terça-feira, 16 de abril de 2013

AVISO... Adiamento da Coluna 141


Por motivos particulares relacionados com serviços ligados a outras atividades de nosso Colunista, a Coluna do Sambaquy voltará na semana vindoura falando um pouco mais do Futemesa Caxiense, Gaúcho e Nacional. Aguardem dia 22/04/2013 estaremos de volta.

AFM Caxias

segunda-feira, 8 de abril de 2013

UMA CONVERSA ENTRE DOIS “VELHOS” AMIGOS

Decourt e José Ricardo

Caríssimo amigo Sambaquy,
Tive uma surpresa muito grande ao receber um e-mail do Vander, de Belo Horizonte, com um recado seu, querendo parabenizar a iniciativa de homenagear grandes desportistas que nos deixaram, colocando seus nomes nas taças que estarão sendo disputadas durante o ano de 2008 (inclusive, ganhei a primeira!). Dizia o recado que também gostaria de voltar a manter contato comigo, depois de estarmos separados por quase trinta anos. Aqui eu me assustei: faz tudo isso? Acho que não. Como não tinha certeza, mas mantenho o péssimo habito de guardar tudo relacionado ao nosso futebol de mesa, fui atrás das pastas onde deixo algumas correspondências que julguei mais importantes, tais como aquelas que trocávamos ao mesmo tempo sem a ajuda da internet (o que hoje é uma moleza!) entre eu, você, Décourt e Getúlio. Para situar o amigo no tempo e no espaço, as nossas primeiras correspondências datam de agosto de 1980. Tirando essas, quando ainda estávamos na ativa do futebol de mesa, trocamos algumas poucas cartas em junho/julho de 1991, quando você afirma que há muito tempo está afastado do movimento e tem uma frase marcante: “eu ABANDONEI o futebol de mesa há vários anos e não quero mais retornar”. Por aqui tive um período parado, uma parte de 2001, 2002 a 2004, voltando a jogar regularmente em 2005 e 2006 e fiquei mais oito meses parado no ano passado, por algumas chateações peculiares do futebol de mesa. Mas, a minha sorte é que aqui em Brasília temos um bom grupo de amigos, uma verdadeira família, pois, mesmo parado, sempre estive em contato com eles, nem que fosse para tomar uma cervejinha ou fazer um churrasco no clube. Nesse ano, pretendemos organizar um Brasileiro por aqui, e a vontade de jogar aumentou novamente. Mas, sei bem, não tenho mais a juventude ao meu lado e percebo claramente como fica cada vez mais difícil participar de longos campeonatos. Jogo quatro partidas e chamo a ambulância com balão de oxigênio. Brincadeiras à parte,  fiz 50 anos no ano passado, estou indo para 51 agora em março, e os reflexos numa mesa são claramente mais retardados. Mas, enquanto a mão permitir vou dando as minhas palhetadas.
Eu, desde julho do ano passado estou aposentado do Banco do Brasil. Não venho fazendo nada de mais. Todos os dias deixo minhas duas filhas menores na escola, vou para o Parque da Cidade, faço um misto de caminhada/corrida, volto para casa< às vezes tem alguma coisa para fazer, outras não. Nessas oportunidades, sento na frente do computador e continuo dando asas à imaginação de um dia escrever um livro contando toda a história do futebol de mesa. Quando achei que a internet ia tornar esse sonho realidade, devido à facilidade e rapidez no entendimento, percebi também rapidamente que muita gente do futebol de mesa parece que tem alergia a escrever, a contar as coisas que aconteceram em suas cidades. Fiquei impressionado com a quantidade de gente que entrei em contato (até da regra gaúcha), explicando meu objetivo e, todos eles, sem exceção, acharam a idéia maravilhosa, que já estávamos precisando disso há muito tempo e que iam me ajudar com material histórico. Ainda bem que eu esperei sentado, pois pouquíssimos mandaram alguma coisa. A maioria indica Fulano, que diz que Beltrano é quem tem a história. Quando vou falar com Beltrano, ele diz que Sicrano é que é a memória do futebol de mesa. Persistente, eu ia atrás desse último e, não raramente me decepcionava, pois ele nada tinha. Só muita conversa e, se tem uma coisa que esse pessoal faz é conversar. Só para você ter uma idéia, nem com o nosso pessoal da regra de três toques eu consegui tudo que era possível. Já escrevi para quase todo mundo e estou perdendo as esperanças de encontra tudo o que eu queria. Tem aparecido alguma coisa em sites especializados em futebol de mesa. Mas, ainda assim, podiam ser mais completos, cuidando do seu passado e pensando no seu futuro. Muitas vezes fazem sites que têm vida curta.
