segunda-feira, 4 de abril de 2011

UM MÉDICO, ESCRITOR E JORNALISTA QUE JOGOU FUTEBOL DE MESA.


Eu sempre procurei escrever sobre as minhas experiências vividas no futebol de mesa. Em cada uma delas, sempre são citados os nomes dos parceiros, que comigo disputavam as partidas. Por isso, deixei de nominar muita gente importante que praticou, pratica ou vai praticar o futebol de botões. Deixei de falar de artistas, cantores, humoristas, desenhistas, que, nesse país praticam o nosso esporte, mas, hoje não vou me furtar em citar um nome respeitável, que admiro de longa data: Dr. Francisco Michielin.

Conheço o Chico desde a época em que ele ganha seu primeiro time de botões. Menino de calças curtas, estudante do Colégio do Carmo, e, que morava há umas três ou quatro quadras de minha casa. Foi na casa de um quase vizinho do Chico, que eu fui apresentado ao futebol de botões.

Foi na casa do falecido Décio Viana, funcionário antigo do Banco do Brasil, quando seu filho Marco Antonio promovia um campeonato, que eu tomei conhecimento desse esporte, o qual nunca mais me abandonou.

Pois bem, como leitor assíduo do Chico, pois tenho algumas de suas obras: Assim na Terra como no Céu, que recebi de suas mãos, em seu consultório, em 02.02.2001, com uma dedicatória; A Primeira Vez do Brasil, que minha querida neta Patrícia me enviou, ainda acompanhava todas as suas deliciosas crônicas semanais. Tenho-as, inclusive, encadernadas. E folheando essa encadernação, encontro uma crônica, escrita em 19 de agosto de 2005, a qual passo a transcrever, pela beleza do texto e a confissão dessa paixão:

MEU PRIMEIRO TIME DE BOTÃO.

“Teria eu, sei lá, cinco ou seis anos, talvez sete, qualquer coisa por ai, mas não mais.

Entre os grandes entretenimentos daqueles tempos, bola de meia na calçada, quando muito de borracha e excepcionalmente, de couro, mas isso já é falar de coisa raríssima.

E por analogia, a sua extensão correspondia à mesa de botão.

Os botões serviam como nossos craques e eram assim chamados, porque, no princípio e por largo período, não passavam mesmo de botões, geralmente os maiores e mais maçudos, arrancados de nossos casacos ou, então, em último caso, comprados nas lojas de miudezas, mas a preço nada atraente para nossos parcos tostões.

Tratava-se, sem dúvida, de uma das grandes diversões da época, dando, para nossas mães, a certeza de que andávamos bem próximos, em alguma casa da vizinhança, pois costumávamos revezar os campos de batalhas, apresentando-nos, alternadamente, em diferentes locais, que, para nós, tinha o mesmo gosto de excursionar para plagas inimigas e enfrentar estádios hostis, cujas vitórias, quando conquistadas, alcançavam o valor inestimável de uma memorável proeza.

Meu primeiro time de botão, o Juventude, bi-campeão da cidade, nos anos de 49-50, com um “timaço” que até quem não era “papo” declamava de cor, pois sua escalação tinha uma rima poética, confira só:

Casara, Borta e Pipinha; Marcon, Anatólio e Brito; Canelinha, Pulim, Homero,Margarida e Lory.

Era um esquadrão imbatível, o supremo dono da cidade, uma verdadeira máquina.

Fiquei me lembrando dessas coisas, ao cair da tarde de domingo, quando o Alfredo Jaconi calou sua agitação e por um minuto, em silêncio, prestou sua derradeira homenagem a um dos grandes ídolos que vestiu a camisa verde e branca.

Morreu o insubstituível ponteiro-direito Canelinha, mais uma baixa para o meu antigo time de botão.

Uma perda irreparável.

E outro gol contra as memórias de minha infância.”

Pela beleza da crônica, pela personificação de seu ponteiro-direito Canelinha, grande pessoa humana, cheio de virtudes e um grande amigo também, a crônica me emocionou a ponto de lágrimas teimosas rolarem, molhando a minha barba já embranquecida.

Há questão de um ano, ou pouco mais, em um site de ofertas de times de botão, encontrei um Juventude, Campeão da Copa do Brasil. Mandei buscar e, enviei ao querido amigo Chico. Recebi dele um e-mail agradecido, dizendo que iria colocar junto com os demais presentes, debaixo da árvore de Natal, e com isso, voltaria a ser aquele menino de sete anos. Fiquei feliz por ter retribuído aquele gesto tão amigo, que recebi naquele distante dia dois de fevereiro de 2001.

Obrigado meu amigo Chico, valeu ler todas as suas crônicas no Pioneiro, o qual deixou de ser o mesmo, depois que paraste de escrever.

Semana que vem, mais um episódio dessa coluna.

Sambaquy.

segunda-feira, 28 de março de 2011

S. O. S. – OLDEMAR SEIXAS.


Meus amigos botonistas, hoje vou tratar de um assunto deveras delicado. Para início de conversa, apresento para quem nunca escutou o nome, Oldemar Seixas, baiano, 75 anos de idade, radialista e um dos pais da Regra Brasileira de Futebol de Mesa. Na década de sessenta e setenta, foi o maior divulgador do futebol de mesa no nordeste e centro do país. Partiu dele a reportagem que a antiga Revista do Esporte publicou, com o título BAHIA DÁ LIÇÕES DE FUTEBOL DE BOTÃO, o que acabou desencadeando o movimento de 1967, para a criação da Regra, que hoje praticamos. Sua atuação, escrevendo para a Revista do Esporte, do Rio de Janeiro, Futebol e outros Esportes, de São Paulo, e sua coluna semanal no Jornal A Tarde, de Salvador, ajudaram a divulgar e desenvolver o nosso esporte. Sua atividade principal seria sempre o Rádio, onde desempenhou as funções de locutor esportivo, narrando jogos, comentando-os, participando de mesas redondas esportivas. Mas, a sua menina dos olhos foi o Programa que criou BAHIA, CAMPEÃO DOS CAMPEÕES. Diariamente estava ele, com uma equipe de ajudantes, por uma hora inteira, divulgando os feitos do seu Bahia. Seu dia-a-dia, suas novidades, suas contratações, enfim, tornou-se porta voz do clube, junto aos milhares de torcedores do tricolor baiano. E isso perdurou por longos 34 anos.

