domingo, 24 de março de 2013

RUBENS CONSTANTINO SCHUMACHER

O Schumacher foi o último campeão caxiense jogando na Regra Gaúcha. Isso aconteceu no ano de 1966, quando o campeonato era realizado nas dependências da AABB.
Como somos da mesma idade, pois nascemos no ano de 1936, estudamos juntos, servimos o 3º Grupo de Canhões Anti Aéreos 40 mm, na cidade de Caxias do Sul, fomos colegas de Banco do Brasil, crescemos na mesma época, habitando uma Caxias bem diferente da atual.
Com o Departamento de Futebol de Mesa da AABB funcionando a todo vapor, Schumacher reuniu seus antigos botões e se incorporou ao grupo que se reunia aos sábados para disputar torneios e campeonatos. O nosso primeiro embate foi realizado em 28 de outubro de 1966, e a última ocasião em que nos encontramos foi em 4 de outubro de 1971. Foram 28 jogos, com um equilíbrio grandioso, pois ele venceu 11 vezes, empatamos 5,  e eu o venci em 12 oportunidades.
Seu time sempre foi o Fluminense F. C., clube que ele defendia com um ardor insuperável.
De 1963 até 1966 os nossos campeonatos foram realizados dentro da Regra Gaúcha, tanto na AABB como o certame citadino. Lembro de nosso jogo pelo caxiense de 1966, quando introduzi em meu time um botão recebido na correspondência vinda da Bahia. Botão liso que corria muito, diferente de nossos puxadores cavados. A bola estava no campo de defesa do Schumacher, no meu ataque, quando eu resolvi reforçar a minha defesa e atrasar um botão. Acostumado com os botões que compunham o meu time, atrasei o mais alto deles, o botão baiano do Vasco da Gama que havia recém chegado. O toque na palheta foi semelhante ao do botão puxador, só que o botão vascaíno saiu deslizando e suavemente encontrou o centro avante dele em minha área. Pênalti cometido infantilmente. Acabei sendo vencido pelo meu erro. Encostei o botão em uma ponta e não toquei mais nele até o final do jogo. Naquele tempo não podia haver substituições. Resultado: Schumacher conquistou o certame caxiense em 1966, todo ele disputado na sede social da AABB. Em 1967, com a Regra Brasileira em vigor, manda confeccionar através do senhor José Aurélio, na Bahia, um Fluminense que havia lançado um fardamento com duas listras transversais em uma camisa branca, um time com o mesmo estilo.
Custou um pouco a se acostumar com outro tipo de botões, mas quando dominou a força, ficou bastante competitivo.
Dedicou-se mais ao campeonato da AABB, conseguindo sagrar-se campeão de 1969, evitando o tri-campeonato de Sylvio Puccinelli.
Rubens Schumacher recebendo de Sergio Calegari o troféu de campeão

Como era praticante de tênis e de futebol, ao transferirmos a sede para o Edifício Martinato, parou com a disputa em certames caxienses, restringindo-se somente aos jogos do campeonato da AABB. No futebol de campo fomos bicampeões bancários de Caxias do Sul.
Bicampeão Bancário de 1973. Já tínhamos ganho o campeonato de 1971
Schumacher foi um dos grandes botonistas dos anos sessenta e, se tivesse continuado, com certeza teria escrito seu nome nos anais da história do futebol de mesa do Rio Grande do Sul.
Ainda imagino fazer um grande torneio reunindo os antigos botonistas: Rubens C. Schumacher, Paulo Luís Duarte Fabião, Adaljano Tadeu Cruz Barreto, Airton Dalla Rosa, Celso Triches, Delesson Orengo, Dirceu Vanazzi, Homero Kraemer de Abreu, Ivan Mantovani, Luiz Alfredo Gastaldello, Luiz Carlos Ponzi, Luiz Santiago Veronese Mascia, Mário de Sá Mourão, Nelson Prezzi, Osni Freitas de Oliveira, Roberto Cagliari Grazziotin, Rudy Vieira, Sérgio Silva, que sei ainda residirem nessa cidade, pois sei da impossibilidade de contar com Raymundo Antonio Rotta Vasques e Sérgio Calegari, os quais, por motivo de saúde não poderiam participar. Seria reviver momentos incríveis de nossa juventude, dos tempos difíceis da implantação de nosso esporte em terras gaúchas. Quem sabe a AFM não consiga esse milagre? Se conseguirem convidar esses mencionados, podem contar comigo, pois estarei embarcando rumo ao passado tão logo receba o convite.
Até a semana que vem, se Deus assim permitir.
Sambaquy