Após, entra em assuntos familiares e encerra a conversa.
A resposta:
Caro amigo/irmão José Ricardo
Quanta saudade! Calculei pelo tempo em que me afastei (em 1982) que deveriam fazer mais ou menos uns trinta anos, ou quase, que não nos comunicávamos mais. Você sempre foi um referencial para mim. Aliás, Décourt, Della Torre, Getúlio, Sérgio Netto, Antonio Carlos e você eram as pessoas que eu sempre admirei jogando com a bolinha redonda. Iniciarei a minha narrativa pelo final, pelo abandono do futebol de mesa. Quando fizemos o campeonato brasileiro em Brusque, no qual você esteve presente, eu procurei uma aproximação com o pessoal de São Paulo, Rio e Brasília. Na época, viajei algumas vezes a São Paulo, Rio e até aí, em sua cidade. Acredito que o embrião do reconhecimento surgiu dessa aproximação, coisa que anteriormente seria impossível, devido às agressões verbais e atitudes de diversos caciques. Sempre apreciei o futebol de mesa como uma maneira de angariar amigos. No episódio de minha eleição à presidência da Associação Brasileira de Futebol de Mesa, por determinação de alguns caciques baianos e gaúchos, foi impugnado o nome do Eduardo Tonon Narciso da Rocha. Nossos nomes haviam sido lançados por ocasião do 1º Centro Sul, realizado em Brusque, em 1979. Falei que aceitaria outro vice, desde que convencessem o Eduardo a renunciar. Prometeram que assim seria, só que nada foi feito. Mesmo assim, assumi e levei meu mandato até o final, com a aproximação dos demais movimentos existentes. Isso, aliado ao campeonato Brasileiro, realizado em Itapetinga (BA), deu-me a certeza de que o que eu desejava para o futebol de mesa não estava acontecendo. Parei de jogar, e com a minha parada o movimento em Brusque enfraqueceu e acabou parando também. Apesar de possuir uma sede própria, fruto de um trabalho de grupo, o futebol de mesa na cidade acabou. O meu acervo, composto de sete volumes encadernados, contendo recortes de jornais, revistas, fotografias, que contavam a história do nosso esporte de 1963 até o ano 2000, pois apesar de haver parado com o futebol de mesa, acompanhava o noticiário e guardava as notícias que apareciam, está depositado na sede da AFM Caxias do Sul. Além deles, os informativos K entre Nós, Botunice Informa, Algo Mais, Jornal de Taubaté, Técnicos e Botões, Botonistar, Urudancam, Informativo de Jacareí, todos espiralados também foram entregues à AFM. Foi então que eu descobri através Futebol de Mesa News, que estava sendo criada uma Associação em Balneário Camboriú para a prática do futebol de mesa. Já havia sido procurado por um gaúcho, que desejava voltar a jogar, mas havia confessado a ele que não tinha ânimo para tal. Então, resolvi fazer a ligação do gaúcho com o pessoal que jogaria a regra de 12 toques aqui na cidade. Para minha surpresa, o presidente do Atlântico Sul veio me visitar, afirmando que seria um papo de alguns minutos. Conversamos sobre futebol de mesa e não vimos as horas passarem. Ele saiu de meu apartamento depois de grande tempo de conversa, mas convidando para assistir um torneio em sua casa. Fui até lá, no final de semana, sem compromisso, mas, para quem foi inoculado com o vírus do botão, ao ver os craques de acrílico deslizando pela mesa, não aguentei e voltei a praticar, mesmo que sem o entusiasmo e a força de antes.
Depois disso, tenho participado, mais com a presença de alguém que lutou para que isso se tornasse um esporte popular, aberto ao público, praticado por pessoas de todas as idades, sem aspirar ganhar troféus, pois esses são direitos daqueles que treinam com afinco e jogam com competitividade.
Recomendo a quem ler essa coluna e quiser colaborar com José Ricardo Caldas e Almeida, mandando notícias sobre campeonatos de suas cidades, que o faça, pois algum dia teremos a satisfação de ter a mais completa obra sobre o futebol de mesa, desde sua origem até os dias atuais. O endereço do José Ricardo é jrca1975@gmail.com.
Eduardo, José Ricardo e Paulo Cesar Farias