O programa era locado na Rádio Cristal e o clube pagava o aluguel do horário. Oldemar e sua equipe sobreviviam dos patrocínios de torcedores baianos, que o ajudavam, pagando para divulgar seus produtos.

Segundo suas palavras, no ano de 2009, o clube começou a atrasar significativamente os pagamentos, por vezes parcelando-os, e, finalmente deixando de efetuá-los. Isso fez com que a empresa radiofônica retirasse o programa do ar. Terminou o ano e o programa deixou de existir.

Imaginem a situação de nosso amigo. Sem programa não teria como requisitar patrocinadores e assim a sua vida, depois de 34 anos plena e radiante, virou um caos total.

Em todos esses 34 anos, como navegasse em mar tranqüilo, Oldemar jamais se preocupou em recolher sua contribuição ao INSS. Jamais imaginaria que àquele que, tanto amor recebia desse torcedor, acabasse sendo traído vilmente. Mas, a vida é assim mesmo. O mar tranqüilo virou mar revolto. As contas avolumando-se em sua porta. Os amigos, salvo alguns gatos pingados, desapareceram totalmente. Afinal sua voz não era mais escutada, suas mensagens deixaram de existir. Poucos ficaram ao seu lado. Eu sou um deles,e durante o ano de 2010, enviei em oito oportunidades, valores para ajudá-lo a quitar as contas mais prementes, como aluguel, comida, remédios. Mas, a situação está piorando. Oldemar conseguiu, pela sua idade avançada (75 anos) uma aposentadoria especial do INSS, no valor de um salário mínimo. Digam-me se uma pessoa, com esposa e filha, pode sobreviver com um salário mínimo mensal. Acredito que só na farmácia deva gastar tudo. Seus aluguéis estão atrasados, há credores batendo em sua porta a todo instante, e os seus amigos que o ajudam estão no limite.

Trouxe essa questão para dividir com vocês, botonistas brasileiros. Todos nós devemos muito ao Oldemar, pois a sua divulgação do futebol de mesa ajudou a derrubar barreiras, e unir pessoas em todo o território nacional. Não sei se estou fazendo o correto, pois sempre defendi a máxima que diz: Não dê o peixe, ensine a pessoa a pescar. Só sei que a situação está desesperadora, e o desespero faz com que se cometam loucuras. Gostaria de evitar que isso acontecesse e por essa razão estou trazendo o assunto, tentando motivar as pessoas que gostam do futebol de mesa a ajudarem-no. Não há valores estipulados. Acredito que o que for conseguido, será bem recebido. Se por felicidade, conseguirmos ajudá-lo a resgatar suas dívidas, quem sabe o seu ânimo melhore, e, ele próprio encontre a saída definitiva para seguir sua jornada. Eu tenho feito a minha parte, mas devido a uma cirurgia que minha esposa estará realizando no início de abril, para a qual não há cobertura de meu plano, estarei impossibilitado de continuar ajudando-o. Mas sinto em cada telefonema o seu tom de voz, antes tão altivo e sonoro, diminuir, tornar-se lacônico e desesperado. Se o apelo tocar em seus corações, entrem em contato comigo, que eu forneço os dados bancários para que possamos ajudar a levantar esse botonista, que é uma bandeira nacional do futebol de mesa. Meu e-mail é asambaquy@terra.com.br. Lembrem-se que quem dá aos pobres e desesperados empresta a Deus. Um pouco de cada um poderia ajudar a levantar um amigo que nos ajudou a iniciar a caminhada em torno das mesas que amamos, pois foi ele um dos principais organizadores do primeiro campeonato brasileiro de futebol de mesa, realizado em Salvador em 1970.

Que Deus olhe por nós todos, enquanto pensamos no assunto.

Sambaquy.

segunda-feira, 21 de março de 2011

PORQUE EU SOU INTERNACIONAL.


Muitas vezes fui perguntado por que motivo eu comecei a minha carreira de botonista jogando com o G. E. Flamengo, e, hoje jogo com o S. C. Internacional. Afinal, meus primeiros troféus foram conquistados com as três cores do tradicional clube caxiense e entre elas a grande conquista que obtive em 1969: Campeão Caxiense de Futebol de Mesa, entrando para um seleto clube de botonistas de minha cidade.


Bem, o motivo dessa mudança aconteceu após ter vencido o campeonato de Caxias, com o meu G. E. Flamengo. E eu consegui o G. E. Flamengo depois que o Marcos Lisboa abandonou a disputa, com a mudança da regra gaúcha para a regra brasileira, a qual não havia se adaptado. Portanto, quando eu consegui o campeonato da cidade era a terceira vez que o Flamengo erguia o troféu de campeão em Caxias, quando o nosso tradicional adversário nunca havia conseguido tal feito.