segunda-feira, 18 de março de 2013

RELEMBRANDO O FUTEBOL DE MESA DO PASSADO

Há algum tempo estou sendo instigado pelo ex-presidente da AFM – Rogério Prezzi - a escrever sobre os clubes que praticavam o nosso esporte. As histórias que determinaram o início do futebol de mesa na cidade de Caxias do Sul poderiam ocupar várias colunas. Com narrações pitorescas, com brigas, com intervisitação de botonistas, mas os arquivos com os recortes de jornais estão depositados em Caxias, e eu moro em Balneário Camboriú.
Poderia falar de clubes que foram atuantes e realizavam campeonatos, pois muitos que criaram departamentos somente promoviam torneios rápidos, sem se ater a longas disputas que duravam vários meses. Os que mantinham uma vida esportiva regular, com campeonatos bem organizados eram AABB, Liga de Futebol de Mesa do Recreio Guarany, Vasco da Gama Futebol Clube e Noroeste Futebol Clube. O Esporte Clube Juventus, Grêmio Esportivo Flamengo, Radio Difusora Caxiense, Banrisul e Pombal Esporte Clube não possuem registros de campeonato regular. Torneios eram realizados, mas de curta duração.

Na AABB, os botonistas eram diversos, a saber: Vicente Sacco Netto, Rubens Constantino Schumacher, Adauto Celso Sambaquy, Roberto Cagliari Grazziotin, Silvio Puccinelli, Sérgio Calegari, Nelson Mazzochi, Rubem Bergmann, Raymundo Antonio Rotta Vasques, Walmor da Silva Medeiros, Dirceu Vanazzi, Luiz Alfredo Gastaldello, Paulo Luiz Duarte Fabião, Osni Oliveira, Homero Kraemer de Abreu, Joel Garcia, Silmar Haubrich, Heitor Stumpf, Ivan Mantovani, José Fiorindo Angeli, Luiz Carlos Ponzi e Ramiro Corso. Além dos adultos, havia um departamento infantil, onde mais de dez meninos disputavam campeonatos com garra de gente grande.

No Recreio Guarany, tínhamos: Ivan Puerari, Airton Dalla Rosa, Nelson Prezzi, Almir Manfredini, Ângelo Slomp, Vitório Menegotto, Jorge Compagnoni, Sérgio Silva, Ariovaldo Sebben, Carlos Berti, José Raul de Castilhos, Marcos Meregalli, Milton Berti. Paulo Leonardi.

No Vasco da Gama, as feras eram Boby Ghizzoni, Mário Ruaro Demeneghi, Nelson Ruaro Demeneghi, Rudy Vieira, Jonas Rizzi, Aldemiro Ernesto Ulian, Augusto Peletti, Jones Almeida, Jorge Rezende, Neuri Fedrizzi
No Vasco a concorrência era grande
No Noroeste, sob o comando de Paulo Valiatti, jogavam ainda seu irmão Carlos Valiatti, Jairo Oliveira, Deodatto Maggi, José Machado, Oswaldo Costa.
Inauguração do Noroeste
No Juventus, além do Algacir Possenatto, o presidente do clube Tonietto, o diretor de futebol Sadi Rossato e Sergio Bonho eram os praticantes habituais.
Em 67 o Juventus faz sua inauguração
Na Rádio Difusora Caxiense: Gilberto Oliveira, Adelar dos Santos Neves, Getúlio Correia, Renato Monteiro, Luiz Ismar.

No Pombal, além de Dirceu Vanazzi, Aramis Stalivieri, Dario Turra, Oswalter Soares Borges e Vilson Angonese.

Isso perdurou até meados dos anos setenta, quando então arrefeceu o movimento e o futmesa ficou sem rumo, tendo então surgido a pessoa de Antonio Luiz Segatto. Num gesto de muita coragem o transferiu para o Recreio da Juventude, onde receberam a melhor sala do Estado e, nela, colocaram oito mesas, inclusive uma delas, bem mais baixa, para que os pequenos Daniel Pizzamiglio, Alexandre Prezzi e Rogério Prezzi pudessem disputar seus campeonatos, acompanhando seus pais que estavam empenhados em grandes disputas.