Pessoal de Brasilia. Zé Ricardo é o do centro

Até a semana que vem, se Deus assim permitir.
Sambaquy

segunda-feira, 1 de abril de 2013

...E O QUE ERA SONHO ACABOU ACONTECENDO...


Não pensem que é primeiro de abril, o dia da mentira, o motivo dessa coluna que estou escrevendo. Não, nada disso. Foi a concretização do sonho de todos os gaúchos que jogam a modalidade liso que estava incompleto. Marcelo Vinhas, o excelente botonista pelotense, acabou realizando o que todos previam para um futuro próximo, ganhar a categoria especial.
Marcelo Vinhas
Só que o Marcelo não queria mais esperar. Há dois anos ele beliscou e parou diante do carioca Alenio Cheble da Silva, contentando-se com o vice-campeonato. Dessa vez, preparado como nunca, enfrentou as feras que foram aparecendo em seu caminho, derrubando uma a uma, chegando à final contra o terrível baiano Gabriel Mello. E, diante dos olhos de seus conterrâneos, jogou como nunca e consolidou o grande sonho de escrever o seu nome no rol dos grandes campeões brasileiros da modalidade.
Esse amigo, dono de grande personalidade, um cavalheiro na mesa e fora dela, merecia ser mesmo o primeiro a ter a honra de figurar nessa lista tão ansiada por todos nós. Após sua gestão frente à Federação Gaúcha de Futebol de Mesa, pode dedicar-se com mais afinco aos treinamentos e isso refletiu no crescimento de seu jogo.
Já havíamos conseguido campeões brasileiros, através do Gustavo Lima (Pica Pau) nos juniores, Lauro Moretto (na categoria máster), na mesma modalidade. Ainda nos falta conquistar esse campeonato na categoria sênior. E para isso estamos com uma plêiade de botonistas maravilhosos, dedicados e jogando muito bem. Quem sabe no próximo brasileiro tenhamos a felicidade de poder inscrever mais um nome nessa relação.
Lauro Moretto

