segunda-feira, 25 de junho de 2012

CURIOSIDADES EM TORNO DE UM SONHO... UM GRANDE SONHO


Após escrever cem colunas para o blog da AFM, os assuntos começam a ficar escassos e por isso devo sempre recorrer à memória e a alguns textos que guardei, após ter enviado a minha coletânea guardada para Caxias.
Abrindo uma página impressa da Confederação Brasileira de Futebol de Mesa, deparei-me com o título CURIOSIDADES. Pois será essa a motivação para essa coluna.
O início da regra do disco deu-se na Associação de Alagoinhas, no ano de 1959, seguindo daí para as demais cidades da Bahia e, de lá, para todo o nordeste. O primeiro evento regional ocorreu, em 1969, na cidade de Recife e foi denominado de Nordestão. Reuniam-se na competição os estados que praticavam a regra do disco em todo nordeste brasileiro. Seu campeão foi Webber Seixas da Bahia.
A Bahia foi o centro polarizador do futebol de mesa na região e, por essa razão, a regra passou a ser conhecida como Regra Baiana. Em quase todos os bairros de Salvador havia clubes, onde os campeonatos eram disputados acirradamente entre seus associados.
O primeiro evento considerado nacional, que reuniu brasileiros do nordeste e do sul, foi realizado em Caxias do Sul, em julho de 1966, na comemoração do primeiro aniversário da Liga Caxiense de Futebol de Mesa. Junto aos filiados da Federação Riograndense de Futebol de Mesa estiveram dois baianos, filiados à Liga Baiana de Futebol de Mesa. Esse evento foi disputado na Regra Gaúcha. Havia enorme diferença entre as duas regras e, para surpresa de todos os participantes, o baiano Ademar Carvalho chegou à final do torneio, só sendo derrotado por marcar um gol contra ao atrasar uma bolinha para seu goleiro. Como jogava com botões muito maiores e mais pesados que os utilizados pelos gaúchos e, além disso, lisos, em sua base, o botão ganhou velocidade e empurrou o goleiro e bolinha para o fundo das redes.
Isso serviu para mostrar a qualidade do botonismo baiano, diante do praticado no sul. Após o término do torneio, os dois baianos, numa mesa especialmente preparada, fizeram uma partida de demonstração de sua regra. Foi a gota d’água para que ficássemos motivados no sentido de uma regra única, atando o norte ao sul do país, visando, sempre, a uma disputa em caráter nacional. Foi o embrião da Regra Brasileira, desenvolvida em estudos por gaúchos e baianos, que acabou sendo gerada em janeiro de 1967.
Três anos depois de sua criação, o grande sonho de todos os botonistas seria realizado. Em janeiro de 1970, nas dependências do Clube Espanhol, em Salvador, realiza-se o Primeiro Campeonato Brasileiro de Futebol de Mesa. Nele, marcaram presença representantes de seis estados que, prontamente, adotaram a Regra Brasileira: Bahia (anfitriã), Sergipe, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.
Ademar Carvalho (presidente da Liga Baiana) abrindo a cerimônia que
antecedeu ao Primeiro Campeonato Brasileiro em Salvador.
Sentados: José Gomes (Sergipe) Adauto Sambaquy (RGS), Ivan Lima (Pernambuco)
João Paulo Mury (Rio de Janeiro) e Oldemar Seixas (Bahia)