Depois desse período houve uma parada de 1977 até 1981, depois de 1982 a 1987, quando o futmesa deixou de ser praticado oficialmente por dez anos, voltando em 1997 através do esforço de Vanderlei Duarte que impulsionou de forma grandiosa o esporte dos botões até os dias atuais.
Os clubes que praticavam deixaram de lado o futebol de mesa, restando apenas a AABB que, comandada pelo Enio Durante, está formando craques para o futuro de nosso esporte.
Foi uma época grandiosa, pois em vários locais da cidade podíamos contar com botonistas para realizar partidas, disputar torneios e participar de nossos campeonatos. Hoje em dia, o esporte ficou centralizado na AFM e na AABB, não havendo interesse de nenhum clube em manter um departamento de futebol de mesa em sua sede social.
Até a semana que vem, se Deus permitir.
Sambaquy

domingo, 10 de março de 2013

O GOL INCRÍVEL FEITO PELO CALEGARI


Essa é mais uma das histórias acontecidas em um campeonato realizado na AABB, em Caxias do Sul. Em 21 de agosto de 1968, durante a realização de uma rodada pelo campeonato interno da AABB, o Calegari deveria jogar contra o Sylvio Puccinelli e com o Rubens Constantino Schumacher.
Jogo contra o Calegari era sempre encardido, pois o nosso colega era simplesmente inimaginável. Fazia coisas que ninguém conseguia realizar, mesmo se tentasse várias vezes. Conseguia errar a bolinha a poucos centímetros do botão, como também conseguia realizar um chute com um zagueiro atravessando o campo e marcar um golaço.
Mas, esse gol não foi de zagueiro.
Calegari, o grande gremista de sempre.

O Calegari estava levando um sufoco de seu adversário e o jogo estava empatado. A iminência de perder a partida se acentuava a cada nova jogada. Foi então que aconteceu a célebre jogada “inesquecível”. A bolinha para em cima da linha de fundo de campo. Paradinha, sem chance de construir uma jogada, pois o seu botão mais próximo estava na linha lateral do campo, a uns quinze centímetros da linha de fundo. Botonista algum pensaria em chutar ao gol uma bola daquelas. Em seu pensamento, Calegari deve ter arquitetado o seguinte: Peço ao gol e chuto para fora. Com isso recoloco a minha defesa que estava desarrumada... É o que vou fazer!
Dito e feito: Comandou com autoridade: - Prepare que eu vou chutar ao gol!
Seu adversário veio para a direção do botão que seria o chutador, olhou para o gol e colocou o goleiro em paralelo à linha de gol. Assim, se por ventura a bolinha fosse até a área pequena, não se chocaria com o goleiro e daria chance de um lateral.
Avisou que estava pronto. Os demais que estavam assistindo à partida ficaram postados, admirando a proeza imaginada pelo Calegari. Todo mundo em silêncio.
Calegari coloca a palheta em cima do botão, com o detalhe que ele jogava com uma mão somente. Olha para a bolinha, fecha um olho e pressiona com força, soltando o botão feito um bólido em direção ao disquinho imóvel na linha de fundo.
Foi então que aconteceu o inacreditável.
O botão número 7 (Tarcisio) trisca o disquinho (bolinha) de uma forma impressionante. O disquinho levanta e realiza uma trajetória encurvada, rolando em direção ao gol. Mas tudo isso de uma forma quase quadro a quadro, vagarosamente. A bolinha levanta e parte em direção à área grande adversária, entra na metade da área pequena, passa ao lado do goleiro e cai mansamente logo após a linha de gol. Ninguém queria acreditar no que estava vendo. Calegari havia conseguido marcar um gol impossível num jogo em que seu adversário se portava melhor. Foi uma festa, pois o Caligula, como era carinhosamente apelidado pelo Vicente Sacco Netto, foi pequeno para os abraços e comemorações. Não é necessário dizer que o jogo terminou 1 x 0 para o nosso herói.
Depois do jogo ele ficou tentando por mais de duas horas repetir o feito, mas nem de longe chegou perto do magistral chute. São coisas que só acontecem no futebol de mesa e para o Sérgio Calegari.
Tentei desenhar a jogada e espero que possam, através do esboço, sentir a grande dificuldade que esse gol atingiu. Em todo o meu tempo de futebol de mesa não consegui ver outra proeza semelhante a essa. Bons tempos.

Até a semana que vem se Deus assim permitir.
Sambaquy

domingo, 3 de março de 2013

A REGRA BRASILEIRA EM PORTO ALEGRE INICIOU-SE NO INTERNACIONAL.