Gustavo "Pica-Pau"
Esse foi o primeiro campeonato individual na modalidade mencionada, pois, na modalidade livre, com botões cavados, já possuímos uma relação imensa de campeões, a saber: Miguel Fernando de Oliveira (1982), Victor Afranio Lima (1984), Cláudio Luiz Schemes (1985), Aldyr Rosenthal Schlee (1988), Luiz Fernando Silva (1992), Guido Antonio Stein Garcia (1994/1995), Nilmar Ulguim Ferreira (1996), Robson Betemps Bauer (1997/1998), Alex Antonio Degani Reis (2001/2008) Gilvani da Silva Moreira (2003/2004), Luiz Antonio Rodalles (2005/2009), Victor Lost Mecking (2007), Cristian Batista (2010/2011).
Como diz o ditado gaúcho, passou um boi, passa a boiada toda. Faltava essa conquista para iniciar as glórias que serão multiplicadas doravante, pois os nossos excelentes botonistas se mirarão no exemplo desse grande desportista que honrou a nova camisa da Federação.
Espero poder aumentar essa lista de campeões que figuram nas páginas da Confederação Brasileira de Futebol de Mesa, ao mesmo tempo que me congratulo com o grande Marcelo Vinhas, que trouxe essa imensa alegria a todos nós.
O primeiro título sempre é o mais difícil. Agora provamos que podemos conseguir, tenho certeza de que estaremos com um valor maior nas bolsas de apostas.
Obrigado Vinhas, e que a luta pelo bi continue sempre. Isso será um incentivo aos grandes botonistas que sonhavam atingir aquilo que você conseguiu. Valeu o esforço, Campeão.

Até a semana que vem, se Deus permitir.
Sambaquy

*Fotos de Daiam Oliveira

domingo, 24 de março de 2013

RUBENS CONSTANTINO SCHUMACHER

O Schumacher foi o último campeão caxiense jogando na Regra Gaúcha. Isso aconteceu no ano de 1966, quando o campeonato era realizado nas dependências da AABB.
Como somos da mesma idade, pois nascemos no ano de 1936, estudamos juntos, servimos o 3º Grupo de Canhões Anti Aéreos 40 mm, na cidade de Caxias do Sul, fomos colegas de Banco do Brasil, crescemos na mesma época, habitando uma Caxias bem diferente da atual.
Com o Departamento de Futebol de Mesa da AABB funcionando a todo vapor, Schumacher reuniu seus antigos botões e se incorporou ao grupo que se reunia aos sábados para disputar torneios e campeonatos. O nosso primeiro embate foi realizado em 28 de outubro de 1966, e a última ocasião em que nos encontramos foi em 4 de outubro de 1971. Foram 28 jogos, com um equilíbrio grandioso, pois ele venceu 11 vezes, empatamos 5,  e eu o venci em 12 oportunidades.
Seu time sempre foi o Fluminense F. C., clube que ele defendia com um ardor insuperável.
De 1963 até 1966 os nossos campeonatos foram realizados dentro da Regra Gaúcha, tanto na AABB como o certame citadino. Lembro de nosso jogo pelo caxiense de 1966, quando introduzi em meu time um botão recebido na correspondência vinda da Bahia. Botão liso que corria muito, diferente de nossos puxadores cavados. A bola estava no campo de defesa do Schumacher, no meu ataque, quando eu resolvi reforçar a minha defesa e atrasar um botão. Acostumado com os botões que compunham o meu time, atrasei o mais alto deles, o botão baiano do Vasco da Gama que havia recém chegado. O toque na palheta foi semelhante ao do botão puxador, só que o botão vascaíno saiu deslizando e suavemente encontrou o centro avante dele em minha área. Pênalti cometido infantilmente. Acabei sendo vencido pelo meu erro. Encostei o botão em uma ponta e não toquei mais nele até o final do jogo. Naquele tempo não podia haver substituições. Resultado: Schumacher conquistou o certame caxiense em 1966, todo ele disputado na sede social da AABB. Em 1967, com a Regra Brasileira em vigor, manda confeccionar através do senhor José Aurélio, na Bahia, um Fluminense que havia lançado um fardamento com duas listras transversais em uma camisa branca, um time com o mesmo estilo.
Custou um pouco a se acostumar com outro tipo de botões, mas quando dominou a força, ficou bastante competitivo.
Dedicou-se mais ao campeonato da AABB, conseguindo sagrar-se campeão de 1969, evitando o tri-campeonato de Sylvio Puccinelli.
Rubens Schumacher recebendo de Sergio Calegari o troféu de campeão

