segunda-feira, 15 de julho de 2013

ROBSON BAUER – UM CAMPEÃO EXCEPCIONAL

Robson Bauer
Conheci esse grande botonista por ocasião dos festejos dos 45 anos da AFM. Pessoa de fino trato, afável, respeitoso e correto, um desportista que mostrou sempre o seu valor nas mesas e fora delas. Já nos encontramos diversas vezes nas realizações de competições de futebol de mesa. A última vez foi em Salvador, quando, chegado do Aeroporto subiu diretamente para a sala dos jogos, com a mala na mão, antes mesmo de registrar-se no Hotel Sol Barra. A história desse grande botonista é quase idêntica a de todos os demais.

Torneio 45 anos
Campeonato brasileiro 2012 junto de dois dos criadores da regra brasileira Sambaquy e Oldemar Seixas
Inicia-se em Pelotas, com botões de plástico, goleiros de caixa de fósforos, cheios de areia e enfeitados com as cores dos clubes e com distintivos publicados por revistas. De Pelotas passa a Santa Vitória do Palmar, já com botões puxadores de diversas cores, mas ainda em cima de Estrelões. Nosso campeão era um tremendo negociante de botões, além de fabricar em plásticos, usando tampas de fermento para moldá-los e depois raspando nas calçadas até ralar as pontas dos dedos. Foi nessa época que um de seus amigos ganhou de presente uma mesa de madeira, com goleiras fixas e redinhas. Era o máximo para aquela garotada. Os Estrelões foram aposentados sumariamente.
Em 1990, craque de futsal, descobre que seus colegas Gute e Bebé jogavam futebol de mesa. Levado por eles se encanta ao adentrar nas dependências da ASFM (Associação Santavitoriense de Futebol de Mesa). Mesas enormes, botões uniformizados, sem riscos e ranhuras, caixas sob medida para a sua guarda, bolinhas que não necessitavam ser viradas para levantarem sobre os goleiros, tudo uma grande loucura! Soube que havia fabricantes em Pelotas e solicitou ao seu pai que lhe trouxesse um time, pois assim poderia participar dos campeonatos realizados. É presenteado com um time padronizado. Seu pai trouxera de Pelotas um time branco e vermelho. Naquela noite quase não consegue dormir, olhando para os botões empilhados na cabeceira da cama.
Com eles participa ativamente, assimilando a regra e os seus macetes. A ASFM realiza um torneio denominado “Mergulhão” e, na ocasião, vários times são oferecidos à venda. Interessou-se por um e antes de negociar solicitou a opinião abalizada dos mentores Guido Garcia e Edison Rodrigues, os quais afirmaram que esse seria melhor do que o que vinha usando. Com essa compra foi aprimorando seu estilo, com muitos treinos e prestando atenção nas palavras do grande mestre Guido.
Robson no tempo de jovem na ASFM / HPC
Sua primeira participação fora dos limites da ASFM se deu na cidade de Pelotas. Foi participar do torneio “Circulão”. Nesse torneio, que marcou profundamente a sua vida, os vitorienses trouxeram para sua galeria os três primeiros lugares: Guido seria o campeão, Edison o segundo e ele, o terceiro colocado. Voltaram para Santa Vitória sentindo-se campeões mundiais, tal a satisfação que tiveram.
Com outros rapazes de sua faixa de idade, aprimorou seus treinamentos, cujos treinos começavam sérios, mas acabavam em bagunça, geralmente quando o Guido e o Edison não estavam presentes. O quarteto bagunceiro era formado por Morão (Moisés), Claiton, Cidio e Robson. Assim conseguiu aprimorar sua técnica e elevou seu padrão para o que é hoje. Quem quiser conhecer as diversas histórias desse quarteto terá de procurar os Cromos do Gothe Gol, pois aqui faltaria espaço para reproduzi-las, sendo que algumas delas são fantásticas. Aconselho a quem desejar dar risadas, que faça essa procura e leia o cromo do Robson.
Seu grande incentivador foi certamente essa figura maiúscula chamada Guido Garcia. Foi obra dele a mesa que Robson levou para a sua casa, onde realizava grandes jogos com o seu irmão Gelson e seu pai. Junto com Guido, participando em brasileiros, teve a oportunidade de observar a plástica na modalidade lisos e se encantou. Ficava extasiado, pois o jogo era praticado sem que houvesse as coberturas tradicionais da modalidade livre. Em 1997, migrou para o liso, aconselhado por seu pai que via nele a grande possibilidade de conquistas magníficas.
Em 1997 e 1998, nas cidades de Aracajú (SE) e Rio e Janeiro (RJ) sagra-se campeão brasileiro na categoria livre.
Robson e o Mestre Guido
Mas, com sua aprovação para a Faculdade, diante da carga de estudos e com apertos financeiros, sua paixão pelo futebol de mesa fica adormecida pelo espaço de dez anos. Após sua formatura, migrou por diversas cidades, até se estabelecer em Lajeado. Em 2010, ao tomar conhecimento da realização dos Jogos Abertos de Caxias, promovido pela AFM Caxias do Sul, enviou um recado, o qual foi prontamente respondido pelo Daniel Pizzamiglio, afirmando que ele seria muito bem vindo. Foi acolhido e pôde realizar o desejo de seu pai, jogando somente a modalidade recomendada. Infelizmente, nem tudo foi alegria nesse ano, pois seu querido pai sucumbiu diante da doença que o acometia há dois anos. Foi uma perda irreparável para ele e para todos de sua família.
Seu início foi arrebatador na AFM, pois consegue vencer o Torneio Inicial e o estadual por equipes, jogando pela sua Santa Vitória do Palmar.
Equipe campeã do estadual de lisos 2011 (Vinicius - Guido - Robson -Umberto)
Em 2011, sagra-se Campeão Caxiense, sendo o 17º nome a figurar no seleto grupo de campeões municipais. Além disso, no XXIX Centro Sul, realizado e promovido pela AFM, fica com o honroso vice-campeonato. Em 2012, torna-se campeão do Torneio de Inverno, promovido pela AFM e Campeão do Centro Sul, realizado em Vitória. No ano seguinte, consegue vencer e jubilar-se como campeão no tradicional Torneio Primus, na AFM e, voltando ao botão cavado, mostra que quem foi rei, nunca perde a majestade, vencendo de forma categórica o Lagoão, promovido pelo Grêmio Esportivo Lourenciano.
Campeão Centro Sul 2012
Campeão do Lagoão 2013
Esse exemplo de campeão não fica restrito somente a ele, pois está promovendo, em sua residência, campeonatos para crianças, motivando seu filho Renan a lhe seguir os passos vitoriosos.
Parabéns a esse amigo vencedor, sua esposa Luciana e ao nosso futuro campeão Renan.
Robson ao lado de seus novos amigos da AFM Caxias - sua nova família
Mario Vargas(Campeão Centro Sul 2011) / Adauto Sambaquy / Robson Bauer (vice em 2011 e campeão em 2012 do Centro Sul)
Nesta foto momento antes da decisão de 2011 em Caxias do Sul