Por essa razão, e em virtude de compromissos que estávamos assumindo em disputas de torneios fora da cidade, e também do estado do Rio Grande do Sul, solicitei ao Departamento de Futebol do Grêmio Esportivo Flamengo, uma camisa oficial. A mesma seria honrada e mostrada pelo país afora, em disputas de torneios oficiais de futebol de mesa.


A resposta foi uma grande decepção. NÃO TEMOS CAMISAS DISPONÍVEIS.


A minha decepção foi enorme a ponto de meu amigo, conselheiro do Flamengo, Helio Gomes Pinheiro Machado, me entregar uma camisa que estava em sua coleção e que era famosa, pois foi usada na exitosa excursão que o G. E. Flamengo fez pela Argentina, voltando com a faixa azul, invicto. Fiquei agradecido ao Hélio e conservo essa camisa, com a mesma devoção que ele teria, pois é um manto sagrado do clube que amamos. Mas, a mágoa persistia contra o departamento de futebol do meu clube do coração.


Em 1971, Flamengo e Juventude fazem uma fusão e criam a Sociedade Caxias do Sul de Futebol, nas cores branca e preta.


Meu clube deixava de existir.


O Caxias contrata Celso Tadeu Carpegiani, o popular Borjão. Ele é meu colega de Banco do Brasil e passa a trabalhar na agência, na Praça Ruy Barbosa, onde eu era Caixa Executivo.


Nessa época, como sempre gostei de esporte, acompanhava com interesse o campeonato gaúcho, e estava extasiado com o time do S. C. Internacional. O clube do povo do Rio Grande do Sul estava começando uma era de conquistas, e para isso trazia de sua base os principais jogadores, que compunham o seu elenco. E dentre eles, o irmão de Borjão. Paulo César Carpegiani era o número 10, daquela máquina de jogar futebol.


Um dia, atendo um rapaz, acompanhado de sua esposa. Queria falar com o Celso. Como também tenho Celso em meu nome, perguntei o sobrenome. Carpegiani. Então falei: o Borjão? – Sim, falou ele.


Virei-me e chamei o Borjão que veio atender ao seu irmão, em frente ao meu caixa. Apresentou-me, dizendo: Esse é o meu irmão Paulo Cesar que joga no Inter.


Apressei-me em cumprimentá-lo e, ousadamente fiz a colocação: - Paulo César, eu jogo futebol de mesa e gostaria de poder ter a camisa do Inter, pois meu time é o Internacional.


Ele disse que disponibilizaria uma e que esperasse. Fiquei feliz com o episódio e o tempo foi passando, até que em determinado dia haveria o jogo Caxias x Inter. O jogo foi em Porto Alegre e eu escutando no radio de meu carro, vibrava com cada jogada dessa dupla de irmãos, que afinal eram meus amigos. Não lembro o resultado do jogo, pois ao final dele, escutei emocionado, a descrição feita pelo repórter: - Meus amigos vejam que coisa emocionante: - Paulo Cesar está tirando sua camisa e entregando ao seu irmão Borjão. Confesso que fiquei paralisado e com lágrimas nos olhos. Será que ela viria para mim? Afinal eu havia solicitado e ele dissera que sim...


No dia seguinte, quando cheguei ao Banco, ansioso por encontrar o Borjão, recebo a boa noticia. Tua camisa está em minha casa. Mandei a minha esposa lavar e vou trazê-la, perfumadinha, para você.


Foi o dia determinante em minha vida, pois ela é o troféu mais valioso de minha galeria, com o detalhe que nunca poderá passar despercebido: cada camisa doada pelos jogadores, naquela época, era descontada de seu salário. Desde aquele longínquo ano de 1973, até o último dia de minha vida, sou Internacional e, meu número 10 será sempre o maior craque que eu vi jogar: Paulo Cesar Carpeggiani.


Vibro sempre com as conquistas do Inter, mas paralelamente eu sou Paulo César. Torci por ele quando dirigiu o Paraguai, quando dirigiu diversos times pelo país e agora sou um pouco são- paulino, pois desejo que ele se dê bem.


Afinal, sempre haverá um motivo para que um clube ocupe o lugar de honra em nosso coração. Fui Flamengo até o dia que o meu esforço em representar o clube foi ignorado. Recebi, em troca, uma manifestação de confiança de uma pessoa que conheci naquele momento, e, que nunca havia me visto antes na vida. Nisso, reside à grande diferença entre a mentalidade de quem pensa grande, com a mentalidade de quem pensa minguadamente.


Por uma camisa passei a torcer por um clube de outra cidade, e nunca mais me arrependi disso.


Hoje, ainda reside em mim a simpatia pelas três cores do Caxias, mas acima dele sou Internacional. Perdoem-me os meus conterrâneos, mas, é para sempre.


Até a semana que vêm se Deus permitir.


Sambaquy.

segunda-feira, 14 de março de 2011

A VIDA COMEÇA EM 1967, NA REGRA BRASILEIRA.


Sem dúvida alguma, o ano de 1967 foi fundamental para o crescimento e desenvolvimento do futebol de mesa gaúcho. Até então, fazíamos parte do rol de entidades filiadas a Federação Riograndense de Futebol de Mesa e tínhamos, no final do ano anterior patrocinado o Campeonato Estadual em nossa cidade. Nesse mesmo evento, apresentado pelo presidente da própria Federação, foi aprovado um anteprojeto de uma nova regra, misturando a baiana com a gaúcha.

Em janeiro seguiram para a Bahia os desportistas Gilberto Ghizi, então presidente da Federação Riograndense e Adauto Celso Sambaquy, presidente da Liga Caxiense, com a finalidade de discutirem e acertarem pontos de vista sobre a nova regra. Os baianos receberam de braços abertos a iniciativa gaúcha, e sentados à mesa discutiram ponto a ponto, chegando ao final com uma Regra Brasileira, assim denominada, pois a intenção de todos era uma união nacional. Em dois dias a Regra estava impressa e foi entregue aos dois gaúchos.