Como era praticante de tênis e de futebol, ao transferirmos a sede para o Edifício Martinato, parou com a disputa em certames caxienses, restringindo-se somente aos jogos do campeonato da AABB. No futebol de campo fomos bicampeões bancários de Caxias do Sul.
Bicampeão Bancário de 1973. Já tínhamos ganho o campeonato de 1971
Schumacher foi um dos grandes botonistas dos anos sessenta e, se tivesse continuado, com certeza teria escrito seu nome nos anais da história do futebol de mesa do Rio Grande do Sul.
Ainda imagino fazer um grande torneio reunindo os antigos botonistas: Rubens C. Schumacher, Paulo Luís Duarte Fabião, Adaljano Tadeu Cruz Barreto, Airton Dalla Rosa, Celso Triches, Delesson Orengo, Dirceu Vanazzi, Homero Kraemer de Abreu, Ivan Mantovani, Luiz Alfredo Gastaldello, Luiz Carlos Ponzi, Luiz Santiago Veronese Mascia, Mário de Sá Mourão, Nelson Prezzi, Osni Freitas de Oliveira, Roberto Cagliari Grazziotin, Rudy Vieira, Sérgio Silva, que sei ainda residirem nessa cidade, pois sei da impossibilidade de contar com Raymundo Antonio Rotta Vasques e Sérgio Calegari, os quais, por motivo de saúde não poderiam participar. Seria reviver momentos incríveis de nossa juventude, dos tempos difíceis da implantação de nosso esporte em terras gaúchas. Quem sabe a AFM não consiga esse milagre? Se conseguirem convidar esses mencionados, podem contar comigo, pois estarei embarcando rumo ao passado tão logo receba o convite.
Até a semana que vem, se Deus assim permitir.
Sambaquy

segunda-feira, 18 de março de 2013

RELEMBRANDO O FUTEBOL DE MESA DO PASSADO

Há algum tempo estou sendo instigado pelo ex-presidente da AFM – Rogério Prezzi - a escrever sobre os clubes que praticavam o nosso esporte. As histórias que determinaram o início do futebol de mesa na cidade de Caxias do Sul poderiam ocupar várias colunas. Com narrações pitorescas, com brigas, com intervisitação de botonistas, mas os arquivos com os recortes de jornais estão depositados em Caxias, e eu moro em Balneário Camboriú.
Poderia falar de clubes que foram atuantes e realizavam campeonatos, pois muitos que criaram departamentos somente promoviam torneios rápidos, sem se ater a longas disputas que duravam vários meses. Os que mantinham uma vida esportiva regular, com campeonatos bem organizados eram AABB, Liga de Futebol de Mesa do Recreio Guarany, Vasco da Gama Futebol Clube e Noroeste Futebol Clube. O Esporte Clube Juventus, Grêmio Esportivo Flamengo, Radio Difusora Caxiense, Banrisul e Pombal Esporte Clube não possuem registros de campeonato regular. Torneios eram realizados, mas de curta duração.

Na AABB, os botonistas eram diversos, a saber: Vicente Sacco Netto, Rubens Constantino Schumacher, Adauto Celso Sambaquy, Roberto Cagliari Grazziotin, Silvio Puccinelli, Sérgio Calegari, Nelson Mazzochi, Rubem Bergmann, Raymundo Antonio Rotta Vasques, Walmor da Silva Medeiros, Dirceu Vanazzi, Luiz Alfredo Gastaldello, Paulo Luiz Duarte Fabião, Osni Oliveira, Homero Kraemer de Abreu, Joel Garcia, Silmar Haubrich, Heitor Stumpf, Ivan Mantovani, José Fiorindo Angeli, Luiz Carlos Ponzi e Ramiro Corso. Além dos adultos, havia um departamento infantil, onde mais de dez meninos disputavam campeonatos com garra de gente grande.