Até a semana que vem, se Deus assim permitir.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

O ROUBO DO COLADINHO...

Essa história aconteceu há mais de sessenta anos. Naquela época, jogava muito na casa do Enio Chaulet, o qual tinha diversos times de botões puxadores. Entre eles havia um, quebrado pela metade e que fora magistralmente colado. O Enio era perfeccionista e seus botões eram imaculados, cuidadosamente polidos e o Coladinho estava ficando um pouco de lado. Certo dia, perguntei se ele venderia o botão. Relutou em desfazer-se do mesmo, até que estabeleceu um preço pelo mesmo.
Coladinho - o botão goleador
Ao saber o valor da transação, solicitei-lhe que o guardasse, pois eu o compraria. Para isso necessitaria juntar as minhas parcas reservas financeiras e me privar de matinês, lanches, doces e picolés. Estava com 14/15 anos na época. Fui guardando as minhas economias e, por fim, ataquei o cofre de moedas de minha mãe. Habilmente, colocava uma faca na abertura que permitia a colocação das moedas, fazendo com que algumas delas deslizassem para o meu bolso. Finalmente, o montante da maior transação botonística daquela época estava em meu poder.
No sábado, dia que nos reuníamos para jogar, desloquei-me até à casa do Enio. A primeira coisa foi negociar o Coladinho. Com ele no meu time, senti-me como presidente do Real Madrid ou do Barcelona. Um craque de alto valor que se reunia aos outros botões que faziam parte de meu plantel. Naquele sábado estavam lá, além de nós dois, o Dario Panarotto e um rapaz que era conhecido pela alcunha de Português. Jogamos um torneio rápido e o Coladinho começou a fazer suas vítimas, pois não errava um chute em direção ao gol. No final, o tal de Português fez um convite para participarmos de um torneio que seria realizado em sua casa no domingo pela manhã. O Enio, que era filho único teria de acompanhar a mãe assistindo à missa, e o Dario teria de compensar o sábado, trabalhando no bar de seu pai no domingo. O bar ficava na esquina da Igreja, defronte à Loja Magnabosco. Restou somente o feliz proprietário do Coladinho. Aceitei o convite, afinal estava a fim de mostrar a minha nova contratação a todos os botonistas caxienses, e a oportunidade se apresentava, embora eu nunca houvesse jogado naquela casa. O Português me informou que a mesma ficava ao lado do campo do Juventude, solicitando que aparecesse cedo, pois estariam por lá mais cinco botonistas.
No domingo pela manhã, com a minha caixinha debaixo do braço, desci a Rua Alfredo Chaves em direção ao campo do Juventude. Ao chegar ao local, já se encontravam cinco rapazes que eu não conhecia pessoalmente. Mas, quem gosta de jogar botão não escolhe adversário. Fui enfrentando um a um e vencendo, fazendo com que a fama do Coladinho aumentasse a cada novo gol conquistado. Fiz a partida final e venci. Foi então que o pessoal veio me cumprimentar, rodeando-me e dizendo que eu deveria ir jogar sempre com eles, enfim me bajulando, deixando-me no meio da roda. Eu me senti um ás, um vencedor, apesar de que não havia troféu algum em jogo. Após essa encenação, fui recolher meu time e... quase todos os botões ainda estavam em cima da mesa. Olhei incrédulo, procurando pelo mais importante e ele não estava lá. Faltava o Coladinho. Pedi que me devolvessem o botão que estava faltando. Todos fizeram cara de surpresos, afirmando que ninguém o havia pegado. Reclamei, insisti e perdi a paciência, chamando-os de bando de ladrões, salafrários, dissimulados, desonestos. Até a mãe deles apareceu na sala para saber o que estava havendo; ao saber do furto, simplesmente defendeu seus filhos e amigos, dizendo que ninguém dali pegaria um botão. Mas, não era um botão, era o botão, era o Coladinho, pelo qual eu fizera tanto sacrifício para ter em meu plantel. Não aguentei mais e chorei. Juntei os restantes, colocando-os na caixa e saí porta afora, soluçando, subindo a Alfredo Chaves, até chegar a casa, desolado. Havia feito uma compra almejada, e o botão apenas dormira em minha caixa uma noite. Fui roubado vergonhosamente. Nunca mais soube do Coladinho e também nunca mais falei com aqueles gatunos. Perdi um botão que me dera em poucos jogos imensas alegrias, mas me livrei de tornar-me amigo de pessoas desonestas.
Foi a minha primeira decepção no futebol de mesa. Muitas outras viriam a acontecer, mas a primeira a gente nunca esquece. Ao longo de minha vida de botonista tive decepções com pessoas que considerava amigas e que traíram a minha confiança. Fui enganado por pedidos dramatizados de botonista, dizendo que necessitaria de um empréstimo para cobrir um cheque para poder internar sua mãe em um hospital, com promessa de pagamento para dali a dias. Perdi dinheiro e o falso amigo. Graças a Deus eu nunca fui escravo do dinheiro e o uso para o seu fim com honestidade. Nunca deixei de cumprir minhas obrigações e acredito que continuarei assim até o fim dos meus dias. Com isso mantenho a minha consciência tranquila e fico sempre em paz na hora de dormir. Talvez, por essa razão eu sofra quando acontecem coisas assim, pois sempre procurei ajudar aqueles que considero meus amigos e nunca esperei retorno algum. Mas, pelo gigantismo que o futebol de mesa atingiu, não podemos estar imunes de sofrer decepções como às que sofri. Sempre procuro seguir à máxima que aquilo que fazemos aqui na Terra, pagaremos aqui mesmo. Por isso, ainda espero um dia encontrar o Coladinho e render-lhe homenagem, colocando-o em minha prateleira com um cartão de agradecimento pelos gols nos dois dias em que esteve em minhas mãos.