Caxias do Sul, que há muito necessitava de uma injeção de ânimo, viu crescer assustadoramente o número de praticantes, enquanto a capital um sentimento de revolta tomou conta. Ghizi foi destituído da presidência da Federação e a Regra Brasileira não conseguiu êxito entre os adeptos porto-alegrenses.

Caxias passa a ser o centro estadual do futebol de mesa. Na AABB, onde o número de botonistas era oito, passou a contar com vinte e um. Os demais clubes que praticavam futebol de mesa, como o Guarany, mudaram o sistema, aderindo de pronto. Surgem então, para a alegria de todos os botonistas locais, departamentos de futebol de mesa no Vasco da Gama, Noroeste, Pombal, Juventus, Rádio Difusora, Água Negra e Industrial Madeireira. As encomendas ao José Aurélio, fabricante de botões baiano seguiam semanalmente e voltavam via Varig, para os ansiosos praticantes locais. A Rádio Difusora abre um espaço em sua programação diária para uma resenha sobre o futebol de mesa. A divulgação faz crescer o interesse geral pelo esporte dos técnicos.

Segundo a nova Regra Brasileira, o Recreio Guarany encerrou o seu primeiro campeonato interno, com a vitória de Ivan Puerari (Internacional). Os outros competidores foram: Airton Dalla Rosa (Cruzeiro), Ângelo Slomp (Corinthians), Vitório Menegotto (Flamengo), Nelson Prezzi (Penharol), Almir Manfredini (Santos) e Jorge Compagnoni (Boca Juniors).

Rudy Vieira (Bangu) venceu o Torneio Inicio no Vasco da Gama, ao vencer Boby Ghizzoni (Internacional) de forma espetacular, na final, por 8 x 3. O primeiro campeonato do Vasco da Gama teve início com nove participantes: Aldemiro Ernesto Ulian (Corinthians), Mario Ruaro Demeneghi (Botafogo), Nelson Ruaro Demeneghi (Santos), Augusto Peletti (Boca Juniors), Jonas Rissi (Pelotas), Jorge Resende (Vasco da Gama) e Sergio Salomon (Grêmio).

Na AABB realizava-se seu quinto campeonato, o primeiro na nova Regra. Estavam lutando pelo título: Rubens Constantino Schumacher (Fluminense), Vicente Sacco Netto (São Paulo), Rubem Bergmann (Juventude 1940), Sérgio Calegari (CR Flamengo), Roberto Cagliari Grazziotin (Pradense), Adauto Celso Sambaquy (GE Flamengo), Raymundo Antonio Rotta Vasques (Vitoriense), Sylvio Puccinelli (Vasco da Gama), Dirceu Vanazzi (Juventude) Nelson Mazzochi (Tupy), Milton Casanovas Machado (Palmeiras), Osni Freitas de Oliveira (Caxias), Walmor Medeiros (Cruzeiro Novo), Homero Abreu (Rio Grande), Paulo Luis Duarte Fabião (Pelotas), Silmar Haubrich (Taquarense), Ricardo Medeiros (Cruzeiro) e Aldo Oliveira (Grêmio). O resultado premiou ao Vasco da Gama de Sylvio Puccinelli, ficando em segundo lugar o Fluminense de Rubens Schumacher e em terceiro o São Paulo de Vicente Sacco Netto.

No dia dez de junho de 1967, na inauguração da mesa da Rádio Difusora Caxiense, um amistoso com a presença dos dois baianos: Oldemar Seixas (Ypiranga) e Ademar Carvalho (Vitória) marcou a primeira transmissão ao vivo de uma partida de futebol de mesa, em todo o país, narrada por Adelar dos Santos Neves, com comentários de Renato Monteiro. O jogo terminou empatado em 1 x 1.

O campeonato caxiense de 1967, o primeiro disputado na Regra Brasileira, foi vencido brilhantemente por Rubens Constantino Schumacher (Fluminense), técnico da AABB. Os demais botonistas que disputaram: Paulo Valiatti (Ponte Preta), Boby Ghizzoni (Internacional), Vicente Sacco Netto (São Paulo), Adauto Celso Sambaquy (GE Flamengo), Raymundo Vasques (Vitoriense), Sergio Calegari (CR Flamengo), Airton Dalla Rosa (Cruzeiro), Grêmio (Sergio Silva), Deodatto Maggi (Santos), Sylvio Puccinelli (Vasco da Gama), Paulo L. D. Fabião (Pelotas).

No ano seguinte, em 1968, na tentativa de aproximação com os botonistas da Regra Gaúcha, a Liga Caxiense promoveu o Torneio da Amizade, reunindo botonistas de Porto Alegre, Caxias, São Leopoldo, Rio Grande, Canguçú e Lagoa Vermelha, valendo dois troféus, sendo um para o torneio na regra Gaúcha, e, outro na regra Brasileira.

Na Regra Gaúcha o vencedor foi Clair Marques, de Rio Grande, ficando em segundo Luiz Pedde.


Na Regra Brasileira o vencedor foi Boby Ghizzoni seguido por Airton Dalla Rosa.

Na semana que vem vamos recordar mais um pouco de nossa história.

Até lá, com um abraço.

Sambaquy.

segunda-feira, 7 de março de 2011

CONTINUAÇÃO DA VOLTA AO PASSADO.