O Departamento de Futebol de Mesa do S. C. Internacional foi inaugurado em 1969, juntamente com o  Beira Rio. Por dez anos o Departamento praticou o futebol de mesa na Regra Gaúcha, conforme palavras de seu Diretor da Divisão de Futebol de Mesa, Cláudio Schemes. Salientava que, durante este tempo, o setor foi movimentado duas ou três vezes, mas por diversos problemas não houve continuidade. Talvez, dizia Schemes, uma das grandes dificuldades encontradas até agora, é que aqui em Porto Alegre não se praticava o esporte na Regra Brasileira, ao contrário do que ocorria no restante do país. Com a organização do Torneio de Futebol de Mesa – Inter 70 anos, na Regra Brasileira, estava liberando o botonista a jogar em qualquer regra, mas a finalidade seria a incorporação da Regra Brasileira como a principal.
Cláudio Schemes
Schemes alertou que o futebol de mesa na cidade estava muito parado, existindo apenas em entidades privadas, razão pela qual estava dando esse impulso no sentido de que esse campeonato fosse a reabertura oficial do Futebol de Mesa no Inter, tentando estimular novas participações.
Temia que o tamanho das mesas fosse uma grande dificuldade, o que, aliado à padronização dos times criasse um impasse aos botonistas porto-alegrenses, acostumados com os botões puxadores da Vila Scharlau.
Na entrevista, Schemes detalhou as participações do Departamento que fora campeão estadual por equipes em 1969, na cidade de Porto Alegre e, em 1972, em Uruguaiana. Com a implantação da Regra Brasileira, já pensava no campeonato estadual que seria realizado na cidade de Jaguarão, no mês de outubro e no Brasileiro, marcado para janeiro de 1980, na cidade de Pelotas.
Para incentivar a divulgação da Regra Brasileira em solo gaúcho, visto que a capital não a praticava, o presidente da Associação Brasileira de Futebol de Mesa, Antonio Carlos Martins, deslocou-se do Rio de Janeiro, prestigiando essa iniciativa do time colorado. Segundo Martins, o esporte teve um crescimento muito grande nos últimos cinco anos, sendo praticado em 16 estados da União. O objetivo imediato da ABFM é patrocinar campeonatos estaduais, onde houver mais de uma entidade, apontando assim o seu representante para o certame nacional.
Continuando, Martins explica que estava colaborando com as Associações e Ligas mais fracas, enviando material técnico e publicações. Em âmbito internacional, continua Martins, o Brasil é um dos países mais fortes e espera, no prazo de no máximo quatro anos, promover um campeonato mundial. Finalizou, dizendo que as programações da Associação Brasileira serão o Torneio Integração, em Salvador (Ba) com a participação do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia, a se realizar de sete a nove de setembro, o Campeonato Estadual do Rio Grande do Sul, na cidade de Jaguarão e o sexto Campeonato Brasileiro, em janeiro de 1980, na cidade de Pelotas.
Torneio de Futebol de Mesa – Inter 70 anos, realizado em âmbito nacional, reuniu equipes do Rio de Janeiro, Florianópolis, Brusque, Pelotas, Caxias, Jaguarão e do anfitrião.
Na fase eliminatória, classificaram-se: Chave A – Rio de Janeiro (Antonio Carlos Martins), Chave B – Caxias do Sul (Luiz Ernesto Pizzamiglio) – Chave C – Jaguarão (Moisés Timm) e Chave D – Internacional (Alexandre Gonçalves).
No quadrangular final, os resultados foram: Rio de Janeiro 3 x 0 Caxias, Jaguarão 2 x 0 Internacional, Caxias 3 x 2 Jaguarão, Internacional 0 x 2 Rio de Janeiro, Jaguarão 4 x 2 Rio de Janeiro, Internacional 0 x 4 Caxias.
No Gigantinho. Na primeira foto estou jogando contra o Aldyr R. Schlee e seu
Brasil de Pelotas.
A classificação final ficou sendo a seguinte:
Campeão – Caxias do Sul (Luiz Ernesto Pizzamiglio)
2º lugar – Jaguarão (Moises Timm)
3º lugar – Rio de Janeiro (Antonio Carlos Martins
4º lugar – Internacional (Alexandre Gonçalves)
Pizzamiglio, o grande campeão do Torneio de Futebol de Mesa INTER 70 ANOS (foto Atual)
Portanto, em 1979, a Folha da Manhã publicava o resultado final, as reportagens com as duas figuras maiores de nosso esporte e enaltecia Caxias do Sul como a entidade que, pela primeira vez estava levantando um troféu de campeão em plena capital gaúcha.
Reportagem da Folha da Manhã

Após essa iniciativa do inesquecível Cláudio Schemes, ninguém mais segurou a caminhada de nosso esporte e as dificuldades iniciais acabaram no esquecimento, tendo, desde então surgido grandes centros promotores da Regra Brasileira, engrandecendo o futebol de mesa gaúcho.