Até a semana que vem, se Deus assim permitir.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

A VERDADE ESTÁ NAS RUAS

Minha gente, quando a água bate no bumbum todo mundo se levanta de onde está e começa a procurar modificar a situação. Isso aconteceu com o nosso país, onde a roubalheira está consumindo as economias de todos nós.
Copa do Mundo é uma festa que deveria ser prestigiada, se tivéssemos condições reais para patrociná-la. Fazer uma Copa do Mundo com o sangue dos brasileiros é um crime e é isso que esses governantes idiotas estão fazendo. Confesso que não acreditava mais na juventude, em razão da má educação que está sendo aplicada no país, formando alienados de bonezinho virado na cabeça, que não respeitam nem seus pais, quanto mais pessoas idosas e mulheres. Mas, a surpresa é deveras agradável. A Internet está fazendo aquilo que as redes de televisão deveriam fazer se não fossem atreladas aos interesses governamentais, sempre de olho nas gordas verbas que estão à sua disposição todos os meses.
Pior do que isso são as manifestações de ídolos como Pelé e Ronaldo, que colocam acima de seus fãs os interesses do governo que está desmoralizado totalmente, ao ponto de um ministro afirmar que o seu partido, o mesmo da presidente, ir para a rua junto com os manifestantes. Então vão fazer manifestações contra eles mesmos? Juro que não estou conseguindo entender mais nada.
Ronaldo, que conquistou o coração de todos os brasileiros afirmou que a Copa se faz com estádios e não com hospitais. Esquece que a Copa dos Estados Unidos não apresentou nenhuma arena padrão FIFA, coisa exigida da África e agora de nós, que mal conseguimos manter nossas contas em dia. E falando de Hospitais, não pode o governo melhorar os nossos, mas constrói Hospital em Jerusalém. Nada contra, se não necessitássemos de melhorias nos nossos e até a criação de novos, com a finalidade de atender a demanda sempre crescente da população que envelhece e necessita deles.
Pelé se expõe contra as manifestações contrárias à Copa. Ninguém pensa como ele, que se consagrou através delas. Estamos vivendo em um mundo completamente diferente, pois necessitamos de muitas coisas essenciais à nossa sobrevivência: SAÚDE, EDUCAÇÃO, SEGURANÇA, HONESTIDADE, GOVERNO VOLTADO AO POVO, POLÍTICOS HONESTOS QUE DEFENDAM AQUELES QUE OS ELEGERAM, ESTRADAS, CUMPRIMENTO DAS DECISÕES DO JUDICIÁRIO, EMPREGOS, ASSISTÊNCIA SOCIAL AOS NECESSITADOS; seria  preciso escrever uma coluna inteira colocando as necessidades prementes do povo que tem de trabalhar quase cinco meses por ano para destinar aos impostos. Somos o país que tem a maior carga tributária do mundo. E, saber que o movimento da Inconfidência Mineira aconteceu por apenas 1/5 (um quinto dos infernos). Hoje, pagamos mais de dois quintos e estamos inertes diante dos desmandos de pessoas inescrupulosas que enriquecem em quatro anos, bastando assumir o poder.
Romário, bem diferente desses dois citados, desde o início prevenia que os estádios só ficariam prontos quase no final do prazo, quando seria necessário injetar verbas para a sua conclusão, isso sem falar nas licitações que seriam “esquecidas” em virtude da pressa em acabá-los. Fomos avisados e nada foi feito; estávamos embevecidos com a Copa no Brasil, coisa que hoje  é  impossível aos nossos modestos recursos financeiros
O povo brasileiro não tem condições de adquirir ingressos para assistir aos jogos da Copa do Mundo, pois estão acima de nosso poder aquisitivo. A não ser como um “certo amigo” de uma cidade do Nordeste, que pede dinheiro emprestado, não paga e depois posta no Facebook as imagens de seus ingressos para a Copa das Confederações. Só que a Copa do Mundo será no ano que vem e ele, com isso, não terá condições de enganar mais ninguém. Terá de comprar seus ingressos com o seu próprio dinheiro. O restante dos brasileiros, a grande maioria recebendo salários menores do que é dado aos presidiários, não terá condições de ajudar a FIFA a ficar com um enorme bolo financeiro à sua disposição. Realmente, quem vai ganhar dinheiro com a Copa do Mundo serão pessoas que já têm bastante dinheiro, como proprietários de Hotéis, Restaurantes, locadoras de veículos. Alguns outros ganharão umas migalhas, com muito esforço, mas por tempo limitado.
Isso sem falar em estádios Padrão FIFA, construídos onde não há equipes de futebol que disputem a primeira ou segunda divisão de nosso Campeonato Brasileiro.
Desculpem-me aqueles que defendem a Copa no Brasil, mas nós entramos em uma tremenda fria e vamos pagar muito caro por esse ato desesperado, assumido por quem nunca pensou no futuro de nossa gente. Infelizmente, quem vai pagar a conta somos nós, os trouxas brasileiros, que poderão ser salvos por essa juventude que está dando a cara a bater e sendo alvejada por balas de borracha e gás lacrimogêneo.