Equipe do RGS no Brasileiro - Todos de Caxias do Sul
O primeiro campeonato Centro Sul foi realizado em Brusque (SC) e, na ocasião, foi denominado de Sul-Brasileiro de Futebol de Mesa. Seu vencedor foi Dirnei Bottino Custódio, representando Santana do Livramento. Sua criação foi cópia dos Nordestões que reuniam os praticantes do botonismo no nordeste brasileiro. Agora, teríamos o nosso campeonato, agrupando os botonistas sulistas. A idéia vingou e já chegamos à XXX edição.
O futebol de mesa crescia bastante, mas carecia de divulgação, onde os aficionados pudessem conhecer o que se passava em outras agremiações, não só de seu estado, mas de todo o território nacional. As revistas especializadas em esportes raramente nos concediam espaço para a divulgação. E quando isso acontecia, travavam-se batalhas que mais serviam para distanciar os praticantes das diversas regras existentes.
Então, na década de oitenta, alguns abnegados começam a editar boletins tipo tablóides, noticiando as atividades de suas agremiações. Isso serviu para aproximar os botonistas das diversas regras, muito embora alguns fossem radicais em seus pontos de vista. Aceitavam a sua maneira de jogar, desprezando as demais. Ao assumir a presidência da Associação Brasileira de Futebol de Mesa, em 1981, realizei diversas viagens para encontrar essas pessoas que dirigiam entidades, as quais não praticavam a nossa Regra Brasileira. E, com alegria, fomos sempre respeitados e bem aceitos entre eles. Foi o elo que se tornou poderoso e modificador das lutas isoladas que foram dando lugar a um único objetivo. A fundação da Confederação Brasileira de Futebol de Mesa.
Com o advento da Internet e a criação dos blogs, a velocidade da informação transformou as distâncias, reduzindo-as, fazendo com que possamos estar em todo o país em questão de segundos. Assim, e em função do crescimento de nosso esporte, desenvolveu-se uma indústria paralela que agiliza,  de maneira espetacular, a divulgação do futebol de mesa.
No início, eram apenas uns poucos fabricantes de botões e quase todos eles no nordeste. Nos anos oitenta, quando da aproximação com as demais regras, os botões fabricados na Bahia e em Sergipe foram mostrados aos demais praticantes brasileiros. Em São Paulo, usavam os botões vidrilhas (tampa de relógio). Aos poucos, foi sendo utilizado o acrílico e os botões modificados para melhor. Hoje em dia, os botões de vidrilhas só estão de posse dos colecionadores. Além de fabricantes de botões, desenvolveram-se outras atividades que enriqueceram os botonistas: fábricas de arenas, de maletas para acondicionar os botões, bolinhas, traves, réguas, fichas, etc, além do desenvolvimento na criação de troféus especiais para premiar os vencedores de campeonatos.
Mas, o que é mais importante em tudo isso, acima descrito, são as amizades que conquistamos. Os encontros são aguardados com expectativa inusitada e sempre com a esperança de rever esse ou aquele amigo que há muito não vemos. E os abraços são os melhores troféus que guardamos, pois serão eles que nos acompanharão até o final de nossa jornada terrena. Os amigos são a maior conquista que o futebol de mesa nos concedeu. E isso está eternizado na criação que Claudio Schemes e Luiz Alfredo De Bôer, com mais alguns amigos da velha guarda fizeram dos BOTONISTAS BOLA BRANCA. Que coisa mais linda ler notícias sobre esses ícones do nosso esporte que se reúnem para fazer aquilo de que mais gostam: jogar botão.
Cláudio Schemes
E dizer que tudo isso está acontecendo por que perseguimos um sonho, um sonho que se tornou realidade, que sempre foi o de reunir amigos, jogando futebol de mesa, divertindo-se e mostrando que a felicidade é algo que está ao nosso alcance; basta estender a mão e apanhá-la. E eu posso dizer que tive esse sonho e ele foi tornado realidade. E, dentro dessa realidade, possuo um milhão de amigos que praticam o futebol de mesa, o esporte que sempre amei.
Mais Fotos de momentos marcantes:

2º Campeonato Brasileiro - Recife 1971

3º Campeonato Brasileiro - Caxias do Sul

4º Campeonato Brasileiro - Jaguarão
PRIMEIRO CAMPEONATO BRASILEIRO DE FUTEBOL DE MESA, em 1970, em Salvador.
Sambaquy, Ivan Lima (Pernambuco), João Paulo Mury (Rio de Janeiro) e Oldemar
Seixas, distribuindo flâmulas(Bahia).

Encontro com os dirigentes paulistas Geraldo Cardoso Décourt e Antonio
Maria Della Torre no ano de 1981, em São Paulo

Com o presidente da Confederação Brasileira de Futebol de Mesa - Jorge Farah

Até a semana que vem, se Deus permitir.
Sambaquy

segunda-feira, 18 de junho de 2012

NA CENTÉSIMA COLUNA, A MINHA HOMENAGEM AO PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO GAÚCHA.


