeonato Brasileiro, realizado em Recife, tive duas partidas inesquecíveis. A primeira, enfrentando o meu irmão Oldemar Seixas; o placar marcava 1 x 2 favorável ao meu adversário. Quase no final da partida, consegui colocar uma bola difícil de ser tirada pelo Oldemar. Quando ele se preparava para fazer sua jogada, soou o final do jogo. Eu não havia solicitado que ele colocasse, pois era a vez dele jogar. Para mim, o jogo terminara e estendi a mão para cumprimentá-lo, quando o árbitro Antônio Pinto, pernambucano disse que o jogo não havia terminado. Havia o interesse de Pernambuco em que a Bahia perdesse pontos, pois estavam lutando passo a passo pela liderança do certame por equipes. O Oldemar ficou pálido, até pensei que fosse desmaiar, pois eu estava pronto para fazer o gol de empate, caso ele errasse a jogada. Isso afetou seu estado nervoso e ele errou. Solicitei que arrumasse o seu goleiro, pois iria chutar. Naquele momento, pensei comigo: o que adianta fazer esse gol e perder um grande amigo, pois está havendo má fé por parte do árbitro, querendo prejudicá-lo. Bati forte e a bolinha passou por cima do travessão. O gol marcado foi pelo número 9.
O segundo jogo foi contra o meu colega bancário Manoel Nerivaldo Lopes. Uma pessoa finíssima, que jogava pela Liga Guarabirense de Futebol de Mesa, cidade da Paraíba. Realizamos um jogo maravilhoso e o empate de 1 x 1 premiou nossos esforços. O gol foi obra do botão 7.
Nesse campeonato, teve uma terceira partida que ficou marcada em minha memória. Foi a final entre Roberto Dartanhã Costa Mello e Cezar Aureliano Zama. Fui o árbitro escolhido para dirigi-la. Foi um jogo esplêndido, com dois botonistas jogando de unha, sem que houvesse erro algum. Foi uma partida que só poderia ser decidida por alguma falha ocasional, independente da vontade dos dois disputantes. E assim foi, pois Dartanhã constrói uma jogada para chutar ao gol, mas que seria facilmente defendida pelo Cesar Zama. Acontece que o botão impulsionado pelo Cézar, em seu trajeto em direção à bolinha, trava a alguns centímetros da mesma. Implacável, Dartanhã chuta e marca, sagrando-se campeão brasileiro de 1971.
No dia 20 de junho de 1973, aconteceu o fato mais esdrúxulo na minha vida de botonista. Jogava contra Mário de Sá Mourão. Nesse jogo eu marquei cinco gols e perdi, pois consegui a proeza de marcar três gols contra. Os gols válidos para mim foram marcados pelos números 7 e 10. Os outros três foram rebatidas que voltaram e entraram em minha meta. Acredito que foi a única vitória do Sá Mourão, apelidado pelos baianos de Turista do Futebol de Mesa.
Na cidade de Brusque, eu consegui realizar boas partidas e fui campeão por três vezes. A partida que nunca saiu de minha cabeça foi quando venci o último campeonato, em 4 de janeiro de 1979. O campeonato era ainda pelo ano de 1978. Jogava contra Márcio José Jorge, que havia sido campeão em 1977. Venci o jogo por 2 x 0, com gols do Valdomiro, número 7. O primeiro gol foi uma pintura indescritível. A bolinha estava na entrada da área, quase na meia lua, e o único botão para jogar em condições era o Valdomiro que estava na lateral quase em linha reta com a bolinha. Pedi para arrumar o goleiro, pois iria chutar. Ele olhou para o botão, incrédulo, mediu e pensou, não acreditando na possibilidade de êxito. Coloquei a palheta em cima do botão e olhei fixamente para a bolinha. Quando larguei senti que iria conseguir o que desejava. E foi maravilhoso. Tocou na bolinha exatamente onde eu fixara e ela levanta e passa por cima do goleiro, aninhando-se no fundo das redes Naquele momento, eu ganhei jogo. O segundo gol foi consequência do primeiro. Foi o terceiro troféu que a Associação Brusquense destinava aos campeões; A Deusa da Vitória.
Para finalizar, falarei de um jogo que ficou marcado na memória do Marcos Fúlvio de Lucena Barbosa. No dia 28 de julho de 1973, convidados pelo Jornal do Povo, de Cachoeira do Sul, para fazer uma apresentação da Regra Brasileira naquela cidade. Conosco foram Luiz Ernesto Pizzamiglio e Airton Dalla Rosa. Sala repleta de jovens praticantes do futebol de mesa, repórteres do Jornal e autoridades municipais. Jogariam Airton e Pizzamiglio numa mesa, e Marcos Barbosa e eu na outra. Nosso jogo foi amplamente dominado pelo Marcos e terminou o primeiro tempo 3 x 0. Eu estava mostrando como se jogava, e o Marcos estava jogando para valer. No segundo tempo, as coisas se modificaram e passei a jogar para valer e ele demonstrando. Final do jogo 4 x 3 para mim. Gols dos botões 6, 9,8 e 3. Não lembrava mais desse resultado, até nosso encontro por ocasião do Centro Sul, em Caxias, quando o Marcos narrou o jogo inteiro pra mim. Ele nunca esqueceu esse jogo, apesar de termos feito inúmeras partidas.
Contra Marcos Barbosa - a partida que ele nunca esquece
35 anos depois Sambaquy X Barbosa no Centro Sul de Caxias do Sul
Até a semana que vem, se Deus permitir.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