Até a semana que vem, se Deus assim permitir.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

ATLÂNTICO SUL FUTEBOL DE MESA – SEIS ANOS DE VIDA INTENSA

Não poderia deixar passar a oportunidade de saudar os amigos dessa agremiação tão apaixonante e a grande promotora do futebol de mesa da região balneária de Santa Catarina.
Iniciou em 23 de junho de 2007, por iniciativa de Oswaldo Fabeni, Guilherme Mello, Ivo Castro Júnior, Fernando Castro, Renan Silva, Bartolomeu Dorneles, Joel dos Anjos Junior e Luiz Carlos, reunindo-se no salão de festas do prédio em que residia o Oswaldo, Av. Brasil, 360 na esquina com a Rua 1651. Fui convidado para o Torneio alusivo à fundação do clube, onde compareci levando a fita K7 com o Hino do Botonista, cantado pelo inesquecível Geraldo Décourt.


Em 29 de junho, Oswaldo escrevia no Fotoblog do clube, que havia mantido contato comigo telefonicamente, agendando uma visita a ser realizada na próxima segunda feira. Já, no dia 03 de julho, redigiu: Ontem tive a grata satisfação de passar duas horas falando só de Futebol de Mesa com o Sr. Adauto Celso Sambaquy. Apesar de ter acabado de conhecê-lo, parecia que já havia conversado com ele inúmeras vezes, face ao carinho e cordialidade com que fui tratado. O homem é a história personificada do Futebol de Mesa. Vivenciou o nosso esporte desde os primórdios, participando da elaboração das regras e fundação de várias ligas, federações e a própria Confederação, sendo, por isso merecedor de inúmeras homenagens, como nome de troféus, torneios e mesas pelo Brasil afora. Ele possui times históricos (tudo devidamente documentado e organizado nos mínimos detalhes) de várias regras. A galeria de troféus é imensa. O tempo, lamentavelmente voou e tivemos de encerrar a visita. Está aí uma pessoa que além de amante do futebol de mesa, goza de grande prestígio no meio esportivo e social, que demonstrou nos fornecer subsídios para que possamos fazer do futebol de mesa de Santa Catarina um destaque nacional. O senhor é convidado vitalício a participar de nossos encontros. Será um grande prazer tê-lo junto a nós. Obrigado.
Só que o idealismo e a força de vontade desses desportistas não necessitariam de apoio algum, pois, desde os primeiros passos surgiram como grande potência no esporte que amamos. Começaram no salão de festas do prédio em que o Oswaldo morava, mas ficou pequeno, pois o grupo aumentava sempre. Somavam-se a eles o Rubens Olinger e Alexandre Castelli que pertenciam ao Olímpico de Blumenau. Passaram a jogar em uma sala da empresa da família Queiróz Mello Construtora.
Em 25 de agosto daquele mesmo ano, patrocinaram com enorme sucesso a V Etapa do Campeonato Catarinense de Futebol de Mesa, na Casa Hall Shopping, em Balneário Camboriú. Era o início dessa caminhada.
Em setembro, foi realizada a Taça Adauto Sambaquy, na nova sede social, anexa à Academia Snooker Bar, Rua Jorge Szarschel, 442 (estrada de Cabeçudas), em Itajaí. O clube, contando com 12 mesas em ótimas condições, numa sala acarpetada e um excelente serviço de bar, com petiscos e bebidas geladas servidas no local. Em outubro desse mesmo ano, recebemos a visita da equipe da TV Record, comandada pela editora de esportes Camila Magalhães, realizando uma excelente reportagem, com entrevistas de vários botonistas.
Os horizontes se abriram e a participação dos abnegados botonistas do Atlântico Sul começaram a mostrar-se ao mundo. Mais adesões se incorporavam ao grupo e as conquistas foram sendo aumentadas. As realizações eram concomitantes àquelas que aconteciam no mundo do futebol. Copa UEFA, Libertadores, Copa do Mundo, com torneios que homenageavam personalidades como Geraldo Décourt, Dr. Aldo Mario de Almeida e Jogos Abertos de Verão e C opa da Praia.