No Recreio Guarany, tínhamos: Ivan Puerari, Airton Dalla Rosa, Nelson Prezzi, Almir Manfredini, Ângelo Slomp, Vitório Menegotto, Jorge Compagnoni, Sérgio Silva, Ariovaldo Sebben, Carlos Berti, José Raul de Castilhos, Marcos Meregalli, Milton Berti. Paulo Leonardi.

No Vasco da Gama, as feras eram Boby Ghizzoni, Mário Ruaro Demeneghi, Nelson Ruaro Demeneghi, Rudy Vieira, Jonas Rizzi, Aldemiro Ernesto Ulian, Augusto Peletti, Jones Almeida, Jorge Rezende, Neuri Fedrizzi
No Vasco a concorrência era grande
No Noroeste, sob o comando de Paulo Valiatti, jogavam ainda seu irmão Carlos Valiatti, Jairo Oliveira, Deodatto Maggi, José Machado, Oswaldo Costa.
Inauguração do Noroeste
No Juventus, além do Algacir Possenatto, o presidente do clube Tonietto, o diretor de futebol Sadi Rossato e Sergio Bonho eram os praticantes habituais.
Em 67 o Juventus faz sua inauguração
Na Rádio Difusora Caxiense: Gilberto Oliveira, Adelar dos Santos Neves, Getúlio Correia, Renato Monteiro, Luiz Ismar.

No Pombal, além de Dirceu Vanazzi, Aramis Stalivieri, Dario Turra, Oswalter Soares Borges e Vilson Angonese.

Isso perdurou até meados dos anos setenta, quando então arrefeceu o movimento e o futmesa ficou sem rumo, tendo então surgido a pessoa de Antonio Luiz Segatto. Num gesto de muita coragem o transferiu para o Recreio da Juventude, onde receberam a melhor sala do Estado e, nela, colocaram oito mesas, inclusive uma delas, bem mais baixa, para que os pequenos Daniel Pizzamiglio, Alexandre Prezzi e Rogério Prezzi pudessem disputar seus campeonatos, acompanhando seus pais que estavam empenhados em grandes disputas.

Depois desse período houve uma parada de 1977 até 1981, depois de 1982 a 1987, quando o futmesa deixou de ser praticado oficialmente por dez anos, voltando em 1997 através do esforço de Vanderlei Duarte que impulsionou de forma grandiosa o esporte dos botões até os dias atuais.
Os clubes que praticavam deixaram de lado o futebol de mesa, restando apenas a AABB que, comandada pelo Enio Durante, está formando craques para o futuro de nosso esporte.
Foi uma época grandiosa, pois em vários locais da cidade podíamos contar com botonistas para realizar partidas, disputar torneios e participar de nossos campeonatos. Hoje em dia, o esporte ficou centralizado na AFM e na AABB, não havendo interesse de nenhum clube em manter um departamento de futebol de mesa em sua sede social.
Até a semana que vem, se Deus permitir.
Sambaquy

domingo, 10 de março de 2013

O GOL INCRÍVEL FEITO PELO CALEGARI


Essa é mais uma das histórias acontecidas em um campeonato realizado na AABB, em Caxias do Sul. Em 21 de agosto de 1968, durante a realização de uma rodada pelo campeonato interno da AABB, o Calegari deveria jogar contra o Sylvio Puccinelli e com o Rubens Constantino Schumacher.
Jogo contra o Calegari era sempre encardido, pois o nosso colega era simplesmente inimaginável. Fazia coisas que ninguém conseguia realizar, mesmo se tentasse várias vezes. Conseguia errar a bolinha a poucos centímetros do botão, como também conseguia realizar um chute com um zagueiro atravessando o campo e marcar um golaço.
Mas, esse gol não foi de zagueiro.
Calegari, o grande gremista de sempre.