COMPRA, VENDA E DOAÇÃO DE TIMES DE FUTEBOL DE MESA

Ao tomar conhecimento da intenção do amigo Ricardo Gothe de se desfazer de sua Lazio, que tantas alegrias lhe tem concedido nas mesas em favor de seu time do coração Bayern de Munique, pensei sobre quantos times passaram pelas minhas mãos nesse longo período de atividade.
Lazio de Gothe
Os primeiros times foram surrupiados de meu avô, que morava conosco. Ele deve ter me perdoado, se algum dia descobriu as minhas artimanhas. Mas, eram botões que, naquela época, preenchiam a finalidade precípua a que me dispunha.
Os botões que iniciaram a caminhada
Time do Racing
Depois surgiram os puxadores e, com eles, os times mais perfeitos do que os botões de jaqueta, casacos e sobretudos. Para montar um time de puxadores era necessário garimpar bastante e encontrar o botão ideal para cada posição. E eu havia formado um grande plantel, com botões das mais variadas cores e um centro avante todo preto, que não perdia chute. Era o Victor, que defendera o Flamengo caxiense e depois o Grêmio Porto Alegrense.
Casa Saldanha (livraria onde comprávamos os botões em Caxias)
Foi então que surgiram os botões baianos, padronizados, obedecendo às cores tradicionais do clube representado. Eu havia ganhado de presente do Oldemar Seixas uma Seleção Brasileira e estava praticando com ela, esperando a chegada de meu G. E. Flamengo, encomendado ao mago baiano, Sr. José Aurélio. Nessa época ainda disputávamos o final do campeonato de 1966, na AABB, e como demoravam pra chegar as encomendas da Bahia, jogávamos nos despedindo da Regra Gaúcha. O falecido Deodatto Maggi, que namorava o meu time há muito tempo, perguntou se eu iria jogar somente na Regra Brasileira. Disse que sim, afinal fora um dos seus criadores e pretendia que ela se alastrasse pelo nosso estado, quando poderíamos conviver e jogar com outros botonistas de nosso país. Então, sem cerimônias, perguntou se eu venderia meu time para ele. Respondi-lhe que dependia da oferta. Ele não se fez de rogado e me ofereceu o mesmo valor de um time completo, confeccionado na Bahia. Não pude resistir e vendi-lhe o time na hora. Poderia desta forma, pagar o meu Flamengo que estava por chegar sem ter de tirar dinheiro do bolso.
Na época, o meu irmão Vicente Sacco Netto havia me presenteado com um time preparado e lixado por ele. Eram todos os botões vermelhos com a base branca. Terminaria meus compromissos com aquele time. Acontece que eu teria de enfrentar os meus botões, pois estava marcada para o dia 26 de janeiro de 1967 uma partida contra o Deodatto.
O Deodatto jogava para tentar o bicampeonato caxiense, já que fora campeão em 1965. Só que ele só havia comprado os botões. O treinador estava com outros botões e venceu o jogo por 1 x 0, gol do ponteiro esquerdo. Tirei-lhe a chance de conseguir lutar pelo título, o qual acabou ficando com o Rubens Schumacher.
Algum tempo depois, já jogando com botões fabricados na Bahia, vi algo inédito até então. O Marcos Fúlvio de Lucena Barbosa, que jogava com o São Paulo, mandou confeccionar dois times. Um deles era todo preto com o distintivo do São Paulo no centro e o outro, tricolor com a base branca. Os dois times muito bonitos, mas o Marcos não estava contente. Conseguiu uma pessoa que, com uma ferramenta especial, cortou em forma de círculo o centro dos botões. Então ele colou o centro do time tricolor nos botões pretos e o centro preto nos botões tricolores. Valorizaram muito os dois times. Ficaram bem diferentes e muito bonitos.
Time da Regra Brasileira de Airton Dalla Rosa (anos 80)
Time da Regra Brasileira de Oldemar Seixas (anos 70)