No dia 16 de agosto de 2010, atendendo a um pedido de meu filhão Daniel Maciel, a primeira das minhas colunas é mostrada aos amigos do futebol de mesa brasileiro. Era apenas a primeira, pois, como dizia o Maciel, eu tinha muita carta escondida na manga para exibir no jogo da vida. E, semanalmente, continuamos a escrever, ora contando casos ocorridos, ora comentando acontecimentos da atualidade.
E isso tudo serviu para me fazer retornar ao mundo do futebol de mesa. Afinal, desde dezembro de 1986 eu estive afastado desse movimento que ajudei a criar na década de sessenta. Tive aparições esporádicas, como em 2 de setembro de 1994, quando, em Salvador, joguei uma partida contra Oldemar Seixas. Depois dela, só fui jogar novamente em 16 de novembro de 2002, dessa vez em Caxias, contra Fernando Casara, quando me presentearam com um time do G. E. Flamengo. Ao voltar novamente a jogar, em 21 de janeiro de 2004, tive a alegria imensa de jogar contra dois expoentes do futebol de mesa caxiense: Vanderlei Duarte e Daniel Alves Maciel.
Depois disso, joguei novamente na Regra Brasileira em 24 de junho de 2011, quando me obrigaram a jogar contra as feras Marcos Fúlvio de Lucena Barbosa, Paulo Roberto Schemes e Luiz Henrique Roza. De agosto de 2007 até maio de 2012, tenho me dedicado a jogar na Regra de 12 Toques com o pessoal de Itajaí. Mas, devido à distância entre Balneário e Itajaí, nem sempre estou disponível para participar, e o faço uma ou duas vezes por mês. Já não existe aquela vontade imensa de jogar, e o peso da idade atrapalha muito o meu desempenho. Perco muitos jogos para aqueles que treinam continuamente. Imagine se tivesse condições de disputar campeonatos com pessoas que estão praticando, ativamente, o nosso esporte na Regra Brasileira. Gosto de apreciar e sentir o entusiasmo de todos os botonistas, mas já estou no time dos aposentados.
Por essa razão, eu transferi a minha vontade de jogar para satisfazer o desejo de meu filhão Daniel, escrevendo essas colunas, para manter o blog da AFM sempre atualizado. Semanalmente, há uma coluna nova que é lida por muita gente nesse país. E com ela eu vou me sentindo ainda praticante do futebol de mesa.
E isso tudo eu devo ao nosso primeiro caxiense que exerce  a presidência da Federação Gaúcha de Futebol de Mesa, em caráter oficial, desenvolvendo um excelente trabalho, inclusive dando guarida às demais regras que pululam em todos os cantos. Acompanho diversos blogs e vejo a participação do Daniel Maciel, ora prestigiando certames de livres ou, de lisos ou, até mesmo, na regra de 12 toques. Isso mostra que para mentes abertas não há dificuldade em aceitar vontades diferentes das nossas. Sei bem que ele é um defensor ardente da modalidade liso, mas nem por isso deixou de prestigiar as demais. Tudo isso fará com que a união de todos não faça nosso esporte desaparecer.