Partiram então para os campeonatos Brasileiros. O primeiro foi em Campinas, e o nosso querido amigo Oswaldo voltou embevecido. Afirmava constantemente que o primeiro a gente nunca esquece. O Clube Marcílio Dias resolveu encampar essa luta hercúlea e deu o seu apoio ao grupo, cedendo uma dependência no centro de Itajaí, solicitando que usassem o seu uniforme, representando-o em competições estaduais e nacionais. Com isso, os esforços foram redobrados e a sala que comporta seis mesas foi dotada de ar condicionado e uma linda estante para guardar os troféus que estão sendo amealhados em nome do clube.
Oswaldo no Brasileiro 
Equipe com a camisa do Marcílio Dias
Depois de realizarem dois torneios com o meu nome, deliberaram criar um troféu, no qual será gravado o nome do campeão anual e que ficará sempre no clube; uma posse transitória do troféu, não permitindo a sua saída da estante do clube. E colocaram nele o nome de Adauto Sambaquy, um amigo que eles conquistaram desde 2007.

Ontem foi a festa de sexto aniversário, com direito a churrasco e jogos o dia inteiro. Quem sabe, futuramente, eu diga os resultados, mas o mais importante é o clima de amizade que une esses botonistas há seis anos e que deve perdurar por muito tempo mais.

Galeria de fotos do Atlântico Sul / Marcílio Dias - Itajaí (SC)
Ivo e Sambaquy
Turma reunida na premiação do torneio
Sambaquy, Sydnei e Oswaldo
Oswaldo entre suas duas paixões
Eu também belisquei alguns troféus aqui

Até a semana que vem, se Deus assim permitir.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

LUIZ HENRIQUE ROZA - O XAVANTE MAIS ACEITO NO BRASIL.

LH.ROZA-Preparação do xavante
Eu conheci esse amigo em 1980, quando da realização do Campeonato Brasileiro na cidade de Pelotas. Só voltei a ter contato com ele quando a coluna passou a ser publicada semanalmente e, na sua terceira edição, ele postou um comentário, isso em 20 de agosto de 2010. Fui conhecê-lo por ocasião do XXIX Centro Sul, realizado em Caxias do Sul, quando tive a honra de disputar uma partida com esse verdadeiro cavalheiro do futebol de mesa.
PizzaPai, Sambaquy e Roza   / /  Horácio, Roza, Sambaquy e André
Mas, a minha intenção é apresentar aos demais amigos que prestigiam essa coluna a história desse batalhador dinâmico de nosso esporte. Recebi um histórico de suas atividades e vou reproduzi-lo, pois é uma história de amor ao futebol de mesa. Ei-la:
Tudo teve início em 30 de maio de 1953. Ao comemorar seus oito anos de idade, como presente recebe uma caixa com dois times de botões. De plástico, um vermelho com escudos do Flamengo e outro branco com a estrela solitária do Botafogo, de Garrincha. Foi amor à primeira vista, inoculando em seu sangue essa paixão pelo Futebol de Mesa. Com esse amor aflorando, mais tarde foi premiado com outro time, o Bangú. Só faltava a mesa de Eucatex, que foi feita em seguida. Ele e mais três vizinhos jogavam nas calçadas da Rua Prof. Dr. Araujo, em seu bairro. Na garagem de seu primo Gilberto Ramalho descobriu que jogavam com botões grandes e grosseiros dos “velhos casacos”. Passaram a imitá-los. Com o tempo, deram início à fabricação de seus botões com carrinhos de plástico que, derretidos, eram colocados em forminhas e depois raspavam no chão até conseguir um acabamento conveniente.
