segunda-feira, 21 de outubro de 2013

A REGRA DE FRED MELLO ESTÁ VIVA NO RIO GRANDE DO SUL


No ano de 1945, o jornalista Fred Mello inventa a regra que ficou conhecida como Leva-Leva (Toque-Toque) com número ilimitado de toques. Com ela, realiza campeonatos em sua cidade natal, Rio de Janeiro. Nessa regra, a pessoa só perde o domínio da bola quando o botão não toca a bolinha ou quando esta bate em um botão adversário. A duração do jogo é de dez minutos cada tempo, sem intervalo entre eles. A bolinha é no estilo botão de camisa em formato de disco de um centímetro. Os botões só podem ser arrumados em situações em que a bola se encontrar fora do campo, com o tempo limitado de dez segundos, distando sempre seis centímetros entre eles.
Livro de Fred Mello
Mas, o que me chama a atenção é o fato de, juntamente com Pernambuco, o Rio Grande do Sul é considerado um dos estados em que grande número de regras é praticada. Tenho conhecimento de que, em nosso estado, jogam as Regras Brasileira, Gaúcha, Unificada, 12 Toques e Toque-Toque.  As quatro primeiras são divulgadas constantemente nos diversos blogs que dispõem sobre nosso esporte, mas da Regra Toque-Toque ou Leva-Leva tomo conhecimento através do Futebol de Mesa News ou, então, quando o seu dirigente maior: Marcelo Minuzzi envia comentários e fotos dos diversos torneios e campeonatos realizados.
Imagens diversas da Toque-Toque

Essa agremiação, que recebeu o nome de Federação Ipanema de Botão (FIB) foi fundada no ano de 1987 por Marcelo Minuzzi, Sergio Silveira e Ricardo Lima, chegando à época de sua criação com 20 associados. Realizaram inúmeros campeonatos. Apelidaram inicialmente a agremiação de IGA, pois seus criadores Marcelo (Internacional), Sérgio (Grêmio) e Ricardo (Atlético Mineiro), os quais eram os melhores e conseguiram vencer alternadamente todos os campeonatos e torneios, chegando mesmo a criar um jornalzinho que informava os resultados de campeonatos, torneios e até os amistosos realizados. Houve uma parada depois disso, retornando em 2007, tendo o Marcelo criado, no Orkut, uma comunidade de jogadores de futebol de botão na regra Toque-Toque.
Federação Ipanema de Botão (FIB)
Esses amigos já realizaram dezesseis campeonatos gaúchos, com Marcelo (Inter), vencendo oito vezes, Sérgio (Grêmio) com sete conquistas e Cimador (Juventude) com uma. A Copa do Brasil foi realizada em doze edições: Marcelo (Inter) venceu oito, Sérgio (Grêmio), Weber (Atlético Mineiro), Marcelo (Guarani) e Rodrigo (Aimoré), cada um com uma conquista. O Campeonato Sul-Americano teve duas edições e em ambas o Marcelo (Inter) sagrou-se campeão. A Recopa ficou nas mãos do Marcelo (Inter). Champions League ficou em poder do Giba (Chelsea). O Campeonato Argentino ficou com Rodrigo que defendia o Boca Juniors. Já, o Campeonato Brasileiro, realizado em treze ocasiões, teve Marcelo (Inter) com nove títulos, Sérgio (Grêmio), Leonardo (Palmeiras), Rodrigo (Aimoré) e Vlad (Botafogo) vencido uma vez cada um. As Copas Amistosas foram sete e Marcelo (Internacional) ficou com seis títulos de campeão e o Sport Recife com a outra.
Ao todo, de 2007 até os dias atuais, foram cinquenta e três competições realizadas.
Marcelo Minuzzi é uma dessas pessoas apaixonadas pelo futebol de mesa. Um idealista que escreveu um livro Futebol de Botão, Uma Paixão Nacional, editado pela Cidadela Editorial Gerenciamento da Informação Ltda. Ao adquirir o livro, tornei-me sócio da Federação Ipanema de Botão, com o número 067. Nesse livro, cuja segunda edição está sendo preparada, há informações sobre a fabricação de botões, o cuidado que se deve ter com eles, endereços de sites e blogs, casos curiosos acontecidos em jogos, artigos de alguns botonistas, tipos de botões, regras praticadas e um desabafo desse botonista que defende com unhas e dentes a sua regra, a regra criada em 1945 por Frederico Mello, carioca que também editou um livro que está depositado entre outras publicações na AFM Caxias do Sul: Jogo de Botão – Regras e Táticas do Futebol de Mesa.

