Como todo gaúcho, meus primeiros
times eram super coloridos. Um botão de cada cor, com uma, duas e até três
camadas, em cores que nada representavam o meu time defendido em campo. Como já
afirmei, anteriormente, tinha Grêmio cheio de botões vermelhos, verdes e
amarelos e Internacional com botões azuis, pretos ou roxos.
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| Botões que iniciaram a caminhada |
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| Primeiros times formados, na década de quarenta |
A maior dificuldade era para quem
assistia aos jogos. Muitas vezes, em jogos pelo campeonato da AABB, quando
recebíamos a visita de inúmeros colegas, pairava a dúvida sobre o botão que
efetuaria a jogada, pois a mínima diferença que os distinguia era a numeração,
geralmente produzida por números recortados de calendários. Muitas vezes, o
mesmo era utilizado pelos dois adversários, o que ocasionava a grande
dificuldade de entender o jogo.
Eu sempre admirei times
padronizados, pois havia recebido de presente, de um tio que residia em Porto Alegre , um
Corinthians de baquelite, todo branco, com o distintivo impresso na parte
superior. Já, naquele tempo, eu achava possível formar times de cores idênticas
e eu mesmo formei o meu primeiro G. E. Flamengo, com botões azuis, com uma
camada vermelha e outra branca. Um desses exemplares está guardado no quadro de
campeões caxienses, quando consegui me sagrar com o laurel máximo da cidade.
Coloquei o botão para mostrar a minha conquista e está lá até hoje. Depois tive
um time fabricado pelo meu irmão Vicente Sacco Netto, que era vermelho na parte
de cima e branco em baixo.
Mas, como todo o gaúcho, jogava
com um time miscelânea, no qual havia botões roxos, verdes, azuis, pretos,
amarelos e vermelhos. E era um time cobiçado por muitos botonistas caxienses,
tanto que no último campeonato realizado na regra gaúcha, o Deodatto Maggi fez
uma oferta imperdível por ele. Daria o valor idêntico a um time fabricado na
Bahia. Vendi o time na hora e continuei o campeonato com o time padronizado:
vermelho e branco. E, para ilustrar melhor a narrativa, venci o jogo contra o
Deodatto, ele jogando com os meus antigos botões.
Com a chegada dos baianos e com a
demonstração que fizeram da regra utilizada até então, na Boa Terra, muitos foram
os que migraram para a nova maneira de praticar o futebol de mesa. Acredito
mesmo que esse foi um fator importante para a aceitação da Regra Brasileira,
que acabara de sair do forno, entregue a todos os recantos do nosso estado.
Agora, a partida de futebol de
mesa na AABB e nos demais clubes de Caxias era facilmente entendida por quem
estava assistindo aos jogos. E com isso, muitos foram aderindo ao futebol de
mesa. Queriam representar o seu time do coração e poder ostentar aquelas fichas
marcadas com o distintivo que mais lhe agradava. Foi uma febre que alavancou o
movimento do futebol de mesa em seus primeiros anos.
Juventude, Flamengo,
Internacional, Grêmio, Vitoriense, Vasco, Fluminense, São Paulo, Palmeiras,
Corinthians, Cruzeiro, Cruzeiro Novo (uma moeda que surgiu nos anos sessenta e
que serviu de motivo para a criação do time), Corinthians, Botafogo, Ponte
Preta, Santos, Santa Cruz foram sendo desenhados e encomendados ao senhor José
Aurélio, na Bahia. Os times demoravam a chegar, mas, já na primeira semana
estavam nas mesas que agora se multiplicavam na cidade de Caxias.
Entretanto, os times
multicoloridos continuaram na prática do futebol de mesa, tanto na regra Gaúcha
como na Unificada e na Regra Toque-Toque. Essa usada na FIB (Federação Ipanema
de Botão) de Porto Alegre, e as outras duas espalhadas por diversas agremiações
do Rio Grande do Sul.
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Regra Toque toque, da
Federação Ipanema F.M. - Porto Alegre
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Regra Toque toque - FIB de
Porto Alegre
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| Regra Toque toque - time postado para foto |
Atualmente, com a facilidade de
se conseguir emblemas autocolantes fica um pouco mais definido o time, deixando
os assistentes mais atentos às jogadas. Mas, o futebol de mesa é algo que
consegue fazer com que todos os seus praticantes se motivem e consigam
transferir para os seus botões a sua emotividade. E, em todos os recantos onde
havia uma mesa, poderemos escutar gritos frenéticos de gol em vibrações que
chegam a beirar à loucura. Por vezes, é extravasamento que o botonista guarda
em sua labuta e que, naquele momento, podem ser liberados com vigor e
exuberância.
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| Botões da Regra 12 Toques padronizados |
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| Botões Inter de Paulo Jiquia, na Regra Pernambucana |
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INTER (RS) BOTÕES REGRA
PERNAMBUCANA.
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Por essa razão, o futebol de mesa
é alguma coisa indescritível para quem não o conhece.
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| Meu time do Internacional que atuei em 2012 no Brasileiro da Bahia |
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| Em ação... Tentando jogar em Salvador |
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| Em Porto Alegre 23.03.14 |
Até a semana que vem, se Deus
assim permitir.







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