Mas, como torcedor fanático do G. E. Brasil, durante um jogo noturno realizado no Estádio Bento Freitas, escutou alguns rapazes conversando sobre o JOGO DE BOTÃO. O jogo ficou em segundo plano, pois perdendo a vergonha, aproximou-se e os questionou sobre onde jogavam. Veio o convite para conhecer a recém fundada APFM do próprio ALDYR SCHLEE. Dentre as coincidências, a data da fundação da APFM era a mesma de seu aniversário. Foi nessa data que ele conheceu o futebol de mesa, e o primeiro convite para jogar em uma associação deu-se para uma fundada no mesmo dia de sua data natalícia.
Na APM conseguiu ser Campeão do Torneio de Verão de 1984, Campeão 10º Aniversário da ASURVIC, em 1985, e Vice Campeão do Torneio de Integração ALFM X APFM (São Lourenço do Sul, em 15 de novembro de 1984).
Ochoa-Chinês-Prof.-Getulio-Ronaldo e Roza (1984)
No mês de maio de 1987, recebeu um convite da Diretoria do Círculo Operário Pelotense para ser o responsável pela fundação do Departamento de Futebol de Mesa. Convidou três amigos: João Armando Ochoa, Jader Baldez Morales e Getúlio Duval e iniciaram a procura de interessados em fazer parte do DECOP. E graças ao trabalho desse quarteto, grandes nomes do futebol de mesa gaúcho e brasileiro conquistaram tantas glórias e elevaram o nome da entidade que os abrigava.
Seus títulos no COP: 3º lugar no primeiro Campeonato Interno (1987), Campeão do Torneio Ronaldo Prietsch (1987), Campeão Torneio 21 de abril (1988), Campeão 1º Torneio de Veteranos COP (2001), 3º lugar 2º Torneio de Veteranos COP (2002), Campeão Torneio Inauguração da Mesa do River Plate (12/2002), Campeão Bola Murcha COP (2002), Vice campeão Torneio ARFM x COP (03/2003), Vice campeão Torneio verão COP (03/2003), 4º lugar no Primeiro e Segundo Turno da Taça de Bronze (12/2003).
Defendendo o COP, participou do Campeonato Estadual por Equipes, (1995) em Canguçú, 1º Torneio Florianópolis x Pelotas (11/1995), XII Torneio Centro Sul Brasileiro (06/1996) - no Tijuca Tênis Clube (RJ), XIII Torneio Centro Sul Brasileiro (1997) Florianópolis, 1º Torneio Jaguarão x COP (11/2000), Campeonato Estadual Circulista (FECORS) (10/2003).
Em 1994, seu nome foi indicado ao BBB (Botonista Bola Branca), um grupo fechado de “amigos” onde o ideal é a reunião em torno da mesa jogando o seu esporte, perto de uma churrasqueira e mais perto ainda de algumas “geladinhas”.
Nesse grupo, suas conquistas também são significativas: Vice Campeão IX Bola Branca, em 1994, na cidade de Rio Grande quando enfrentou o fenomenal campeão Brasileiro Guido Garcia, Campeão Bola Murcha BBB (1994), Vice Campeão 5º Frescão do Franz (1995), 4º Lugar XIII BBB (11/1996), Campeão do 8º Frescão do Franz (1997), Vice Campeão 2º Torneio De’ Lei (01/2001).
Agora, residindo em Joinville, passou a dedicar-se à Regra de 12 toques, participando da equipe de Joinville e posteriormente filiado ao Marcílio Dias, de Itajaí. Joga também a modalidade de dadinho. Em 2006, fez parte, com muito sucesso, da AFUMTIBA, de Curitiba, na Regra Brasileira. Frequentemente tem levado troféus para aumentar a sua galeria numerosa, pois continua sendo um excelente botonista e um amigo para todas as horas.
Roza com o pessoal da AFUMTIBA em Curtiba e no Marcílio Dias em Itajaí
Frequentemente, envia mensagens aos seus amigos futmesistas e uma delas, bem ao estilo de quase fronteiriço, é a seguinte: Los amantes Del Fútbol Botones: El futbol botones requiere habilidad e inteligência para conseguir las mejores estratégias y control emocional igual que El futbol. Es um juego de azar y tambien imprevisible em el que no siempre gana el mejor...
Para esse amigo, as suas maiores vitórias são amizades que conquistou em sua caminhada. Essas não são colocadas em estantes, mas, no coração.
Roza e seus troféus