Até a semana que vem, se Deus assim permitir.
Sambaquy

domingo, 24 de fevereiro de 2013

GUIDO GARCIA – UM NOME A SER ENALTECIDO PARA SEMPRE


Meus amigos, no dia 18 de fevereiro, o amigão Guido Garcia comemorou mais um aniversário. Nada de novo, pois todos nós comemoramos os nossos aniversários em data determinadas pelo nosso nascimento. Mas, essa data é especial, pois é o aniversário de uma pessoa maravilhosa e que muito fez e tem feito pelo nosso esporte.
Guido Garcia, bi-campeão brasileiro, títulos conquistados em Natal e Vitória, nos anos de 1994 e 1995, logo após uma tragédia interferir em sua vida de modo dramático, mostra-nos como deve ser a superação. Tenho certeza de que nenhum de nós sofreu o trauma que esse amigo teve de enfrentar, mostrando a fragilidade de nossa vida física diante da espiritualidade. Mesmo assim, amparado por amigos leais, foi, viu e venceu.
Nem por isso perdeu a sua simplicidade, seu ar constante de tranqüilidade, nem deixou a soberba assumir lugar em sua vida. Continuou o mesmo, amigo fiel e incentivador a todos os praticantes de nosso esporte. É um exemplo vivo de como deve ser o botonista que ama o que escolheu para praticar. Um exemplo para todos nós que o admiramos e respeitamos por sua conduta impecável e sua  amizade   valorizada.
Fui beneficiado por sua bondade natural, quando escolhi uma maleta para a guarda de meus botões. Como havia voltado a jogar na regra de doze toques, escolhi colocar dois tipos de botões, enviando-lhe as medidas de cada um deles. E tudo veio perfeitamente de acordo com o que eu havia planejado.
Mas, a surpresa maior ainda estava por acontecer. Ao tentar saber o valor de meu débito para com ele, fui informado que se tratava de um presente. E que presente maravilhoso estava ganhando dessa fábula de nosso esporte. São gestos assim que mostram a grandeza de um homem, pois se fiz a encomenda, sabia que teria um custo e estava disposto a pagá-lo. Mas, ele foi irredutível. É um presente. E no seu blog, ao descrever a maleta de Adauto Celso Sambaquy, escreveu:
“Raras vezes verão nesse blog uma referência à pessoa dos quais tenho a honra de confeccionar um equipamento para a prática do futebol de mesa – seja uma simples régua, palheta ou uma maleta. Todas são importantes para mim. São amigos que confiaram no meu trabalho. No entanto não posso deixar passar a oportunidade de dividir com todo o público que visita a minha página, a satisfação, a honra, de poder privar da companhia (mesmo que virtual) de uma personalidade do quilate de Adauto Celso Sambaquy. Esse homem é nada mais, nada menos do que o responsável pela introdução da regra brasileira – a regra baiana, como é conhecida popularmente – no Rio Grande do Sul. Ele já contou em sua coluna do Futmesa Brasil, por exemplo, de como foi a Bahia numa época totalmente diferente dos dias de hoje e lá assinou o primeiro livro de regras da modalidade. A história é extensa e recomendo a todos que se interessam em saber a história do futebol de mesa, que leiam suas colunas no site que referi. A verdade que isso tudo que existe – Federação gaúcha, regras compiladas, Campeonato Brasileiro, enfim ... tudo que nos faz tão feliz e apaixonados pelo esporte, deve-se ao árduo trabalho de Adauto Celso Sambaquy. Essa figura humilde, que guardava seus times em embalagens costuradas por sua esposa, merece todo o nosso reconhecimento, o nosso aplauso , a nossa gratidão. Com esse pensamento, confeccionei a maleta abaixo. Não está a altura de sua grandeza, mas foi uma simples maneira que encontrei de homenageá-lo e mostrar meu sentimento. Obrigado, Adauto, por ter feito tudo isso que hoje nos faz feliz.”