1966



Em 1966, Caxias do Sul já podia contar com o título de vice-campeã do Estado, através da boa campanha de Deodato Maggi. Mas o certame citadino foi levantado por Paulo Valiatti (Ponte Preta). A seguir, chegaram: 2º lugar Sérgio Silva (Grêmio), 3º Deodato Maggi (Santos), 4º Carlos Valiatti (Portuguesa), 5º Adauto Sambaquy (Vitória), 6º Renan Branchi (Juventude), 7º Sylvio Puccinelli (Vasco da Gama), 8º Ivan Puerari (Guarany) e 9º Delesson Orengo (Botafogo). Outros participantes do certame: Antonio Milton Talin, José Raul de Castilhos, Raymundo Vasques, Sérgio Calegari, Paulo Fabião e Roberto Grazziotin.



Na segunda categoria, o campeão foi Airton Dalla Rosa (Cruzeiro), secundado por Vitório Menegotto. Ângelo Slomp foi o terceiro colocado. Participaram também: Paulo César Gazola, César Klinger, Dauro Vargas e Nelson Prezzi.



Almir Manfredini venceu o certame da terceira categoria, seguido por Jorge Compagnoni (2º), Gelson Sachett (3º). Jogaram ainda João Dambroz, Roberto Rizzana e Raymundo Vasques Filho.



O campeonato da AABB foi vencido por Vicente Sacco Netto, com o São Paulo F. C., vindo a seguir Adauto Celso Sambaquy e Rubens Constantino Schumacher.



No dia 12 de junho de 1966, para comemorar o seu primeiro aniversário, a Liga Caxiense de Futebol de Mesa realizou, PELA PRIMEIRA VEZ, segundo fatos reais, um torneio interestadual de futebol de mesa, que contou com a participação de 17 botonistas de Porto Alegre, Rio Grande, Pelotas, Caxias do Sul e, especialmente convidados, os técnicos baianos Oldemar Seixas, o maior incentivador do futebol de mesa do Brasil, e Ademar Carvalho, quarto colocado no campeonato baiano de 1965. Também ocupando as dependências da sede social da AABB, estiveram desfilando pelas mesas outros nomes famosos, tais como: Paulo Borges (campeão gaúcho de 1965), Deodato Maggi (vice-campeão gaúcho de 1965), Clair Marques (campeão de Rio Grande), Gilberto Ghizzi (Presidente da Federação Riograndense de Futebol de Mesa), Marcos Lisboa (bicampeão caxiense e bancário), Vanderlei Duarte, Carlos e Paulo Valiatti, Raymundo Vasques, Cláudio Bittencourt, Sérgio Calegari (presidente da Liga Caxiense de Futebol de Mesa), Vicente Sacco Netto (representante de Pelotas), Sérgio Silva e Adauto Sambaquy.



Depois de quarenta jogos, seis nomes ponteavam as chaves, respectivamente:



A – 1º Claudio Bittencourt, 2º Vanderlei Duarte.



B – 1º Ademar Carvalho, 2º Paulo Valiatti, e



C – 1º Marcos Lisboa, 2º Sérgio Silva.



A seguir, verificou-se uma rodada eliminatória, a qual apontaria os três participantes da rodada final. Ademar Carvalho venceu a Marcos Lisboa, Claudio Bittencourt eliminou Sérgio Silva e Paulo Valiatti, na cobrança de pênaltis, tirou Vanderlei Duarte do páreo. Os três vencedores, então, disputariam um torneio triangular final: Bittencourt venceu Ademar, este derrotou Valiatti e Bittencourt ganhou de Valiatti, arrebatando a taça de campeão do torneio pelo saldo de gols. Ademar Carvalho foi um brilhante vice-campeão, pois além da mesa menor, enfrentou uma regra diferente daquela que estava acostumado a jogar, conseguindo dessa maneira, impor seu magnífico jogo aos adversários que o enfrentaram.



No dia 9 de setembro, nas dependências da AABB, a Liga Caxiense realizou o Torneio Início, que a entidade resolveu chamar de “Torneio Raymundo Vasques”, em preparativo para o campeonato de 1966. Inscreveram-se 52 técnicos para a disputa do torneio, que foi dividido em três categorias as quais ficaram assim distribuídas: 12 técnicos na terceira, 11 na segunda e 29 na primeira. Os campeões do Torneio foram: Deodato Maggi, da Industrial Madeireira, na primeira, Fernando Brandão, do Recreio Guarany, na segunda e Almir Manfredini, também do Recreio Guarany, na terceira categoria.



Organizado e realizado pela Liga Caxiense, realizou-se nos dias 17 e 18 de dezembro de 1966, no Colégio Nossa Senhora do Carmo, o campeonato estadual. Atendendo ao convite, várias cidades gaúchas enviaram seus representantes. Porto Alegre, Rio Grande, Arroio Grande, São Leopoldo, Rosário do Sul e Caxias do Sul disputaram entre si as primeiras colocações nas três categorias.



Na primeira categoria (maiores de 18 anos), o campeão foi Carlos Saraiva, de Porto Alegre. Fausto Borges, de São Leopoldo, foi o vice-campeão. Paulo Valiatti, de Caxias do Sul, foi o terceiro, Clair Marques (Rio Grande) o quarto e João Alberto Chiachio (Arroio Grande) o quinto.



Já na segunda categoria (dos 12 aos 18 anos), apresentou como campeão Gerson Garcia, de Rio Grande, Mauro Borges, de Rosário do Sul, foi o segundo colocado, Airton Dalla Rosa (Caxias do Sul) o terceiro e Luiz Elodi (Porto Alegre) o quarto.



José Roberto Sobreiro, de Porto Alegre, foi o campeão da terceira categoria (8 aos 12 anos), Almir Manfredini, de Caxias do Sul, foi o vice-campeão.