O Calegari estava levando um sufoco de seu adversário e o jogo estava empatado. A iminência de perder a partida se acentuava a cada nova jogada. Foi então que aconteceu a célebre jogada “inesquecível”. A bolinha para em cima da linha de fundo de campo. Paradinha, sem chance de construir uma jogada, pois o seu botão mais próximo estava na linha lateral do campo, a uns quinze centímetros da linha de fundo. Botonista algum pensaria em chutar ao gol uma bola daquelas. Em seu pensamento, Calegari deve ter arquitetado o seguinte: Peço ao gol e chuto para fora. Com isso recoloco a minha defesa que estava desarrumada... É o que vou fazer!
Dito e feito: Comandou com autoridade: - Prepare que eu vou chutar ao gol!
Seu adversário veio para a direção do botão que seria o chutador, olhou para o gol e colocou o goleiro em paralelo à linha de gol. Assim, se por ventura a bolinha fosse até a área pequena, não se chocaria com o goleiro e daria chance de um lateral.
Avisou que estava pronto. Os demais que estavam assistindo à partida ficaram postados, admirando a proeza imaginada pelo Calegari. Todo mundo em silêncio.
Calegari coloca a palheta em cima do botão, com o detalhe que ele jogava com uma mão somente. Olha para a bolinha, fecha um olho e pressiona com força, soltando o botão feito um bólido em direção ao disquinho imóvel na linha de fundo.
Foi então que aconteceu o inacreditável.
O botão número 7 (Tarcisio) trisca o disquinho (bolinha) de uma forma impressionante. O disquinho levanta e realiza uma trajetória encurvada, rolando em direção ao gol. Mas tudo isso de uma forma quase quadro a quadro, vagarosamente. A bolinha levanta e parte em direção à área grande adversária, entra na metade da área pequena, passa ao lado do goleiro e cai mansamente logo após a linha de gol. Ninguém queria acreditar no que estava vendo. Calegari havia conseguido marcar um gol impossível num jogo em que seu adversário se portava melhor. Foi uma festa, pois o Caligula, como era carinhosamente apelidado pelo Vicente Sacco Netto, foi pequeno para os abraços e comemorações. Não é necessário dizer que o jogo terminou 1 x 0 para o nosso herói.
Depois do jogo ele ficou tentando por mais de duas horas repetir o feito, mas nem de longe chegou perto do magistral chute. São coisas que só acontecem no futebol de mesa e para o Sérgio Calegari.
Tentei desenhar a jogada e espero que possam, através do esboço, sentir a grande dificuldade que esse gol atingiu. Em todo o meu tempo de futebol de mesa não consegui ver outra proeza semelhante a essa. Bons tempos.

Até a semana que vem se Deus assim permitir.
Sambaquy

domingo, 3 de março de 2013

A REGRA BRASILEIRA EM PORTO ALEGRE INICIOU-SE NO INTERNACIONAL.