Escrevi uma crônica homenageando-o, que foi publicada no blog Futmesa Brasil, ao que ele respondeu, através de um e-mail em 04 de março de 2011, dizendo entre outras coisas:
“Meu querido amigo, história viva do futebol de mesa!
Teria talvez, que escrever extensamente, divagando sobre tudo – futebol de mesa, seria o prato principal. Mas vou tentar ser simples e preciso.
O futebol de mesa me proporcionou imensas alegrias. Se tentasse enumerá-las talvez não conseguisse reunir todas – desde os sonhos de menino, até o inúmeros amigos que fiz e tenho até hoje.
Mas, ficaria com uma que resume tudo. Em 1993 perdi um filho de cinco anos num acidente na piscina de minha casa. Não preciso te dizer que meu mundo acabou naquele instante em que o retirei daquelas águas. Meus amigos, em especial do futebol de mesa, me abraçaram e me levaram a disputar o Campeonato Brasileiro de 1994, em Natal. Deus guiou minhas mãos  e os anjos traçaram a minha sorte – ganhei o título. Isso, por si só, já dá a dimensão do que o esporte representou em minha vida. Pois bem, se não fosse por obra de diversos abnegados  - dentre eles ADAUTO CELSO SAMBAQUY – eu não teria talvez a oportunidade de praticar a regra brasileira que ajudaste a introduzir no Rio Grande do Sul. Não teria a regra – meu primeiro livro de regras (que conservo até hoje) traz a sua assinatura. Não teria granjeado a infinidade de amigos que jogam “botão”. Enfim... como te disse teria muito a falar.
Nada mais justo do que  um humilde praticante dessa regra pela qual tanto trabalhaste, tentasse te homenagear com um simples presente.
Não ficou que queria ou pretendia, mas tua alegria já me satisfaz.
Aceita, meu querido amigo, a materialização pueril de meu mais profundo reconhecimento pelo que fizeste pelo nosso esporte. Me sinto honrado em ter tido essa oportunidade, em te dizer um pouco de tudo que penso a teu respeito e de tua obra em prol do Futebol de Mesa. Um abração”
Por tudo isso, nesse dia especial em que comemoras mais um aniversário, querido amigo Guido, saibas que no fundo de meu coração brotou uma prece ao Senhor, pedindo por sua felicidade e pela realização de todos os sonhos que ainda estão latentes em você. Obrigado por ser meu amigo e por me considerar da forma como o fazes. Pessoas como você é que fazem a diferença nesse nosso mundo.
Galeria de Fotos Guido Garcia:
Guido e seu discípulo mais eficiente: Robson Bauer
Guido e Clair no XXIX Centro Sul - Caxias do Sul
Sempre recebendo Troféus - com a Equipe HPC /Sta Vitória do Plamar  (4º Lugar em 2012)
Sempre recebendo troféus...  Guido Campeão Gaúcho de Equipes 2011
Até a semana que vem, se Deus permitir.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

... NO INÍCIO ERA CELOTEX, HOJE BOTÃOBOL...