Tive a honra de recebê-lo em minha casa por duas vezes, quando esteve por Santa Catarina, sempre com sua querida Flavia Francine que o incentiva, sendo sua maior torcedora. Na segunda visita, trouxe sua família consigo e tive a honra de conhecer pessoas maravilhosas, as quais me acolheram em sua casa, por ocasião do XXIX Centro Sul, em um churrasco inesquecível, com direito à música ao vivo, cantada por seus pais que foram um dueto harmonioso. São pessoas de elevada índole e que apoiam as atividades do Daniel, sendo que um dos quartos da casa de seus pais é ocupado para guardar a imensa galeria de troféus que meu filhão já angariou em seus poucos anos de prática constante. Ao ver essa quantidade, confesso que fiquei envergonhado de minha galeria. Não dá nem 10% daquilo que o Daniel já beliscou por esse nosso Brasil.
Sambaquy em visita a casa dos pais de Maciel
Essa é a razão de homenagear essa pessoa fabulosa que a AFM tem o privilégio de ter em seu quadro. “Quem sai aos seus não degenera”. Daniel Alves Maciel saiu aos seus e é por essa razão que o convívio é muito salutar entre todos eles. Foi através dele que seus parentes Paulo e Mário acabaram aderindo ao futebol de mesa e enriquecem os quadros da Associação mais antiga do Rio Grande do Sul, que beira o seu cinquentenário dentro de poucos anos.
Em 25 de julho de 2011 eu já havia escrito a profecia do Vanderlei Duarte quando me apresentou o Daniel: - Vais conhecer um guri que vai fazer muito pelo futebol de mesa. E como está fazendo, pois dinamizou a AFM e, agora, com pulso forte dirige a Federação Gaúcha. Foi para atender o seu pedido que essas colunas se tornaram constantes e atingem, nesta data, os três dígitos.
Como afirmei acima, adotei-o como filho e meu sucessor na história desse esporte tão envolvente que amamos e que nos torna irmãos. Ainda espero que ele consiga ser campeão brasileiro, coisa possível em muito pouco tempo. Tenho certeza de que conseguindo dominar seus nervos, ninguém o segurará e o troféu maior do botonismo nacional será, orgulhosamente, exibido nas galerias vitoriosas da nossa querida AFM.
Obrigado novamente, meu filhão, presidente da Federação Gaúcha de Futebol  de Mesa, por seres essa pessoa extraordinária, com brilho próprio e que se destaca no cenário esportivo de nosso país. Graças a pessoas como você, o nosso esporte crescerá constantemente, e um dia conseguiremos  mostrar ao mundo que a Regra Brasileira foi criada para ficar eternizada em todos os corações.