O Departamento de Futebol de Mesa do S. C. Internacional foi inaugurado em 1969, juntamente com o  Beira Rio. Por dez anos o Departamento praticou o futebol de mesa na Regra Gaúcha, conforme palavras de seu Diretor da Divisão de Futebol de Mesa, Cláudio Schemes. Salientava que, durante este tempo, o setor foi movimentado duas ou três vezes, mas por diversos problemas não houve continuidade. Talvez, dizia Schemes, uma das grandes dificuldades encontradas até agora, é que aqui em Porto Alegre não se praticava o esporte na Regra Brasileira, ao contrário do que ocorria no restante do país. Com a organização do Torneio de Futebol de Mesa – Inter 70 anos, na Regra Brasileira, estava liberando o botonista a jogar em qualquer regra, mas a finalidade seria a incorporação da Regra Brasileira como a principal.
Cláudio Schemes
Schemes alertou que o futebol de mesa na cidade estava muito parado, existindo apenas em entidades privadas, razão pela qual estava dando esse impulso no sentido de que esse campeonato fosse a reabertura oficial do Futebol de Mesa no Inter, tentando estimular novas participações.
Temia que o tamanho das mesas fosse uma grande dificuldade, o que, aliado à padronização dos times criasse um impasse aos botonistas porto-alegrenses, acostumados com os botões puxadores da Vila Scharlau.
Na entrevista, Schemes detalhou as participações do Departamento que fora campeão estadual por equipes em 1969, na cidade de Porto Alegre e, em 1972, em Uruguaiana. Com a implantação da Regra Brasileira, já pensava no campeonato estadual que seria realizado na cidade de Jaguarão, no mês de outubro e no Brasileiro, marcado para janeiro de 1980, na cidade de Pelotas.
Para incentivar a divulgação da Regra Brasileira em solo gaúcho, visto que a capital não a praticava, o presidente da Associação Brasileira de Futebol de Mesa, Antonio Carlos Martins, deslocou-se do Rio de Janeiro, prestigiando essa iniciativa do time colorado. Segundo Martins, o esporte teve um crescimento muito grande nos últimos cinco anos, sendo praticado em 16 estados da União. O objetivo imediato da ABFM é patrocinar campeonatos estaduais, onde houver mais de uma entidade, apontando assim o seu representante para o certame nacional.
Continuando, Martins explica que estava colaborando com as Associações e Ligas mais fracas, enviando material técnico e publicações. Em âmbito internacional, continua Martins, o Brasil é um dos países mais fortes e espera, no prazo de no máximo quatro anos, promover um campeonato mundial. Finalizou, dizendo que as programações da Associação Brasileira serão o Torneio Integração, em Salvador (Ba) com a participação do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia, a se realizar de sete a nove de setembro, o Campeonato Estadual do Rio Grande do Sul, na cidade de Jaguarão e o sexto Campeonato Brasileiro, em janeiro de 1980, na cidade de Pelotas.
Torneio de Futebol de Mesa – Inter 70 anos, realizado em âmbito nacional, reuniu equipes do Rio de Janeiro, Florianópolis, Brusque, Pelotas, Caxias, Jaguarão e do anfitrião.
Na fase eliminatória, classificaram-se: Chave A – Rio de Janeiro (Antonio Carlos Martins), Chave B – Caxias do Sul (Luiz Ernesto Pizzamiglio) – Chave C – Jaguarão (Moisés Timm) e Chave D – Internacional (Alexandre Gonçalves).
No quadrangular final, os resultados foram: Rio de Janeiro 3 x 0 Caxias, Jaguarão 2 x 0 Internacional, Caxias 3 x 2 Jaguarão, Internacional 0 x 2 Rio de Janeiro, Jaguarão 4 x 2 Rio de Janeiro, Internacional 0 x 4 Caxias.
No Gigantinho. Na primeira foto estou jogando contra o Aldyr R. Schlee e seu
Brasil de Pelotas.
A classificação final ficou sendo a seguinte:
Campeão – Caxias do Sul (Luiz Ernesto Pizzamiglio)
2º lugar – Jaguarão (Moises Timm)
3º lugar – Rio de Janeiro (Antonio Carlos Martins
4º lugar – Internacional (Alexandre Gonçalves)
Pizzamiglio, o grande campeão do Torneio de Futebol de Mesa INTER 70 ANOS (foto Atual)
Portanto, em 1979, a Folha da Manhã publicava o resultado final, as reportagens com as duas figuras maiores de nosso esporte e enaltecia Caxias do Sul como a entidade que, pela primeira vez estava levantando um troféu de campeão em plena capital gaúcha.
Reportagem da Folha da Manhã

Após essa iniciativa do inesquecível Cláudio Schemes, ninguém mais segurou a caminhada de nosso esporte e as dificuldades iniciais acabaram no esquecimento, tendo, desde então surgido grandes centros promotores da Regra Brasileira, engrandecendo o futebol de mesa gaúcho.

Até a semana que vem, se Deus assim permitir.
Sambaquy