Meus amigos, hoje lhes falarei de uma modalidade de futebol de mesa que exige uma habilidade imensa e que retrata o movimento inicial de Geraldo Cardoso Décourt. Trata-se do Botãobol ou Regra Pernambucana, tratada pelos seus adeptos como a Rainha das Regras.
A regra surgiu, ao que tudo indica, nos idos de 1940, à Rua Barão de São Borja, no bairro Boa Vista, na residência de Aldiro Santos, mas se pode dizer, sem sombras de dúvidas, ser o maior nome do celotex de todos os tempos. Seus primeiros praticantes foram Armando Francisco, conhecido entre seus amigos como “Cabeça de Ataúde”, Pedrinho Palmatória, Vilaça, Chico Aborto Barbosa, Mário Sandes, Severino Vieira, René Cezar, esse oriundo do bairro São José, onde se jogava o celotex na regra chamada de “pingue-pongue”.
Com a mudança de residência de Aldiro Santos, passaram a jogar em sua nova residência, à Rua Montevidéu, também na Boa Vista. Passou a ser jogada também na Rua da Glória, naquele bairro, na residência dos familiares de Severino Vieira, já nos anos 50.
Nova safra de botonistas surge: Gilvan Carvalho, Humberto Simons, Clóvis Sandes, Fernando “Gordo da Pipoca”, Adão Pinheiro que, juntamente, com os decanos, passaram a difundir a regra em outros bairros de Recife.
Destaque maior foi para o bairro de Estância onde pontificavam nomes como o de Lula Pesão, Hemetério, seu irmão mais novo, Paulo Felinto Gouveia de Albuquerque, o mais fanático praticante do celotex de Recife, seus primos Murilo, Aldênio e Rominho que praticavam a regra “leva-leva”.
Somente no início dos anos 60, com a união de vários grupos de botonistas foi adotada definitivamente a Regra da Boa Vista, a famosa regra da bola de borracha, da tabelinha.
Destaque para os botonistas Valdir Santa Clara, Valterlys, os irmãos Abdon e Abiud e a nova safra: Ribamar, Marcos Securinha, Tuca, Silvio Romero, Adilson, Paulinho, Nadilson, entre outros. Muitos desses botonistas se espalharam, sendo que alguns já fizeram a grande viagem e outros deixaram de jogar. Mas os que continuaram levaram a sério a prática do celotex e procuram fazer com que as novas gerações perpetuem o futebol de mesa, nome pelo qual vai ficando conhecido.
Foi de propósito de que se deixou de citar Armando Francisco, o “Armandinho”, filho de um dos pioneiros do celotex e que deu uma dinâmica maior ao esporte, mesmo utilizando outra regra, fazendo com que o jogo de botões conseguisse mais e mais adeptos. Graças à atuação desse maravilhoso botonista, a Regra da Boa Vista foi levada para as dependências do Santa Cruz Futebol Clube, onde terá grande expansão.
A Regra da Boa Vista, ou Pernambucana, ou então Botãobol viveu seu período áureo, no Recife, na década de 60. Depois, foi uma longa pausa, somente retornando nos anos 90. Seus adeptos, entretanto, frequentavam os terraços e quintais de alguns amigos, jogando inúmeras partidas de botão. A volta com força total foi em 1999, já no Santa Cruz, com a Regra de 12 Toques. Com muito esforço, os amantes do celotex conseguiram introduzir uma mesa. Depois, tudo ficou mais fácil. Acabaram engolindo a Regra de 12 toques e criaram a Associação Pernambucana de Futebol de Mesa, isso em 2002. A partir daí, nunca mais pararam.
Regra Pernambucana, a garotada reunida para comemorar...
O Quadro de Competições, recebidos de seu presidente Abiud Gomes, apresenta, desde o ano 2000, mais de noventa competições, variando o nome de seus competidores, o que atesta a paridade que existe entre seus praticantes.
O Presidente ABIUD na entrega dos prêmios aos vencedores do Campeonato
Pernambucano de 2012 (Troféu Chico Barbosa)
Acompanho assiduamente dois Blogs pernambucanos: “A Marreta” e “Chelsea F. M.”, dos botonistas Abiud Gomes e Hugo Alexandre. A Marreta foi criada como uma brincadeira que servia de motivação para os torneios e campeonatos que aconteciam no Bairro da Estância, onde Abiud morava. As edições datilografadas eram levadas todos os sábados para o local de jogos, que era na casa de seu irmão Abdon, já falecido, onde havia um campo. Com a Internet, influenciado pelos seus filhos, aderiu ao blog, que acabou herdando o nome do informativo. O lema do jornaleco era: a luta eterna pela sobrevivência do celotex.
Troféu Chico Barbosa
Em ambos são descritas em detalhes as partidas da rodada. Acompanhei o último campeonato, iniciado em 2012 e terminado no dia 2 de fevereiro de 2013, que destinaria ao campeão o troféu CHICO BARBOSA. O mesmo nome de um dos decanos que iniciaram a prática nos anos 40. Rodada a rodada, termina o primeiro turno com a vitória do Chelsea, de Hugo Alexandre. Classificaram-se os melhores colocados para a disputa da chave ouro e os demais para a prata. Se vencesse, o Chelsea seria campeão antecipado. Foi então que surgiu Marcos Antonio Silva, carinhosamente chamado de Marcos Bundão pelos seus camaradas e com o seu Botafogo foi destruindo os sonhos de todos os adversários. Venceu de forma invicta a chave Ouro e, com a vantagem do empate, foi decidir com o Hugo Alexandre o campeonato de 2012.
Lance da final Botafogo x Chelsea
Mário fazendo seu Botafogo "pegar fogo"
 Lendo a descrição da partida, tanto na Marreta como no blog do Chelsea, sentimos que deve ter sido um jogo arrepiante, cujo resultado final 5 x 5 mostra a gana que motivava os dois adversários. Chegou a estar 5 x 3 para Marcos, mas Hugo Alexandre conseguiu empatar pouco antes do toque final do relógio. Como o empate favorecia o Botafogo, o troféu Chico Barbosa descansa em sua galeria. Mas o detalhe mais importante disso tudo, e que não pode passar despercebido, é que o campeão recebeu o troféu que homenageava seu pai que o introduziu no futebol de mesa. Não é necessário dizer que lágrimas correram de muitos olhos.
Bota Campeão, recebendo o troféu com o nome de seu pai. Emocionante...
Olhando e admirando as fotos, vejo um grupo de pessoas de minha geração, cabeças brancas que jogam e brincam como se fossem meninotes. Então, temo pela continuidade do Botãobol, pois cada um de nós tem o seu tempo definido pelo Criador. Dentro de mais alguns anos serão poucos os que o praticarão. Sugiro aos amigos pernambucanos que carreguem seus netos, os amigos de seus netos e lhes ensinem esse espetacular esporte,  pois só sobreviverá o Botãobol, se for herdado por uma nova geração. Falo isso com a experiência de ter levado, em 1970, por ocasião do Primeiro Campeonato Brasileiro realizado em Salvador, três meninos que na ocasião contavam com 14/15 anos de idade. Quando saímos de Caxias do Sul, foram eles que deram continuidade ao sonho de uma entidade voltada ao futebol de mesa e, na atualidade, são os filhos deles que administram e jogam em Caxias do Sul.
A idéia gerada por Geraldo Décourt,em 1930, ganhou vida através de muitos meninos, os quais ainda hoje praticam com o mesmo entusiasmo o seu esporte. Por isso, acredito que não será difícil encontrar meninos que continuem a sua luta e ajudem na divulgação dessa regra que exige muito controle e perfeição no manejo da bolinha de borracha.
Até a semana que vem, se Deus permitir.
Sambaquy