Em seu livro, Marcelo comete um engano, pois afirma que o futebol de mesa foi inventado em 1930 por Geraldo Cardoso Décourt. Décourt foi quem, pela primeira vez em nosso país, publicou um compêndio com a Regra de Foot-Ball Celotex, o futebol de mesa praticado naquela época. Ele abominava a ideia que tivesse sido o inventor, já que em 1922 aprendera a jogar com os Irmãos Mangini, que já o praticavam há algum tempo. Em suas memórias repetidamente desmentia essa inverdade criada há muitos anos, em face de seu amor desmedido pelo esporte e sua participação sempre ativa. Espero que na próxima edição, o amigo Marcelo troque a palavra inventor pela de divulgador, já que essa realmente foi a grande missão do grande botonista paulista.
Armando Nogueira e seu filho jogavam na toque-toque

Juan (zagueiro do inter) também pratica futebol de mesa na toque-toque

Até a semana que vem, se Deus assim permitir.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O FUTEBOL AMADOR AJUDAVA E ATRAPALHAVA O FUTMESA EM CAXIAS

Em Caxias do Sul, o futebol de mesa iniciou a ser praticado em clubes. A sua divulgação era feita pela amizade que tínhamos com os radialistas e jornalistas locais. Mas, a maior divulgação esportiva era quando os clubes amadores eram enfocados. Isso nos levou a pensar em introduzir o futebol de mesa nos diversos clubes que disputavam o campeonato amador da cidade.
Começamos pelo Vasco da Gama. E foi um sucesso, pois quem ia fazer a cobertura do clube encontrava seus associados jogando botão. Isso despertou o interesse de outras agremiações. A primeira foi o Juventus, tradicional clube caxiense, talvez um dos mais antigos, pois iniciou com o nome Juvenil, que depois teve de ser trocado, pois havia um clube com esse nome ainda registrado. Lá, o Algacir Possenatto realizou os campeonatos internos. Depois dele, o Noroeste, pela rivalidade com o Vasco também conseguiu reunir botonistas e fundar seu departamento. Para lá migraram os irmãos Valiatti e o Maggi. Construíram mesas e fizeram uma enorme festa de inauguração.
Vasco, quando ainda era ali perto do Quartel dos Bombeiros
Resolveu a Liga Caxiense que a disputa do campeonato seria realizada na sede do Noroeste, pois o número de mesas era ideal. Foi então que a rivalidade do futebol começou a atrapalhar o futebol de mesa. Se já eram adversários no campo, tornaram-se adversários ferrenhos na mesa.
Lembro que estava em casa, num sábado à tarde, quando o Mário Ruaro De Meneghi (Vasco da Gama) me procurou, dizendo que não iria mais disputar o campeonato. Sem que eu necessitasse perguntar o porquê dessa decisão, relatou que, ao jogar contra o Paulo Valiatti, o mesmo quase destruiu os seus botões. O detalhe é que cada um de nós, pela dificuldade de comprar botões, pois só eram fabricados na Bahia, tínhamos apenas um time para nossos jogos. O Paulo não perdoava os botões do Mário e sempre que podia os estourava, jogando alguns deles no chão, pois ultrapassavam a madeira que circundava o campo. Mário estava revoltadíssimo.
Diante disso, já que sua decisão era irrevogável, tratei de dar uma lição no Paulo, pois nunca fui de me manifestar espalhafatosamente. Falei com o Algacir Possenatto (primo do Marcos Zeni) e solicitei que ele fabricasse um Flamengo (caxiense é claro) com alguns pedaços de acrílico, já que ele manifestava desejo de confeccionar botões. E isso foi feito, ficando um time bem diferente, com acrílico meio transparente, bom para jogar, mas feio como a necessidade.
No dia em que eu teria de enfrentar o Paulo Valiatti, coloquei esse time em campo, diante dos olhos arregalados do meu adversário, acostumado a ver o meu Flamengo vermelho, com duas faixas azuis e brancas na horizontal. Se tivesse chamado sua atenção com palavras, com certeza não teria tido tanto efeito como o que eu estava fazendo. Joguei bem e o venci por 3 x 2, frustrando seu desejo, já que estava usando de tudo para conseguir ser campeão. Se fosse para quebrar botões, que quebrasse os botões feios, pois o time que havia  sido feito pelo seu Aurélio não era para isso. Mas, o estrago fora feito e o pessoal do Vasco, em solidariedade ao Mário, retirou-se do campeonato, visto que o local era tradicionalmente adversário.
No Noroeste: Paulo Valiatti, Jairo Oliveira, Joel, Sérgio Silva, Vasquez e Sambaquy
Serviu também para nos empenharmos na conquista de um espaço que fosse nosso para realizar esses campeonatos, sem necessitar usar as dependências da AABB, Vasco, Noroeste, Juventus ou Guarany. Serviu para a mobilização, junto com a Mapro (Material de Propaganda) que trabalhava com acrílico, ajudar-nos e alugarmos uma sala enorme no Edifício Martinato.
Os campeonatos de clubes continuaram a ser disputados, mas sem visitação, evitando-se dessa maneira que a rivalidade influísse em nosso esporte. Aos poucos, porém, foram se esvaziando e acabando. Infelizmente, um fato lamentável de antagonismo esportivo fez com que uma idéia que se mostrou brilhante na prática, fracassou. Os campeonatos passaram a ser somente na sede da Liga Caxiense.