Até a semana que vem, se Deus assim permitir

segunda-feira, 10 de junho de 2013

A ALEGRIA E A DECEPÇÃO DE UM CAMPEÃO ESTADUAL DE FUTEBOL DE MESA

Meus queridos amigos, por ocasião do XXXIX Campeonato Brasileiro, realizado em Salvador, no ano passado, recebi um telefonema do meu amigo/irmão/compadre Vicente Sacco Netto. Ao saber que eu estava na Boa Terra, participando de um campeonato brasileiro, não se fez de rogado e me intimou a comprar um time para ele, já que aquele que possuía juntamente com seus troféus, foi levado por uma enchente em seu sítio. Recomendou que procurasse um São Paulo ou então em Milan. Passei a visitar os estandes de oferta de botões, mas sabendo de seu gosto apurado, não me senti entusiasmado por nenhum.
Conversando com o amigo Enio Durante no saguão do hotel, expus-lhe essa dificuldade. O Enio, solícito, imediatamente me tirou da enrascada. Chamou para junto de nós o Adilson Montenegro seu fornecedor de botões. Ali mesmo fez a encomenda, cuja arte seria apresentada ao Vicente para sua aprovação.
Depois de mais de seis meses, o time chegou às mãos do Vicente. No mesmo dia que o recebeu, ligou-me exultante, parecendo um menino excitado com um presente há muito sonhado.
No mesmo domingo, dia 2 de junho, enviou um e-mail narrando a sua alegria, dizendo que após ter recebido o time das mãos do Enio, passou a dormir menos, pensando em seu retorno aos gramados de madeira. No dia seguinte, continua em sua narrativa, encontrou uma caixinha apropriada para acondicionar os botões. Pintou-a de vermelho, preto e branco e, na tampa, com todo o cuidado do mundo, colocou os distintivos do São Paulo e do Milan. Segundo ele, ficou maravilhosa.
Na sexta feira, decidiu telefonar para o seu amigo Professor Calderipe, colega de escola e amigo, a fim de convidá-lo para visitarem um local onde se encontram algumas mesas. Foi quando aconteceu a primeira frustração, pois o Calderipe se encontra em Punta Del Diablo – Uruguai. No dia seguinte, com a caixinha debaixo do braço procurou o primeiro dos locais informados, onde poderia praticar o futebol de mesa. Caminhou bastante e não encontrou. Acometeu-lhe uma crise de nostalgia, pois não pode contar com o meu fusquinha azul que o levava de um lado a outro em Caxias do Sul, visitando as diversas associações botonísticas. Então resolveu procurar um local indicado pelo Enio – e lá encontrou três parceiros que o receberam muito bem. Foi, então, a segunda onda de nostalgia, pois não encontrou como acontecia na década de sessenta e nas seguintes o Calegari, Puccinelli, Vanazzi, Vasques, Chicão, Fabião, Grazziotin, Schumacher, os irmãos Valiatti, o Guizoni, o Dalla Rosa, o Cláudio Mussi, o Clementino Fonseca e tantos outros que o tempo e a geografia levaram. Dia ainda, a bem da verdade, não encontrei a mim mesmo. Disseram os praticantes locais que, agora, são realizadas competições separadas para botões lisos ou cavados. Que a caída é de 6, 7, 8 graus e só se chuta ao gol de bordoada, para que a bola possa levantar um pouco. Sentiu-se perdido, tal como sapo em cancha de bochas e se limitou a dar uns chutes ao gol.
Retornou a sua casa cabisbaixo, convicto de que o tempo é implacável demais. E o pior de tudo, a saudade que sente das pessoas e mais particularmente de mim, que não abraça há mais de quarenta anos.
Realmente, foi em 1972, por ocasião do Terceiro Campeonato Brasileiro, na época Copa do Brasil que nos encontramos pela última vez.
Último encontro de Sambaquy e Vicente Sacco
Respondi-lhe, explicando que, no Congresso, por ocasião do Campeonato Brasileiro de 1978, realizado no Rio de Janeiro, por sugestão de gaúchos e cariocas, os botões cavados foram aceitos. A partir desse campeonato, os cavados foram ganhando espaço e passaram a dominar os campeonatos, até que os dirigentes da Associação Brasileira (que precedeu a Confederação) viram que eram duas modalidades de características completamente diferentes e as separaram, realizando dois campeonatos anuais nas modalidades liso e livre (cavado).
Particularmente eu entendi a frustração do Vicente, pois nos primeiros anos da Regra Brasileira, os times ficavam dentro das quatro linhas, ocorrendo um ou outro botão estar fora de jogo, nas linhas marginais. Hoje em dia, os times jogam com todos os botões praticamente do lado de fora. Nossos jogos permitiam que usássemos cinco botões levantadores, pois primavam as jogadas de efeito, procurando tirar os defensores e fazendo com que os atacantes conquistassem gols maravilhosos, encobrindo os boleiros. Nós usávamos as palhetas redondas e hoje em dia todos jogam com réguas. Até os baianos, que sempre utilizavam a unha para jogar e fazer jogadas maravilhosas passaram a usar a régua que se tornou uma unanimidade nacional. Mudou muito o nosso esporte e, talvez, isso seja um impedimento para o retorno desse primeiro campeão estadual do Rio Grande do Sul, título conquistado em 1973 na cidade de Canguçu, palco do primeiro campeonato estadual.
Quem jogou naquele tempo não consegue assimilar a maneira atual de jogar. Encontra dificuldades imensas. Foi assim com o Airton Dalla Rosa, exímio botonista que jogava classicamente e nunca deu uma cavada como as que são utilizadas na atualidade. E, também, nota-se a pouca procura dos antigos praticantes da AABB de Caxias do Sul, pois mudou muito a maneira de praticar o futebol de mesa. Sei dos esforços do Enio, que conseguiu conversar com Schumacher, Vanazzi e tantos outros botonistas, mas não conseguiu fazê-los retornar.
O tempo passou e nós paramos nele. Ficamos com aquela maneira romântica de praticar o futebol de mesa e dificilmente nos adaptaremos a esse novo jeito de jogar. Lembro ainda que, quando joguei contra o Luiz Ernesto Pizzamiglio, fui admoestado para não jogar com tantos botões atacantes; em vez de atacantes colocasse botões que pudessem cavar. Eu não sei fazer isso, não tenho precisão geométrica para fazer cavadas, as quais devem priorizar as jogadas seguintes. O melhor mesmo é ficar assistindo.

Até a semana que vem, se Deus assim permitir.