Na semana que vem trataremos do ano de 1967.



Até lá, se Deus quiser.



Sambaquy.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

VIAGEM NO TEMPO – VOLTA AO PASSADO.


Na década de oitenta foi formada uma rede de troca de informações sobre o futebol de mesa brasileiro. Participavam Geraldo Cardoso Décourt, de São Paulo e praticante da regra de 12 toques, Getúlio Reis de Farias do Rio de Janeiro e Adauto Celso Sambaquy de Santa Catarina praticantes da Regra Brasileira – 1 toque e José Ricardo Caldas e Almeida de Brasília da regra de três toques. Mesmo com a grande diferença de idade entre eles, entendiam-se muito bem, organizando seus compêndios e procurando sempre engrandecer o esporte escolhido: futebol de mesa.


Hoje apenas dois estão entre nós. José Ricardo Caldas e Almeida, o mais jovem e esse articulista. E nós dois continuamos a conversar, hoje com muito mais facilidade, pois nossos bate-papos eletrônicos são feitos diariamente. E a grande surpresa que recebo do José Ricardo é o motivo da coluna que talvez se estenda por mais duas ou três semanas.

Eis a íntegra do compêndio de matérias relacionadas ao futebol de mesa de Caxias do Sul que foram coletadas pelo José Ricardo:

1963

Até 1963, o futebol de mesa sempre foi praticado às escondidas. Os próprios amigos nem sequer sabiam que seus gostos eram comuns no jogo de botões. Poucos tinham a ousadia de dizer que jogavam o futebol de mesa, e os que faziam eram sempre “gozados” pelos companheiros.

Entretanto, em 1963, um grupo de bancários, liderados por Marcos Pedro Amoretti Lisboa, organizou e realizou um campeonato bancário caxiense de futebol de mesa. Dez técnicos classificaram-se para disputar o turno final. O campeão foi o próprio Marcos Lisboa, representante do Banrisul, ficando em segundo lugar, empatados, Renato Miller e Delesson Pavão Orengo, também do Banrisul. Adauto Celso Sambaquy, único representante do Banco do Brasil classificado, ficou com a quarta colocação. As demais colocações foram estas: 5º Jovir Zambenedetti (Banrisul), 6º Antonio Carlos de Oliveira e Sylvio Puccinelli (ambos do Banrisul), 8º Justo Martins (Banrisul), 9º Carlos Bertelli (Banrisul) e 10º José Régis de Carvalho Prestes (Banco da Província).

Com o incentivo conseguido pelo desprendimento dos bancários, principalmente do Banco do Estado do Rio Grande do Sul, os elementos do Banco do Brasil organizaram e realizaram o seu primeiro campeonato, na AABB - Caxias do Sul. Depois de completadas as sete rodadas que compunha o turno final, dois nomes terminaram empatados no primeiro posto: Adauto Celso Sambaquy (G. E. Flamengo) e Paulo Luís Duarte Fabião (E. C. Pelotas). Foi necessário um jogo desempate e a partida terminou com a vitória do primeiro, por 2 x 1, ficando o título com Sambaquy, após brilhante campanha invicta. Ivan Mantovani ficou em terceiro lugar, Roberto Grazziotin em 4º, Sérgio Calegari em 5º, Nelson Mazzochi e Raymundo Vasques empatados na sexta colocação e Heitor Stumpf ficou com o oitavo posto. Os prêmios foram oferecidos por Claumann @ Cia Ltda.

Nesse mesmo ano – importantíssimo para o futebol de mesa em Caxias do Sul – foi realizado o Campeonato Caxiense em sua primeira edição. O campeão foi Marcos Lisboa, que conseguiu realizar magníficas apresentações. O vice-campeão foi Vanderlei Duarte, outro excelente jogador, ficando o terceiro lugar com Adauto Celso Sambaquy.

1964

Em 1964, novamente realizou-se o campeonato bancário e, confirmando a grande categoria, Marcos Lisboa, do Banrisul, sagrou-se bi-campeão, ao vencer todos os seus adversários. O campeonato foi realizado nas dependências do Recreio Guarany, apresentando nas demais colocações: 2º Sérgio Calegari (AABB), 3º Roberto Grazziotin (AABB) (, 4º Delesson Orengo (Banrisul), 5º Paulo Luís Duarte Fabião (AABB), 6º Adauto Celso Sambaquy (AABB) e Sylvio Puccinelli (Banrisul), 8º Pedro Massignani (Sulbanco), 9º Raymundo Vasques (AABB), 10º Ivan Mantovani (AABB) e 11º Francisco Rebstein (Agrimer). Francisco Pauletti (AABB), Justo Martins e Carlos Bertelli (Banrisul) e Giordano (Sulbanco) foram desclassificados por excesso de WO.

Na AABB, mais uma vez dois técnicos chegaram à última rodada ocupando o primeiro posto: Adauto Celso Sambaquy e Roberto Grazziotin. Na partida extra, Sambaquy venceu pelo clássico marcador de 3 x 1. Desta maneira, Sambaquy conquistou o bicampeonato. Roberto Grazziotin foi o 2º, Paulo Luís Duarte Fabião o 3º, Raymundo Vasques o 4º e Sérgio Calegari o 5º.

No campeonato municipal, Marcos Lisboa sagrou-se bicampeão.