Até a semana que vem, se Deus assim permitir.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

...E A RENOVAÇÃO, COMO VAI?

Meus amigos, essa é a grande pergunta que constantemente faço para todos os amigos botonistas das diversas agremiações e regras. Estão conseguindo motivar os jovens a praticarem o futebol de mesa? Estão apoiando e organizando campeonatos infantis e juvenis, visando à continuidade de nosso esporte?
Eu conheci o futebol de botão, hoje de mesa, há aproximadamente sessenta e sete anos. Era um tempo completamente diferente do atual, pois a diversão da molecada naquela época era na base do improviso, ou seja, brincadeiras de rua, futebol na calçada, carrinhos de rolimã, bicicletas ou patinetes. Isso durante o dia, quando a cidade de Caxias do Sul era bem diferente da atual. Podíamos brincar livremente sem a preocupação de sermos atropelados pelos poucos automóveis existentes. À noite, geralmente praticávamos o futebol de mesa, ora na casa de um vizinho ou então na nossa própria casa, onde se reuniam alguns aficionados. E tudo era tão difícil. Os botões tinham de ser construídos, lixando-se na calçada que na época era laje. Seguidamente, dois ou três sentavam no cordão da calçada e ficavam lixando seus Zizinho, Ademir Menezes, Jair da Rosa Pinto, Domingos da Guia, até que tomassem a forma mais adequada para um bom desempenho na mesa. E as mesas? As mesas eram improvisações que fazíamos, pois não havia, no mercado, mesas oficiais, coisa que somente veio acontecer a partir dos anos sessenta. De um caixote maior criava-se um tampo que, depois de ter suas linhas traçadas, transformava-se em um excelente campo. Outros tinham mais sorte em conseguir mesas que estavam em desuso em suas casas e as transformavam em célebres estádios.
Era uma diversão que a grande maioria das pessoas da cidade conhecia e praticava. Hoje, muitos cidadãos respeitáveis (ex prefeitos, comerciantes e industriais) não podem esconder suas façanhas com seus botões e suas partidas magistrais, jogadas em diversos pontos de Caxias.
Celso, meu filho, também brincou, mas não seguiu os passos do pai
Surgiu a Federação Riograndense em 1961 e isso mostrou outro horizonte aos botonistas que, passando o tempo, já tinham se tornado adultos. E com força voltaram a praticar aquele esporte que os tornava grandes dirigentes de clubes famosos.
Em Caxias sempre houve a preocupação de oferecer aos jovens a oportunidade de continuarem a nossa caminhada. E isso foi sempre alimentado, apesar de não ver a mesma ideia ser defendida pela Federação vigente. Em 1965, quando participamos pela primeira vez de um campeonato estadual, só havia a disputa de adulto. No ano seguinte, convidados pelo presidente da Federação para patrocinarmos o campeonato, aceitamos com a condição da realização de três categorias: infantil, juvenil e adulto.
Campeonato Gaúche de 1966 - Caxias do Sul estreia as categorias Infantil e juvenil
Muitos desses meninos que jogavam nosso campeonato infantil e juvenil acabaram nos dando alegrias como adultos, anos depois. E parece que a ideia continua firme em nossa cidade, pois houve o trabalho pioneiro do Ednei Torresini, criando o departamento infantil que trouxe para a Associação de Futebol de Mesa de Caxias dois meninos, os quais foram responsáveis pelas primeiras grandes conquistas auferidas nivelem âmbito nacional. Coisas que ninguém havia conseguido até então, o nosso Gustavo Lima (Pica Pau e Hemerson Leite) conseguiram,  trazendo a glória de títulos de campeão brasileiro, conquistas em outros centros, valorizando ainda mais o esforço desses abnegados.
Minha Caxias do Sul tem dois belíssimos trabalhos de renovação AABB Caxias e AFM Caxias
Tenho acompanhado em diversos blogs e, em muito poucos, eu consigo vislumbrar esse apoio aos menores de idade. Temos de organizar, fazer valer campeonatos entre eles, brindá-los com troféus que agucem sua vontade e incentivem sua permanência entre nós. Um dia, fatalmente todos terão de parar, e com o advento das brincadeiras eletrônicas, se não cuidarmos de nossos pequenos, estaremos decretando o fim desse esporte que tanto amamos.
Paraná - 12 toques
Na Espanha se joga na praça
é diversão da garotada espanhola
Mais um projeto paranaense - este em Londrina
Em Santa Catarina a Garotada do Marcílio Dias
Em Pelotas Hyago da Academia
Em Pernambuco também tem projeto
Brasileiro sub-15 de Futebol de mesa em Minas
Louvo aqueles que têm organizado e apoiado essas iniciativas, pois ensinando aos jovens, estaremos tendo o cuidado de preservar nosso esporte, formando pessoas que serão ótimos cidadãos quando se tornarem adultos, pois todo o botonista é geralmente uma pessoa que serve de exemplo aos demais.
Que as fotos que ilustrarão essa coluna sirvam de modelo e exemplo aos dirigentes de agremiações, pois são garimpadas em blogs em que os pequenos são premiados após os campeonatos realizados.
Gustavo Lima - o "Pica-Pau"
Estadual de 2012 - Pica-Pau Campeão Estadual
Hemerson o outro membro da dupla da AFM Caxias
Aonde a AFM Caxias viaja leva seus Garotos
Eles apesar de lisistas aceitam desafios do 12 toques
No brasileiro de 2012 na Bahia o Brasil se curvou a dupla caxiense
Estadual Liso 2013 a trinca da AFM Caxias (Pica-Pau, Hemrson e Weiss) junto com o pelotense Hyago
O Brasil conhece Pica-Pau no Brasileiro de Pernambuco
A dupla da AFM Caxias ao lado de Mateus outro Caxiense campeão brasileiro
No Centro Sul de Caxias eu avisei cuidem bem destes garotos eles são o futuro do nosso esporte..
Estava certo?
O Rio de Janeiro no Centro Sul 2012 também sentiu a força da dupla caxiense