Airton Dalla Rosa, Daniel Maciel e Adauto Sambaquy - Festa de 45 anos de entidade

Maciel e Sambaquy - Visita a Bal. Camboriú

Maciel recebe de Sambaquy mais um de tantos troféus de sua grande galeria

Até o mês de julho, se Deus permitir.
Sambaquy

segunda-feira, 11 de junho de 2012

O TEMPO NÃO EXISTE QUANDO REALIZAMOS UM TRABALHO QUE NOS EMPOLGA.


Parece que foi ontem que nos reunimos, a meu pedido, no intervalo de uma das minhas aulas na Faculdade de Ciências Econômicas de Caxias do Sul, com a intenção de fundarmos a nossa Liga Caxiense de Futebol de Mesa.
Era um grupo de amigos que gostavam de praticar o futebol de botões. Como todos comungavam da mesma vontade, a reunião foi rápida e, ao sairmos do Centro Acadêmico Amaro Cavalcanti, já havia nascido a entidade que regeria nossos caminhos dali em diante.
Nada foi fácil, pois poucos eram os que dispunham de tempo para se dedicarem a embalar o bebê que nascera. Mas, aos poucos, ele foi se desenvolvendo e rapidamente dava seus primeiros passos.
Nessa época nós praticávamos a “antiga Regra Gaúcha”. Nessa antiga regra, havia maneiras indescritíveis de conseguir marcar goles, sem que o adversário conseguisse jogar. Explico melhor, pois muita coisa mudou e, talvez, aqueles que hoje a praticam nem imaginem as aberrações de seu início. Marcos Lisboa era hábil em realizar essas proezas. Seu time, todo de botões puxadores, tinha um zagueiro com um dos lados retos. Nem por decreto conseguia levantar a bolinha. Pois, o Marcos batia o tiro de meta e jogava a bolinha de encontro a um dos laterais adversários, conseguindo um lateral. Desse lateral, batido com esse botão reto, jogava contra outro botão adversário e conseguia mais um lateral. Com esse lateral, já no campo de ataque, ele cobrava jogando a bolinha contra um zagueiro e fazia com que esse cedesse um escanteio. Aí, então, a coisa ficava feia para seu adversário, pois o escanteio era batido e para isso colocavam-se três botões em posição inclinada em relação ao goleiro.  Mandava colocar o goleiro e batia o escanteio para que a bolinha batesse em um dos três botões e encobrisse, dessa forma, o arqueiro, marcando o gol. Até então, o seu adversário apenas colocara o goleiro e teria de apanhar a bolinha no fundo das redes para dar nova saída.
Essa era uma das “brigas” que tínhamos, pois muita gente jogava apenas para conseguir escanteios, eis que se especializara nessas cobranças.
Após o Torneio de Aniversário que promovemos com o pessoal da Federação e com convidados baianos, foi que vimos uma maneira diferente de praticar o futebol de mesa. Mas não pensem que na baiana também não havia aberrações! Havia e não eram poucas. Uma delas era o “carrinho”. O “carrinho” era utilizado para entrar numa cerquinha efetuada com dois a três botões. O praticante do “carrinho” jogava seu botão contra um ou dois botões adversários, sem triscar a bolinha, e se os botões tocados não se afastassem um centímetro de onde estavam não seria falta. Com isso conseguiam entrar nas “cerquinhas” que eram comuns naquele tempo.
Aproveitando uma mensagem que recebi, via Internet, retiro esse pensamento:" O que fizemos já não podemos desfazer. O mais importante é aprender com o passado, para aprender a jogar no presente e assim no futuro nos movermos com maior liberdade.”
Ao adotarmos a Regra Brasileira, sem as aberrações ridículas que desmereciam o jogo, muitos dos antigos botonistas que haviam se especializado naquela regra gaúcha não conseguiram se adaptar. Foi o caso do Marcos Lisboa, Deodatto Maggi, Renato M. Muller, Dauro Brandão de Mello, Delesson Orengo, Ivan Mantovani, Pedro Massignani, Francisco Rebstein, José Raul de Castilhos, Saul Henrique Vanelli, Enio Chaulet e Antonio Azevedo. Mas, a adesão de novos botonistas foi imediata. Ter um time padronizado foi uma febre que atingiu até pessoas que nunca haviam praticado o futebol de mesa, como Dirceu Vanazzi, Rubens Bergmann, Luiz Alfredo Gastaldello, Homero Kraemer de Abreu, Heitor Stumpf, que se uniram ao Paulo Luís Duarte Fabião, Vicente Sacco Netto, Sérgio Calegari, Raymundo Antonio Rotta Vasques, Airton Dalla Rosa, Almir Manfredini, Angelo Slomp, Nelson Prezzi, Sérgio Silva, Paulo Valiatti, Carlos Valiatti, Silvio Puccinelli, Marcos Zeni, Vanderlei Duarte, Jorge Compagnoni, Roberto Grazziotin, Rubens Constantino Schumacher para realizarmos campeonatos maravilhosos, a partir de 1967, ano em que iniciamos na Regra Brasileira.
Por isso, meus amigos, não deixem para fazer as coisas amanhã, pois poderá ser tarde demais. Façam, hoje, tudo o que tiverem vontade. Soprem aos ventos os seus sonhos, eles se espalharão e voltarão a vocês em forma de realidade.
Até a semana que vem, se Deus assim permitir.
Sambaquy

domingo, 3 de junho de 2012

QUE ALEGRIA! O FUTURO DA AFM CAXIAS DO SUL JÁ CHEGOU...