1965

No dia 12 de junho de 1965, nas dependências do Diretório Acadêmico “Amaro Cavalcanti”, da Faculdade de Ciências Econômicas de Caxias do Sul, um grupo de desportistas fundou a Liga Caxiense de Futebol de Mesa, cuja primeira diretoria foi então eleita e ficou assim constituída: Presidente: Adauto Celso Sambaquy, Vice-Presidente: Antonio Carlos Oliveiras, 1º Secretário: Saul Henrique Vanelli, 2º Secretário: Deodatto Maggi, 1º Tesoureiro: Delesson Pavão Orengo e 2º Tesoureiro: Sérgio Calegari.

No dia seguinte, para comemorar a criação da Liga, foi organizado o primeiro torneio intermunicipal do Estado. Apresentaram-se grandes nomes do futebol de mesa gaúcho e brasileiro, tais como, entre outros, Lenine Macedo de Souza (fundador da Federação Riograndense de Futebol de Mesa), Carlos Saraiva (Campeão gaúcho), Renato Ramos (presidente da FRFM), Antonio Azevedo, Sérgio Duro e Gilberto Ghizzi, todos de Porto Alegre. Representando Caxias do Sul estiveram em ação Marcos Lisboa (campeão local), Vanderlei Duarte, Sérgio Calegari, Deodatto Maggi, Raymundo Vasques e Adauto Sambaquy. Venceu o torneio o técnico Carlos Saraiva, do Internacional, seguido por Antonio Azevedo, do Cometa e Marcos Lisboa, da Liga Caxiense.

1965 também foi o ano das mudanças nos campeonatos em Caxias do Sul.

Quebrando a série de vitórias de Marcos Lisboa, Vicente Sacco Netto, da AABB sagrou-se campeão bancário, competindo contra onze técnicos (6 da AABB, 3 do Banco do Comércio, 1 do Banrisul e 1 do Sulbanco). No primeiro turno, Série A, tivemos como campeão Sambaquy, seguido por Sacco, Grazziotin e Puccinelli. Na série B, Marcos Lisboa, Vasques, Calegari e Fabião. No turno final, Vicente Sacco Netto realizou uma campanha notável, conseguindo chegar em primeiro lugar, seguido por Puccinelli, da AABB, e Lisboa, do Banrisul. Depois chegaram mais dois técnicos da AABB: Grazziotin e Sambaquy.

Depois de dois anos em poder de Adauto Celso Sambaquy, o cetro abebeano de futebol de mesa passou para Roberto Grazziotin, com o Pradense F. C.. A seguir, colocaram-se: 2º Adauto Celso Sambaquy, 3º Sérgio Calegari, 4º Raymundo A. R. Vasquez, 5º Paulo L. D. Fabião, 6º Sylvio Puccinelli, 7º Sérgio Guimarães da Silva, 8º Paulo Serafini, 9º Rubem Bergmann e 10º Jorge Brambilla. Na categoria infanto-juvenil, o campeonato da AABB teve a presença de dez técnicos, de 8 aos 14 anos, e apresentou esta classificação: 1º José Grippa, 2º Raymundo Vasques Filho, 3º Marciano Almeida, 4º Delmar Perizzollo, 5º Ricardo Bergmann, 6º José Brambilla, 7º Newton Rosa, 8º Kaizô Beltrão, 9º Carlos Tedesco e 10º Eduardo Tedesco.

Já o campeonato da cidade, começou com a realização do Torneio Inicio no Mês de agosto, e que apresentou os seguintes campeões: Terceira Categoria (de 8 até 13 anos incompletos): Raymundo Vasques Filho (AABB), Segunda Categoria (13 anos completos até 18 incompletos): Airton Dalla Rosa (Recreio Guarany) e Primeira Categoria (maiores de 18 anos): Marcos Lisboa (Banrisul). Digna de nota a participação de Antonio Carlos Oliveiras, que veio de Porto Alegre somente para disputar o torneio.

No campeonato principal estas foram às colocações:

Terceira Categoria: 1º Gelson Sachett, 2º Raymundo Vasques Filho, 3º José Grippa, 4º Jorge Compagnoni, 5º Newton Rosa, 6º Helio Ramos, 7º Marciano Almeida, 8º Ricardo Bergmann, 9º Ricardo Almeida e 10º Antonio Tessari.

Segunda Categoria: 1º José Raul de Castilhos, 2º Airton Dalla Rosa, 3º Júlio Mário Queiróz, 4º Paulo Gazola, 5º Jorge Lisboa, 6º Luiz Alberto Gazola, 7º Álvaro Lisboa, 8º Cláudio Junchen, 9º Douglas Gonçalves, 10º Tadeu Corso, 11º Luiz Carlos Freitas, 12º João Mário Queiróz, 13º Hermínio Bassanesi, 14º Sergio Dalla Rosa e 15º Carlos Signorini.

Primeira categoria: 1º Deodatto Maggi (Santos), 2º Vanderlei Duarte (Karibe), 3º Marcos Lisboa (Flamengo), 4º Marcos Antonio Zeni (Juventude), 5º Sérgio Silva (Grêmio), 6º Saul Vanelli (Motorizado), 7º Carlos Valiatti (Valiatti), 8º Adauto Celso Sambaquy (Vasco da Gama) e 9º Delesson Orengo (Botafogo). Outros concorrentes: Sérgio Calegari, Justo Martins, Carlos Agostinelli, Enodir Luz e Adão Siqueira.

Na semana que vem mostraremos o movimento dos anos 1966 em diante.

Até lá, se Deus quiser.

Sambaquy.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

MEU PRIMEIRO G. E. FLAMENGO


Ao disputar o meu primeiro campeonato na AABB, meu time era o quadro campeão de 1947, cuja fotografia do time do G. E. Flamengo eu havia ganhado.