Até a semana que vem, se Deus assim permitir.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

SOCIEDADE GUARANY ERA FORTE NO FUTEBOL DE MESA


Resolvi escrever sobre os amigos botonistas do Guarany, clube social de Brusque (SC), logo após assistir nos “Loucos por Futebol” uma entrevista feita com Jorge Bianchini, um colecionador muito louco por tudo aquilo que envolve o futebol. Confesso que assisti embevecido a tudo aquilo que aquele amigo conseguiu juntar em sua vida, organizando um completo museu em sua casa. E dentre tudo isso, lá estava uma mesa para a prática do nosso futebol de botões, vários times e uma baita saudade de um tempo maravilhoso que vivi naquela cidade.
A sociedade ficava quase ao lado da sede da Associação Brusquense de Futebol de Mesa no Bairro Guarany, onde o Jorge reunia grandes botonistas, formando um clube similar ao vizinho. Ademir Deichmann, Luiz Carlos de Souza, Silézio Silveira, Valdir Habiztreuter, Ari Hoffmann, Sérgio Pessoa, Luiz Carlos Souza, Clóvis Martinenghi, Feliz Valle Junior e Aires Deichmann disputavam campeonatos ferrenhos.
Guarany - Brusque - Dep. Futebol de Mesa
Na programação de aniversário da cidade, na primeira semana de agosto, o Departamento Esportivo da Prefeitura Municipal organizou no Ginásio da FIDEB um Torneio Cidade de Brusque, reunindo os botonistas das duas agremiações e houve lotação no ginásio, coisa que só era conseguida por ocasião dos campeonatos de futsal ou quando grandes equipes vinham fazer apresentações contra os campeões brusquenses.
A Associação Brusquense, de praxe organizava torneios comemorativos, como o tradicional Torneio de Verão e o Torneio dos Campeões. Copiando, o Guarany organizou também o seu Torneio de Verão, que foi disputado de dezembro de 1979 a fevereiro de 1980. Convidaram o presidente da Associação, Décio Belli e eu para participarmos do referido torneio.
Os jogos foram interessantes e motivaram muito os botonistas guaranis. Sobressaía-se entre eles um rapaz, o menor e mais novo de todos, chamado Feliz Valle Junior, até hoje conhecido como Félinha.
A grande final desse torneio foi entre o Félinha e esse colunista. Jogo amarrado e difícil, pois o Félinha jogava também conosco na Associação e, por isso, estava muito bem treinado. Vitória do Internacional por 1 x 0. Um lindo troféu e a medalha de melhor defesa do Torneio estão depositados na minha galeria de troféus. O Torneio teve sua final no dia 26 de fevereiro de 1980 e foi prestigiado pela família Valle inteira, torcendo pelo seu representante. Todos eram meus amigos e vibravam com as jogadas realizadas.
O Jorge, como presidente da sociedade sempre me convidava para a entrega de troféus ao final dos campeonatos. E, com alguma surpresa, há algum tempo atrás recebi de um amigo a foto que ilustra essa coluna, pois seu sogro Aires Deichmann, além de ecônomo do clube era o representante do Botafogo F. R., do Rio de Janeiro. Pelas camisas, pois todos jogavam uniformizados, sempre, podem ver a variedade de clubes que eram representados pelos bravos disputantes dos campeonatos guaranis.
Com o tempo, tendo o movimento da Associação diminuído de forma avassaladora, também os guaranis foram arrefecendo a sua vontade e, hoje em dia, só há recordações em fotografias de um tempo que foi grandioso, em que o futebol de mesa era a paixão da cidade de Brusque. Pelo menos, na reportagem dos “Loucos por Futebol”, o meu amigo Jorge Bianchini trouxe um pouco daquele passado para os dias atuais. Ver aquela mesa e os times enfileirados me deu uma saudade imensa. Mas, não acredito que alguém tenha a coragem de reiniciar a prática do futebol de mesa na Regra Brasileira, modalidade LISO naquela cidade. O tempo passou e o entusiasmo acabou. Mas, milagres acontecem...
Jorge Bianchini com a equipe da ESPN Brasil
Coleção de produtos de futebol de Jorge. A velha e boa mesa de futebol de mesa está ali em destaque