Começar a semana com notícias alegres é sensacional.
Há uma tradição no botonismo caxiense desde o início dos anos sessenta, quando foram iniciadas as disputas de campeonatos, de prestigiar os jovens valores. Naqueles distantes anos, os meninos do Recreio Guarany, tendo, entre tantos jovens, dois baluartes chamados Airton Dalla Rosa e Nelson Prezzi que tantas conquistas conseguiram para a galeria de troféus da AFM. Nós disputamos apenas dois campeonatos na Regra Gaúcha. O primeiro, em 1965, onde somente a categoria especial disputava e o segundo, organizado por nós, com as disputas de todas as categorias: infantil, juvenil e adulto. Lembro que nosso representante na categoria infantil foi o Almir Manfredini e, no juvenil, o Airton Dalla Rosa. Foi o primeiro passo no sentido de colocar a meninada no circuito botonístico e eles ficaram felizes.
Airton Dalla Rosa e Nelson Prezzi, Dois dos meninos do Guarany do passado e hj presente em eventos da AFM Caxias
Depois, outros jovens vieram incorporar-se: Vanderlei Duarte, Luiz Ernesto Pizzamiglio, Marcos Barbosa, Marcos Zeni, Adaljano Tadeu Barreto que disputavam partidas com os mais velhos, dando-lhes um tremendo calor com a sua ofensividade. 
Zeni (Ponte Preta), Luiz Pizzamilgio (Vasco) e Adaljano Barreto (Juventude)
Outros foram aparecendo, como o Daniel Crosa, que foi colega de minha filha Carla no Colégio do Carmo. Pela idade, ele poderia ser meu filho. Mais recentemente, Daniel Pizzamiglio, Carraro, Rogério e Alexandre Prezzi, Daniel Maciel, Mário Vargas e todos os seus parentes foram chegando e tomando conta, fazendo com que a revigoração sempre fosse renovada.
À Esq Daniel Pizzamiglio e Alexandre Prezzi  jogando ainda na época do Recreio da Juventude e a dir. eles no final do ano passado ao lado de Mario Vargas e Daniel Maciel recebendo premiação do Torneio Labocórdis
Felizmente, as idéias foram lançadas em terra fértil, e todos eles acabaram sentindo que deve haver sangue novo para a continuidade desse esporte que todos nós amamos. Então foram adotados dois meninos para cumprirem a missão da continuidade. Hemerson e Gustavo(Pica-Pau) foram aceitos e, desde seus primeiros chutes, foram sendo lapidados da forma mais clara, precisa e valiosa. Estão se transformando em dois diamantes raros.
Por isso, para quem foi um dos criadores da entidade, tomar conhecimento de que, dos oito troféus de campeão e vice, disputados no XXX Centro Sul no Rio de Janeiro, três ficaram em mãos de quem usa as mesas da AFM para se aprimorar, a alegria tomou conta de meu ser.
Indiscutivelmente, nós atingimos um patamar de celebridade. Estamos no nível dos maiores botonistas brasileiros e estamos aptos para abiscoitar, em Salvador, o sonho tão almejado desde 1965: Campeão Brasileiro.
Daniel Crosa, o engenheiro das mesas, o dedicado, o batalhador foi vice campeão sênior. Saiba, Crosa, que esse é um título maravilhoso e engrandecerá imensamente não só a você como a todos os companheiros de lutas. Parabéns, meu amigo, você mereceu.
Robson Bauer, que também é nosso, apesar de estar vinculado à Santa Vitória do Palmar, aquela terra maravilhosa de gente fabulosa, na verdade é campeão caxiense de 2011. Então, a glória também será nossa. Merecida conquista para quem já bateu na trave no ano passado e, depois de tomar e dar aulas nas mesas caxienses, aumentou sobremaneira o seu jogo que já era diferenciado. Parabéns, meu amigo, você mereceu.
Mas, para mim, a grande e incomensurável alegria ficou por conta desses dois pequenos gigantes que estamos entregando ao mundo do futebol de mesa: Gustavo e Hemerson. Minha gente, olhem bem para a foto do grupo em que eles participaram. Ambos, Gustavo e Hemerson eram os menores. Os meninos cariocas todos maiores, com pinta de adultos, sucumbiram diante de nossos pequenos gigantes. Vocês foram a glória de todos nós. A alegria de poder mostrar a todos os meus amigos as fotos desses meninos vencedores foi imensa. Eu me senti realizado e feliz, pois sei que o futuro chegou à AFM e, por muito tempo, nós teremos campeões entre nós. As conquistas dos dois servirão de estímulo aos nossos botonistas que defenderão nossas cores em Salvador, em novembro. Bem diferente daquele janeiro de 1970, quando participamos do primeiro Campeonato Brasileiro, com três meninos na faixa dos 14/15 anos e não fizemos feio, apesar do pouco tempo de prática da Regra Brasileira. Hoje, nós iremos preparados para lutar contra tudo e contra todos. Meus dois meninos de ouro, muito obrigado, mas obrigado mesmo por mostrarem que os sonhos podem ser realizados.
Gustavo "Pica-Pau" (1º a esq) e Hemerson (1º da dir) o futuro da AFM Caxias  fazendo bonito no presente
Até a semana que vem, se Deus permitir.
Sambaquy

domingo, 27 de maio de 2012

JOMAR MOURA GANHOU O CERTAME BRASILEIRO DE FUTEBOL DE MESA.