domingo, 10 de fevereiro de 2013

OS PRIMEIROS TROFÉUS


Quando as disputas foram organizadas e iniciamos os campeonatos, fez-se necessário a destinação de prêmios aos vencedores. E as primeiras escolhas recaíram sobre taças que representavam aquilo que, quando meninos, admirávamos na sede do Juventude ou do Flamengo. Prateleiras cheias delas. As taças que eram confeccionadas em nossa cidade, tanto pelo Eberle como pelo Triches, passaram a ser nosso sonho de consumo.
Em nossos campeonatos, não havia cobrança de taxa de inscrição. Todos participavam gratuitamente e isso fazia com que procurássemos outros meios de angariar fundos para as compras das benditas taças. Fizemos um apanhado de preços e verificamos que, apesar de qualidade inferior, os da Triches eram mais convidativos. Foi lá que conseguimos por vários campeonatos abastecer os apetites dos botonistas caxienses.
Só que a variedade não era assim tão grande e começaram a ser repetitivos. O pessoal já olhava com desdém o prêmio e até ficava desestimulado. Urgia uma modificação. E isso foi feito. Na própria Metalúrgica Triches, começamos a adquirir peças individuais. Eram jogadores em posição de chute que, fundidos em metal e banhados em níquel ou cromo, eram-nos vendidos a preços ínfimos. Restava a nós a criatividade.

Pedaços de madeira de lei eram utilizados e neles colocados os jogadores. As peças de madeira, devidamente lixadas, laqueadas, com espaço para a colocação de uma plaquinha gravada, recebiam em seu dorso os jogadores e as bolas. A disputa voltava a ser acirrada para conseguir colocar uma delas em nossas prateleiras. Uma ocasião eu apanhei um pedaço de madeira que meu pai usava para fazer fogo no fogão à lenha, e entreguei a um amigo que tinha um torno, e dali nasceu um pedestal para um jogador, numa disputa de um torneio no Vasco da Gama. Estampo três modelos de troféus dessa época que eram super valorizados.
Quando a MAPRO, empresa que trabalhava com acrílicos (luminosos e seus derivados) que nos patrocinava, pois havíamos acordado com eles a fabricação de botões que seriam vendidos em todo o estado, observou os troféus em madeira, resolveu fabricar pequenos troféus em acrílico. Passaram a comprar os jogadores de metal e faziam a arte final. E assim foi por um bocado de tempo, de 1971 até quando saí de Caxias em 1973. Deles, tenho dois troféus que até hoje encantam quem pratica o nosso esporte. Também estarão sendo mostrados em fotografia nessa página.

Ao sair de Caxias e vir para Santa Catarina, consegui implantar o futebol de mesa na cidade de Brusque. Mas, aqui não havia a Triches para nos fornecer material para a fabricação de troféus e, por essa razão, voltamos ao mercado para a compra em Lojas especializadas em Blumenau, pois, em Brusque, na época ainda ninguém negociava taças, medalhas e troféus.
Hoje, vemos obras de arte sendo distribuídas em cada promoção realizada. Com certeza, os atuais botonistas não encontram as dificuldades que tivemos em nossa jornada, tendo de garimpar prêmios para serem distribuídos em diversas competições. Por isso, não eram muitas as competições que realizávamos no ano.
Além disso, a substituição do metal pelo plástico, além de baratear as peças, dá uma gama de qualidade maravilhosa, pois perdura o brilho das peças por muito mais tempo. Enfim, são outros tempos e a quantidade de competições aumentou, de forma tão imensa, que deve ser obedecido um calendário anual. Nem todos poderão se adequar a ele e, por essa razão, em algumas competições deverão estar de fora; mas os fominhas, aqueles que estão sempre aparecendo nas fotos dos premiados, estarão sempre presentes.
Atualmente, em muitas cidades há fabricantes de prêmios das mais diversas modalidades esportivas. Aqui em Itajaí, existe a METAL SPORT, que confecciona troféus, medalhas e placas personalizadas. Foram eles que criaram a arte e fizeram os diversos troféus dos dois Torneios que levaram o meu nome para o pessoal do Atlântico Sul/Marcílio Dias.  São peças lindas e realçam o futebol de mesa de maneira eloquente, pois em cada uma delas é salientado o nome de nosso esporte. Apresento também as imagens das duas artes.



Até a semana que vem, se Deus assim permitir.
Sambaquy