Até a semana que vem, se Deus assim permitir.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

A ESCALAÇÃO DO MEU ÚLTIMO INTERNACIONAL

Sempre procurei manter, em meus times, a escalação mais próxima possível daqueles titulares que vestiam as camisas ambicionadas.

Mas, quando encomendei meu último Internacional, agora já nos padrões atuais, pois todos os meus times são bem mais altos e os mais antigos, menores na circunferência. A inclinação também tem bastante diferença. Para não ficar sendo olhado como um dinossauro nas mesas, comprei novo time, o qual disputou o último campeonato brasileiro em Salvador.
Nesse eu inovei na escalação, pois procurei homenagear alguns amigos que foram jogadores colorados. Iniciei pelo gol, quando escolhi o número 1, o meu colega de quartel, Gabriel Cestari Filho. Nós juntos jogamos, defendendo a Bateria de Comando e Serviços, a qual terminou invicta o ano de 1954. O segundo goleiro, já mais moderno é Cezar Bagatini, amigo desde que subiu aos profissionais do G. E. Flamengo, depois SER Caxias e Internacional. Com os dois troco e-mails seguidamente.

Nessa foto estou agachado junto com o Cezar Bagatini, que também foi
arqueiro do Inter
Na lateral direita, uma homenagem ao meu apelido de criança, dado pela minha falecida irmã: Dadá, um lateral que passou pelo Inter e acabou sua carreira no Flamengo, de Caxias. Confesso que só o via em campo, suando a camisa grená, nunca tendo falado com ele. Já, o zagueiro pelo lado direito, Bob, é o meu amigo Robson, de Brusque (SC). Bob era o goleiro do time de futebol de salão da Prefeitura e nos defrontamos muitas vezes na cancha da FIDEB, onde disputávamos o campeonato da cidade. O outro zagueiro é o Rodolpho Ghizzoni, antigo craque do Inter e depois do Flamengo. Conheci seus filhos, pois fui colega de sua filha, no Ginásio e, depois, adversário de seu filho, o grande botonista Boby. Mas, o Ghizzoni também me traz a lembrança de uma grande jogada que realizei no futebol. Aliás, nunca joguei nada, mas ia assistir aos treinos do Flamengo e, geralmente, faltavam jogadores para completar o segundo time. Eu era sempre convidado a jogar e, por essa razão, sempre levava minhas chuteiras ao campo. Lembro que o treinador do time: Martin Fierro, uruguaio como Ghizzoni, combinava com ele uma jogada quando da cobrança de escanteio. Quase sempre dava errado, pois quem batia o escanteio não conseguia colocar a bola na cabeça do Ghizzoni. A única vez que ela veio certinha, eu pulei antes dele e desviei de cabeça. Não é preciso dizer que os dois ficaram p.... da vida, pois não conseguiram concretizar aquilo que queriam.
O lateral esquerdo é o Paulinho, outro que passou pelo Beira Rio e acabou no Flamengo (depois Caxias). O Paulinho era meu amigo e cliente no Banco do Brasil. Quando terminou seu vinculo com o Caxias, viajamos juntos de Caxias até Lages. Eu já estava morando em Brusque e o acompanhei, pois ele iria assinar com o Internacional daquela cidade. Algum tempo depois, o Internacional veio jogar em Brusque contra o Carlos Renaux. Eu morava a cem metros do estádio. Encontrei o Paulinho e com ele o Yura e o Loivo, ambos tinham vindo do Grêmio e estavam jogando em Santa Catarina. Após o jogo, a meu convite, fomos os quatro tomar cerveja no bar em frente ao estádio, esperando que o ônibus da delegação lageana fosse acionado para o retorno. Bons papos.