O Jornal da Bahia, na edição de segunda feira, dia 13 de fevereiro de 1978, estampou esse título, na nota que transcrevo abaixo:
O baiano Jomar Moura, sagrou-se campeão brasileiro de futebol de mesa em certame disputado no Rio de Janeiro na sede do Sport Club Mackenzie. O IV Campeonato Brasileiro de Futebol de Mesa contou com a participação de oito estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Sergipe, Alagoas, Rio Grande do Norte, tendo participado 34 técnicos.
A delegação da Bahia esteve formada por Jomar Moura (campeão baiano/77), Geovanne Moscovitz (Campeão Brasileiro de 1976), Nelson Carvalho, Paulo Cortes, Vilno Oliveira e Marialvo Santos.
As disputas foram realizadas por chaves, sendo a primeira fase formada por seis chaves de quatro clubes e duas de cinco. Foram classificados dois clubes de cada chave, num total de 16. Em seguida, foram disputados os jogos num tempo de cinquenta minutos, sendo 25 em cada fase. O campeão brasileiro, Jomar Moura, venceu na final a Marcos Fúlvio Barbosa pelo marcador de 4 x 2. Para se tornar campeão, Jomar teve de realizar onze jogos, com os seguintes resultados: 3 x 0 no Rio de Janeiro, 5 x 2 no Espírito Santo, 3 x 3 com o Rio Grande do Sul, 2 x 1 em Alagoas, 2 x 1 em Pelotas (RS), 2 x 0 em Jaguarão (RS), 1 x 0 no Rio de Janeiro, 2 x 2 em Caxias do Sul (RS), 3 x 0 no Rio de Janeiro e 4 x 2 em Caxias do Sul (RS).
A Bahia já venceu os Campeonatos Brasileiros em 1971 (Recife- PE), 1976 (Jaguarão – RS) e, neste ano, no Rio de Janeiro. As delegações que foram participar do IV Campeonato Brasileiro de Futebol de Mesa ficaram hospedadas no CEFAN – Centro de Educação Física Alberto Nunes.
No encerramento do certame nacional, o professor Antonio Carlos Martins ofereceu um jantar no Alto da Boa Vista, ocasião em que foi entregue o troféu de Campeão Brasileiro. Também ficou decidido nessa oportunidade onde seria a sede do próximo campeonato brasileiro, sendo escolhida a cidade de Vitória no estado do Espírito Santo. A data também foi fixada para janeiro de 1980.
Os baianos sempre obtiveram boas classificações em todos os campeonatos e torneios que têm participado e a galeria de troféus da Associação de Futebol de Mesa da Bahia é um atestado da performance dos nossos técnicos. A Associação, que está situada na Rua General Argolo, 35, além de ser bem instalada, é muito bem dirigida por uma equipe de esportistas que tudo tem feito para elevar essa modalidade.”
Esse campeonato permitiu que a Assembléia decidisse sobre a participação de botões cavados (livres) nas competições, pois, até então, havia a predominância de botões lisos em todas as disputas. No entanto, apesar de ter sido idealizado para botões lisos, já apareciam variações na composição de diversos botonistas. Um deles, o presidente da Associação Brasileira, professor Antonio Carlos Martins, usava um ataque de lisos e uma defesa com botões cavados. Isso serviu de incentivo, pois as coberturas realizadas eram sempre perfeitas e impediam o desenvolvimento utilizado. Muitos foram os adeptos que trocaram do liso para o cavado, fazendo surgir, a partir de 1980, campeões que jogavam com botões cavados. O primeiro foi o carioca Julio Cesar Albuquerque Nogueira, que levantou o troféu campeão em Pelotas. No ano seguinte, disputado em Brusque, com mesas destinadas aos lisos, modalidade praticada naquela cidade, Hozaná Sanches, da Bahia, foi o vencedor. Em 1982, o título foi repartido entre liso e cavado, em Itapetinga. De 1983 a 1990, houve uma sucessão de conquistas de praticantes da modalidade livre, o que motivou a criação, em 1991, das duas modalidades a serem disputadas.
Apesar de a regra ser a mesma, o desenvolvimento do jogo é completamente diferente. O Livre é amarrado, com poucas chances, comumente chamado pelo presidente da Riograndina de embarrados, enquanto o liso faz com que o praticante botonista use de habilidade extraordinária para conseguir chutar ao gol. Enfim, são duas maneiras de praticar a mesma regra e fazem com que seus adeptos se aprimorem cada vez mais, beirando à perfeição.
Resumindo, digo que 1978 e 1991 marcaram, na vida dos botonistas, profundas mudanças, sempre tentando aprimorar e aproximar os desportistas brasileiros. Na coluna da semana passada, quando explorei a idéia gerada pelo amigo Breno, salientei que tudo deve ser muito bem estudado e pensado com profundidade, pois mudanças podem e devem acontecer, mas sempre no sentido de melhorar o conjunto da obra.
Grupo de baianos que participavam dos primeiros brasileiros.  Roberto Dartanhã (campeão em Recife) / Jomar (Campeão no Rio de Janeiro) / Nelson Carvalho que participou do brasileiro no Rio, estão nessa foto.
Até a semana que vem, se Deus assim permitir.
Sambaquy