domingo, 2 de junho de 2013

ADEUS, MEU QUERIDO IRMÃO GIOVANNI ZANETTO

Essa é a segunda vez que tento escrever essa coluna de despedida. Confesso que estou ainda sob o efeito do uísque que, inutilmente, tentava fazer esquecer as passagens de nossas vidas que nos uniram como irmãos. Ele nascido em Veneza e eu em Caxias do Sul. Nem por isso deixamos de ser irmãos, pois a força que Deus impregnou dentro de nossos corações nos transformou em membros da mesma família. E isso acontecia naturalmente, pois em minha casa e na dele, entrávamos e saímos com a maior naturalidade como se estivéssemos no seio da família que nos trouxe ao mundo.
Sambaquy e Zanetto ladeando duas lindas colegas da época
Nossa vida começou ainda nos bancos escolares, quando juntos estudávamos e sofríamos nas provas e exames. Mas, levávamos tudo na maior esportividade. Juntou-se a nós o Moacyr Boff, o qual foi convidado a afastar-se do Carmo, vindo para a Escola Normal Duque de Caxias. Formou-se a maior trinca daqueles tempos, pois onde estava um estavam os três.
Lembro ainda de minha cirurgia de apêndice. No Hospital Del Mese, meus dois irmãos fizeram com que a minha mãe fosse para casa, pois eles iriam cuidar de mim. À noite, com sede pedi água, mas o médico havia recomendado que nada me fosse dado. Eles, além de negarem, ainda me faziam sofrer, pois bebiam os copos com água e a derrubavam pela janela. Foi então que acionei a enfermeira e ela, acordada na madrugada, com a cara de braba mandou que eles me dessem água. O resultado foi que acabei passando mal. Mas, éramos unidos e isso é o que valia. Foram os irmãos de minha vida que Deus me deu de mão beijada para os melhores anos de minha vida. Fazíamos tudo juntos: escoteiros, futebol e escola.
O tempo passou. Crescemos. Eu consegui passar no concurso do Banco do Brasil e ele no Banrisul. Foi a primeira separação em nossas vidas. Mesmo assim estávamos sempre juntos, pois continuamos a estudar, primeiro na escola de Contabilidade do Carmo e depois na Faculdade de Ciências Econômicas. Seguimos sempre juntos em nossa vida.
O Giovanni nunca foi um ferrenho botonista. Jogávamos de vez em quando. Junto conosco estudava o Delesson Pavão Orengo. Esse era um fanático botonista. Em sua casa, jogávamos e brigávamos  seguidamente, mas logo após estava tudo bem.
Os nossos locais de trabalho acabaram nos afastando sem, no entanto, perdermos a amizade jamais. Ficamos distantes. O Moacyr foi morar em Curitiba e o nosso time de futebol esmoreceu e acabamos nos afastando. Outras pessoas tocaram o time e nós passamos a nos aventurar na noite. Lembro ainda de namoradas que conseguíamos em diversos lugares. Em Taquara, terra natal de meu pai, duas meninas que paquerávamos nos convidaram para um baile comemorativo na cidade. Seguimos para lá e nos hospedamos em um hotel. Fizemos o maior sucesso. Mas, éramos dois rapazes sem recursos financeiros. Terminado o baile, no dia seguinte nos despedimos e de ônibus voltamos para Caxias. A vida seguia assim.
Com a minha vinda para Santa Catarina, perdemos um pouco o contato. Eu tive de reconstruir a minha vida e ele a dele. Depois de alguns anos, radicado por aqui, um amigo em comum me convidou para um jantar em um clube. Disse que faria uma surpresa. Fiquei curioso e fui. E lá estava o Giovanni, sua esposa, sua irmã Gineta e o marido Adair. Foi uma emoção enorme para mim. Voltei aos tempos de minha juventude, convivendo com aquelas pessoas que me conheceram tão bem em épocas idas. Depois disso, encontros foram mais constantes. Além disso, as meninas de nossa turma de ginásio faziam encontros, nos quais eu comparecia e o encontrava sempre alegre e satisfeito.
Foram mais de sessenta anos de amizade, de irmandade, de comunhão de pensamentos entre nós. Na última, ano passado, quando pude comparecer e disputar, mesmo que sem condições, o torneio Laborcordis na AFM, ele não compareceu. Fiquei frustrado, pois era a minha referência a sua presença. Afinal, era o meu irmão que restava, pois o Moacyr havia falecido em Curitiba. Alegando que devia estar em tratamento no Hospital, não pude encontrá-lo.
Voltando para casa, mantive contatos telefônicos com ele, quase que semanalmente. Senti então que estava se despedindo dessa vida, pois sua voz, antes tão sonora e displicente, agora era bastante agastada. Aproximei-me de sua esposa, a querida cunhada Solange, que me deixou a par da triste situação que meu irmão estava atravessando.
Na última vez que conversamos, prometi-lhe que iria a Caxias para, em sua casa tomar um café. Foi então que o meu dermatologista resolveu retirar uma ferida cancerígena de meu tornozelo esquerdo. Achei que aquilo seria fácil, mas complicou e, com isso, por mais de um mês fiquei em prisão domiciliar. Até que, na sexta feira, às 0h36 minutos a minha querida cunhada Solange me liga para dizer que meu querido irmão havia terminado sua missão no plano terrestre e partira. Que choque! As lágrimas brotaram em meus olhos e a minha sensação de impotência diante do quadro se fez anunciar. Perdera o meu irmão, o irmão que não nascera em meu lar, mas que fora entregue por Deus aos meus cuidados e que marcara a minha vida com sua amizade. Faltou-me o chão e a noite foi longa e difícil. Giovanni Zanetto foi cremado no dia seguinte e deixou para nós, que ficamos, um legado de grandes realizações e uma amizade maravilhosa.
Tenho certeza que Nosso Pai o acolheu e o juntou ao Moacyr, os quais, espero, estejam me aguardando para restaurarmos a famosa trinca dos anos cinquenta.
Senti-me triste por não ter tido a chance de me despedir de meu irmão, mas ao mesmo tempo, recordando dele, vejo-o lépido, faceiro, cheio de saúde e amigo de todas as horas. Vejo-o como sempre o vi. Saudável e sempre pronto para uma nova aventura, coisa que diariamente fazíamos em nossa juventude. Saudade é uma dor que machuca, mas, ao mesmo tempo, é algo que nos faz reviver o impossível, aquilo que já aconteceu e nunca mais se repetirá, a não ser em nossa mente.


Com saudade e lágrimas, até a semana que vem, se Deus assim permitir.