O ponta direita é o Renato Puccinelli, irmão do grande botonista Sylvio. Renato era meu amigo e quando estava no Pelotas assisti a sua estreia, juntamente com outro amigo Nezito. Isso aconteceu porque antes que eu assumisse no Banco do Brasil, trabalhava em uma empresa que tinha uma filial por lá, onde fui buscar dinheiro para a Matriz. Após a partida, viajamos juntos para Porto Alegre e depois a Caxias. Eu trazendo comigo o resultado da arrecadação que deveria ser depositada para o pagamento dos funcionários. Grande amigo. O número 8 é o Celso Tadeu Carpegiani, o Borjão, meu colega de Banco do Brasil e craque do Caxias e depois do internacional. Borjão sempre foi uma pessoa sensacional, amigo que me trouxe a camisa de seu irmão Paulo Cesar, a qual eu guardo com muito carinho. O 9 talvez nunca tenha jogado em lugar nenhum, mas é uma homenagem ao meu filhão Daniel Maciel, uma pessoa que honra o futebol de mesa e que tem insistido em me ver nas mesas, coisas que não consigo mais fazer. O 10 é tradicional em todos os meus times e já falei a respeito em outras colunas: Paulo César Carpeggiani. Dele tenho a sua camisa vencedora, que é o troféu mais importante de minha galeria. O 11 é o meu amigo de juventude; Irajá Machado de Carvalho, ponta esquerda que iniciou no Juventude, passou pelo Inter e acabou no Flamengo. Irajá foi amigo desde os seus quinze anos e lembro ainda de seu aniversário, quando fui convidado e guardo a fotografia que registrou o evento. Chutava com uma força tremenda, mas quando eu tinha de marcá-lo, ia para o meio de campo armar o jogo. Bons tempos aqueles. O 12 é o meu amigo Tarica, que passou pelo Inter, jogou no Corinthians e acabou no Flamengo. Em Caxias, ele permaneceu até seu falecimento. Nos meus primeiros anos em Brusque, visitava-me frequentemente, pois era representante comercial no ramo do vestuário. O 13 é o Brito. Passou pelo Inter e depois jogou no Juventude, tendo terminado sua carreira no Gianella, em Caxias. Minha homenagem a ele, pois, quando criança, junto com o pessoal da Rua Alfredo Chaves, ele estava sempre passando por lá, pois namorava a irmã de uma colega de escola. Como nós fazíamos perguntas sobre o futebol, sempre parava e ficava conversando conosco, o que nos deixava muito felizes, sentindo-nos importantes por ter a atenção de um craque de futebol (quase profissional).
Tarica, meu amigo Abelin

Inter 1976 - octa gaucho. Nessa foto estão Borjão e Paulo Cesar Carpeggiani.
Todos foram de épocas diferentes, mas marcaram a minha história como torcedor de futebol e admirador do Internacional, que sempre que se apresentava em Caxias, o comércio parava para ver o espetáculo. Eu consegui ver Ivo, Nena e Ilmo, Alfeu, Viana e Abigail, Tesourinha, Vilalba, Adãozinho, Motorzinho e Carlitos. Depois ainda tive a chance de ver os grandes Oreco, Odorico, Salvador, Larri, Bodinho, Florindo, Jeronimo, Chinesinho, Bráulio, Tovar, Scala, Pontes, Schneider, Gainete, Valmir Louruz e tantos outros que, se um dia resolver fazer novo time, serão alguns desses seus protagonistas.
Em dezembro de 1952, aniversário do Irajá. Estou ao lado dele, de gravata (bom moço) e ao meu lado está o Guaracy que jogava no Juventude

Meu amigo Paulinho ao lado do arqueiro Barreira e o Gaspar de centroavante
Pena que eu não consiga reproduzir na mesa o que eles faziam no campo.