Lindos times modernos da Regra Brasileira  (com artes maravilhosas embutidas ou sobrepostas, artes gravadas, e materiais diferenciados)
Quando eu cheguei à cidade de Brusque e fundei a Associação Brusquense, os pedidos eram feitos em quantidade. Procurei o José Castro Sturaro que fabricava botões e era aparentado com o Oldemar. O Sturaro tinha uma boa quantidade de times nordestinos confeccionados e que eram difíceis de vender. Comprei todos eles. O preço era bom e assim o pessoal que estava iniciando poderia ter um time a preço razoável. Vieram Moto Clube, Bahia, Vitória, Ceará, Clube do Remo, Paisandú, Nacional, Confiança, Velo Clube, Sampaio Correia, Santa Cruz, Náutico e Sport, além de Fluminense, Flamengo, Vasco, Botafogo, Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Portuguesa, Grêmio, Internacional, Coritiba e Juventus.
Os mais conhecidos saíram logo, mas os poucos conhecidos foram ficando encalhados. Os filhos dos associados me procuravam para comprar times e, com eles, alguns amigos que só ficavam olhando a negociação. Procurei saber quem eram eles e fui informado de que se tratava dos filhos do roupeiro do Carlos Renaux, um clube de futebol da cidade. Não teriam condições de comprar, pois o salário de roupeiro de um time de uma cidade do interior de Santa Catarina era irrisório. Então chamei os dois meninos e perguntei se eles gostariam de jogar com os demais. Os dois disseram que sim e confessaram que haviam pedido dinheiro ao pai, mas ele não podia dar, pois faltaria para outras necessidades da família. Sendo assim, doei-lhes times do Velo Clube e do Sampaio Correia. A felicidade estampada nos rostos daqueles meninos foi a paga suficiente.
Nunca fui de negar a qualquer interessado um time de botão. O time com o qual fui campeão caxiense, que havia comprado de Miguel Silva, um baiano que me visitou em Caxias, doei ao filho de uma prima. O Inter, que foi o sétimo colocado no Brasileiro de Vitória doei ao filho de um amigo médico de Brusque. Assim como ganhava times de presente eu também presenteava as pessoas. Afinal, esta era uma maneira de divulgar o nosso esporte e fazer as pessoas se interessarem por ele. Nem sempre dá certo, mas a tentativa é válida.
Na regra de 12 toques, eu possuía diversos times que havia recebido de presente e, também, comprado em São Paulo. Só que o foi na década de oitenta e estavam desatualizados nos padrões atuais. Eram menores do que os atuais. Foi então que o presidente do Atlântico Sul me entregou um Barcelona, pois assim eu teria mais chances de fazer frente a eles. E, de fato, adaptei-me a esse time de uma maneira maravilhosa. Já comprei quatro times: Inter ( campeão da Libertadores de 2006), Inter (campeão do Mundial de 2006), G. E. Flamengo e Ferroviária, de Araraquara, mas não me adaptei com nenhum deles. Só consigo jogar mesmo é com o Barcelona, apesar de saber que o fabricante dos demais é o mesmo.
Botões da regra 12 Toques
Na minha coleção tenho times da Regra Brasileira, Gaúcha, Unificada, 12 Toques, 3 Toques, Botãobol, Fogo Tebei, de vidrilha. Já tive botões de osso e de coco e um time que recebi de presente de Sérgio Duro, um campeão da Regra Gaúcha, com botões especialmente lixados que coloquei em quadros para expor na sede da Associação Brusquense. Só que ladrões conseguiram entrar na sede e roubaram tudo. Roubaram inclusive um quadro onde estava a camisa e o time com a foto de um associado que havia falecido em um acidente de motocicleta. Infelizmente nada foi respeitado. Tivemos de reforçar as janelas e a porta, afinal possuíamos sete mesas em ótimas condições. Se voltassem poderiam danificá-las.
Nos anos oitenta, quando permaneci em São Paulo por um mês, fazendo um curso pelo Banco do Brasil, o presidente da Federação Paulista me entregou uns trinta times de vidrilhas, na tentativa de promover a regra por aqui. Trouxe comigo e distribuí todos eles com a garotada que morava perto de minha casa no Jardim Maluche. Eles realizavam campeonatos e se divertiam bastante. Construía mesas para a regra de 12 toques com aglomerados e distribuía para os meninos, juntamente com os times de vidrilhas. Muita gente jogou botão por causa disso e, até hoje, quando encontram meu filho pela cidade comentam o fato com ele.
Botões do Inter em Vidrilha

Que o feliz comprador da Lazio do amigo Ricardo Gothe tenha tantas alegrias como ele teve, pois foi um time que conseguiu vários troféus para a sua galeria.

Fotos de mais tipos de Botões:
Botões de chifres
Botões de Coco
Botões de Resina


Até a semana que vem, se Deus assim permitir.