Tinha muito orgulho daquele time, pois conhecia todos os jogadores e era amigo de alguns deles. O goleiro era o Ary Hoffmann, nascido no natal de 1926 em São Francisco de Paula. Ele chegou a jogar no Juventude em 1943, em 1944 no Grêmio Leopoldense, vindo posteriormente para o Flamengo. Ganhou dois títulos citadinos. Os zagueiros eram o Ariosto Azambuja, um vacariano que começou a jogar pelo E. C. Brasil, daquela cidade, e Ary Detânico, oriundo do Pombal (da várzea), e que também possuía dois títulos da cidade.

O lateral direito era o Manuel Duarte (Dadá, apelido igual ao meu) que era porto-alegrense e veio do S. C. Internacional. O centro médio era o cerebral Mário Machado, natural de Cachoeira do Sul e havia jogado no G. A. Eberle, um jogador que conseguia jogar macio e sempre estava com a bola. O lateral esquerdo era Armando Mano, também de São Francisco de Paula e começou sua carreira jogando pelo Riograndense, da várzea de Porto Alegre. Em 1945 atuou no S. C. Internacional e de lá, veio para o Flamengo.

O ponteiro direito era o Flávio Vieira (Chicão), tio do meu amigo Rudy Vieira. Chicão começou a jogar no Az de Ouro, em 1945 e 1946 jogou no Juventude e de lá para o Flamengo. Nestor Ruggeri (Alemãozinho) era o ponteiro esquerdo e nasceu em Novo Hamburgo, começando a sua carreira no E. C. Floriano, atuando pelo Juventude de 1943 a 1946, vindo em 1947 para o clube grená. Wilson Paulo Escobar (Zizinho) era com Machado o cérebro do time. Nasceu em Porto Alegre e começou jogando no São Lourenço, da várzea, depois jogou pelo Internacional vindo finalmente para Caxias, defender o Flamengo. Sady Costamilan era o ponteiro esquerdo e caxiense, como seu irmão Lady Costamilan, meio campo, começaram no G. A. Eberle, em 1943, passando para o Pombal em 1945 e desde 1947, no tricolor caxiense. Rodrigues Paim (Pavãozinho) era o reserva da ponta direita, Walter Penha, que também começou no S. C. Internacional era reserva da defesa. Com ele o Higino Detânico, irmão do Ary, que também jogava no meio campo.

Ainda contava com o Natalino Viecelli (Passarinho), natural de Campos Novos e que jogou no Tupy, da várzea e de lá se transferiu para o Flamengo.

O bonito de tudo isso é que a gente conhecia todos os jogadores, encontrando-os pela cidade. E assim foi por muito tempo. O Ary Hofmann tinha uma frota de ônibus, que faziam a linha para São Francisco de Paula, e morava perto do campo do Fluminense, local onde se encontra a atual Prefeitura Municipal. O Ary Detânico era taxista. O Chicão era padeiro, e dos bons. O Sady e o Lady trabalhavam na Prefeitura, que ficava ao lado do colégio onde eu estudava. O Alemãozinho era motorista de caminhão. O Higino Detânico era policial rodoviário, e, o Penha, sapateiro, que muitas vezes consertou meus sapatos e chuteiras. O Passarinho era uma figura espetacular e muitas vezes nos encontrávamos na sede do Vasco da Gama, ainda na Moreira César, quando íamos jogar futebol de mesa.

Eu conseguia transferir para os botões a minha admiração por aqueles jogadores amadores, que defendiam o meu clube do coração. Acredito que foi uma época em que podíamos sentir a emoção de ser treinadores de gente que víamos jogar todos os domingos.

Escrevo hoje sobre o meu primeiro time de botão, pois recebi de um amigo de Brasília, amante do futebol de mesa: José Ricardo Caldas e Almeida, uma consulta feita, via Internet no Jornal Vida Esportiva de 1949, que circulava na cidade de Caxias do Sul, dados sobre os jogadores que pertenciam ao clube que me colocou no futebol de mesa, pois foi com ele que iniciei a minha caminhada em 1963. Com isso, fiz uma verdadeira viagem no tempo e voltei a morar na rua Alfredo Chaves, número 816. Percorri as ruas que iam até o campo do Fluminense, ladeando a chácara da Família Eberle, para assistir um Fla x Flu regional, tipicamente gauchesco, sem a pompa do Fla x Flu carioca, mas de igual emotividade. Depois descia a rua e ia até o campo do Juventude, tendo de passar por uma pinguela para chegar até a entrada toda de madeira. Quantas vezes íamos até o Mato Sartori, pulávamos a cerca de trás, e, sorrateiros assistíamos partidas maravilhosas.

Depois desse Flamengo, eu modernizei outras equipes. Sempre com jogadores tricolores. Quando venci o campeonato de 1969, meu goleador era o Jarinha, e a equipe tinha a seguinte escalação; Bagatini, André, Sergio, Roberto e Paulinho, Enio Chaves e Gaspar, Sidnei, Caio, Jarinha e Tecchio. Como reservas o Zé Roberto, Trava e o Taquari. Baita timão que enfrentava qualquer um e acabou campeão caxiense.

Essas são coisas que podemos sonhar, por que o futebol de mesa nos permite. Lembro ainda que quando o Paulinho foi contratado pelo Internacional de Lages (SC), veio jogar em Brusque. Com ele estavam o Iura e o Loivo, craques renomados que defenderam o Grêmio Porto Alegrense. Conversando com eles o Paulinho fez questão de dizer que era o meu lateral esquerdo. Depois do jogo fomos todos tomar umas geladinhas, no bar da frente do estádio do Carlos Renaux.

Bons tempos e bons amigos que só o futebol de mesa consegue conservar.

Até a semana que vem.

Sambaquy.