Até a semana que vem, se Deus assim permitir.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

MANTER UM BLOG ATUALIZADO ESTÁ FICANDO CADA DIA MAIS RARO

Após 162 Colunas escritas para o Blog da AFM Caxias do Sul, com consultas diárias aos diversos blogs que falam de nosso esporte, vejo que são muito poucos os que atualizam com novas matérias. Muitos ficam parados no tempo e no espaço. Iniciam a todo vapor e acabam ficando no ostracismo, sem mesmo ter uma mísera notinha que o faça ser movimentado.

Devo louvar alguns blogs que constantemente apresentam notícias que nos atualizam sobre o movimento. Diga-se de passagem que essa inovação deveria ajudar a aproximar os botonistas de todo o país, pois somos de uma geração em que se produziam informativos datilografados, copiados em mimeógrafos ou Xerox, e despachados via Correio. Hoje temos acesso a centenas deles e nos desencantamos quando as notícias não aparecem.
Sei que é muito difícil perder várias horas no dia para atualizar, manter contato com os diversos grupos de botonistas divulgadores e apresentar diariamente novidades. E, geralmente, isso é tarefa de pouquíssimos abnegados que se dispõem a informar os leitores das novidades de seu grupo.
Deveríamos aproveitar melhor essa ferramenta que nos permite estar cientes das novidades e a tornar motivo de aproximação. Um exemplo disso foi a questão que o Breno Kreuzner levantou em seu Manchester “quase diário”, o qual mobilizou uma quantidade enorme de opiniões sobre o repique do chute ao gol. As opiniões vieram dos quatro cantos de nosso país, pois o assunto interessou aos botonistas em geral.

Mostrou o nosso amigo Breno que seu blog é lido e procurado pela imensa maioria de botonistas brasileiros, assim como o é o Gothe Gol, esse sempre com atualizações diárias e cheias de entusiasmo.
A geração à qual pertenço sofria muito com a falta de notícias. Para minimizar, a Gazeta Esportiva de São Paulo sempre mantinha, nas quintas-feiras, uma coluna sobre Botões na Mesa. Geralmente eram notícias sobre o movimento paulista, pois alguns botonistas escreviam e enviavam notas para a redação do jornal, com fotos e comentários. Os informativos de determinados clubes eram feitos por uma pessoa, que os imprimia e distribuía aos interessados, arcando com os custos totais. Nem um patrocínio que os ajudasse a manter suas publicações e, mesmo assim, elas persistiam mensalmente.
Foram muitos os que chegavam às minhas mãos: Botunice Informa (São Paulo), Técnicos e Botões (São Paulo), K entre Nós (Brasília), Botonistar (Botonistar), Jornal Bola Branca (Lajeado), O Botonista (Taubaté), Informativo Jacareí (São Paulo), Bola de Feltro (Brasília), A Liga (Brasília), Bola na Mesa (Brasília), Boletim Informativo Jocamar (Manaus), Rio Botonista (Rio de Janeiro), Urudancam (Rio de Janeiro), 3 Toques (Brasília), são alguns que consigo lembrar.


Hoje, temos a possibilidade de estar diariamente na presença de botonistas e ainda assim não conseguimos uma continuidade. Talvez, se a manutenção fosse semanal isso melhoraria.  A Marreta, do meu amigo Abiud Gomes, de Recife é feita sempre aos domingos, contando o resultado da rodada da semana do botãobol, a Regra Pernambucana. Sou assíduo leitor dele.
O Futebol de Mesa News, de São Paulo, também sofre com a falta de notícias de diversas regiões. Acompanho e sempre procuro as novas sobre o futebol de mesa, em Santa Catarina, para estar atualizado. E vejo notícias de vários meses passados da mesma forma que as últimas, mesmo sabendo que inúmeros torneios e campeonatos tenham sido realizados depois. Faltam pessoas dedicadas que se prestem a informar o editor paulista sobre os acontecimentos. O municiamento de fatos ajudará a fazer a grande roda do futebol de mesa girar.
Pensemos nisso e no compromisso que assumimos, criando um informativo para as pessoas que, como nós, gostam do futebol de mesa.

Até a semana que vem, se Deus assim permitir.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

IVO LUIZ CASTRO JUNIOR – O CAMPEÃO DO MARCÍLIO DIAS



Troféu de campeão só dá ele...
A história deste botonista inicia-se em sua infância, quando tomou conhecimento do futebol de mesa através dos times de plástico e do famoso Estrelão. Filho único, divertia-se jogando pelos dois times que estavam na mesa. Organizava e dirigia campeonatos e narrava os jogos, imitando os grandes personagens do Rádio Esportivo da época. Era um pouco de Geraldo José de Almeida, Doalcei Bueno de Camargo, Jorge Curi, Valdir Amaral, Fernando Sasso e tantos outros famosos que, além de narrar, comentava os jogos. Supria assim a ausência do irmão que não veio.

O tempo passa, mas o amor pelo futebol de mesa não. Adolescência, estudos, namoros o fazem deixar adormecida essa paixão. Realiza o seu grande sonho tornando-se Engenheiro Mecânico, casa-se e vê vir ao mundo seu filhão Fernando.

A vida continua e os compromissos parecem que não permitirão que ele volte ao esporte que marcou a sua infância. Mas, o destino faz com que, depois de muitos anos, seu amigo Oswaldo Fabeni liga para seu celular e pergunta se ele é capaz de adivinhar o que estava fazendo. Lógico que não saberia. Foi então que a alegria estampou seu rosto. Oswaldo diz textualmente:

-Estou aqui no Olímpico, em Blumenau, jogando futebol de mesa.

Renascia naquele momento a paixão adormecida pelo esporte que os unira na infância. Que felicidade o Oswaldo ter se lembrado dele, de sua paixão pelos botões, de seus campeonatos disputados nas casas de Itajaí.

Adquiriu alguns times, dentre os quais Marcílio Dias (sua maior paixão), Flamengo, São Paulo, Borússia Dortmund, Liverpool, Botafogo, Palmeiras, Cruzeiro. Construiu uma maleta para acondicionar seus botões e passou a dedicar-se de corpo e alma na prática continuada  do esporte que marcou a sua vida. E o fez de maneira primorosa, pois seu jogo é perfeito e maravilhoso, conseguindo ter um domínio completo de todas as jogadas que realiza, além de ser um estrategista perfeito. Seu chute ao gol é certeza absoluta de felicidade.
A sede no Snooker Café
Conseguiu levar o Fernando, seu filho, para praticar. Com ele, mais o Oswaldo e outros amigos que foram se reunindo em volta da mesa, funda o Atlântico Sul Futebol de Mesa e passa a acumular troféus, pois quando coloca seu time na mesa a finalidade é uma só: vencer.

Continua vencendo e o filho crescendo... 
Através dele houve a aproximação do Atlântico Sul com o Marcílio Dias. O detalhe maior disso tudo é que o Atlântico Sul nasceu em Balneário Camboriú, mais precisamente no salão de festa do prédio onde morava o Oswaldo. Com o crescimento do número de associados, a necessidade de um espaço maior se fez necessário. Trocaram o salão de festas do Oswaldo por uma enorme sala no Snooker Café, onde foram colocadas quinze mesas. As adesões foram surgindo em quantidade, como também novas idéias. O apoio recebido do Marcílio Dias fez com que a rivalidade itajaiense se manifestasse e surgisse o segundo clube de futebol de mesa da cidade, o S. C. Barroso.

Ivo tem sido o maior campeão do Marcílio Dias/Atlântico Sul. Seu nome está inscrito como campeão de todos os campeonatos disputados, no troféu Adauto Celso Sambaquy que permanece definitivamente na sede que ocupamos perto do estádio Hercílio Luz.
IVO - o Super Campeão

Além de incentivar a continuidade do futebol de mesa, organiza e realiza torneios e campeonatos com a maestria que adquiriu na infância. Só posso dizer que se ele morasse em São Paulo ou mesmo em Curitiba, já teria se tornado campeão brasileiro diversas vezes. Seu nível de atuação está muito acima da maioria dos praticantes que frequentam as dependências do Marcílio Dias.

O que nos deixa feliz é ser recebido por ele, quando conseguimos nos fazer presentes para disputar algum torneio ou até mesmo campeonato. Sempre nos saúda da mesma forma: - Salve grande Adauto. Um amigo que sempre está disposto a bater uma bolinha e, se deixarem e o pessoal aguentar, é capaz de ficar das nove horas da manhã até à noite jogando, sem cansar, sempre com a mesma disposição e entusiasmo.

Realmente, o Oswaldo, ao fazer aquela ligação, prestou um serviço ao futebol de mesa brasileiro. Que possamos estar muitas vezes juntos, praticando o esporte que amamos desde as nossas infâncias.

Grande Ivo, continue sendo essa pessoa brilhante e vencedora.

Até a semana que vem, se Deus assim permitir.