domingo, 20 de maio de 2012

SERÁ QUE A REGRA DEVE SER MUDADA?


Há alguns dias, tomei conhecimento de uma série de sugestões feitas pelo Breno Kreuzner, visando à exposição na mídia televisiva de nossos campeonatos, sugerindo mudanças na maneira da disputa, na regra, aliado ao fato do tempo de duração de cada jogo e as disputas por aqueles que atingiram uma idade avançada. Alega os altos custos de diárias de Hotéis, deslocamentos e uma série de inconvenientes que todos nós temos para participarmos desses eventos.
Acho justa essa preocupação, pois a quantidade de eventos aumenta a cada ano que passa. Ao mesmo tempo, vejo com temeridade uma modificação de algo que vem sendo utilizado há quarenta e cinco anos com sucesso crescente. Muitas foram as modificações da regra, sempre com consenso da maioria, no sentido de correção de algo que era mal usado por alguns, conseguindo para isso a concordância de todos.
Mudar o tempo de jogo, pois uma partida demora cinquenta minutos, seria uma temeridade. Eu até me atrevo a sugerir que as disputas da categoria máster tenham um tempo reduzido, para vinte ou até quinze minutos, mas somente em eventos oficiais. Certamente, todos os másteres continuam a disputar os seus campeonatos em seus clubes e, lá, terão de jogar contra todos, sendo que a grande maioria é ainda bastante jovem. Então, terão de jogar os cinqüenta minutos sempre.
Eu próprio não aguentaria jogar mais do que três partidas. Por isso estou fora do circuito, visto que, se conseguisse êxito nas minhas primeiras partidas, o meu corpo cansado não teria a mesma desenvoltura nos jogos seguintes e assim o meu esforço teria sido em vão. Estaria tirando a chance de alguém que poderia chegar às finais do torneio.
Penso que tudo isso terá de ser amadurecido, não só no âmbito dos antigos botonistas, mas em sentido amplo e geral. Modificar para agradar a quem assiste aos jogos é temerário, pois quem fica à frente do computador, olhando as partidas é alguém que gosta do esporte, e ficar trinta ou cinquenta minutos não fará diferença. Estamos ainda iniciando esse trabalho excelente de divulgação, no qual o próprio Breno é um dos pioneiros.
Mudar a regra seria uma temeridade. Tenho certeza de que a grande maioria dos jovens não apoiaria e isso poderia criar uma cisão em nosso meio. E isso é a última coisa que eu desejaria ver nos meus últimos anos de vida. Já enfrentei essa luta na implantação de nossa Regra e sei bem o quanto sofri na carne. Foram anos terríveis que jamais deverão voltar ao nosso meio.
Afinal, depois de patrocinarmos tantos campeonatos brasileiros, jogados da mesma maneira, termos sido os primeiros a realizar esse empreendimento tão vitorioso, de reunirmos tantas pessoas praticando nosso esporte com vibração e garra, mudar alguma coisa para tentar conseguir um apoio midiático seria dramático. Em minha opinião, estaríamos retrocedendo a 1967, quando houve a grande transformação botonística em nossas vidas.
Amigo Breno, faço novamente a sugestão já explicada anteriormente. Válida somente para a categoria Máster. Jogos de quinze ou vinte minutos cada tempo, válidos somente no evento em que eles participarem. Os demais devem jogar conforme determina a regra atual. Acredito que assim estaríamos beneficiando os mais idosos, com menos tempo de jogo e mais tempo de descanso, com a possibilidade de efetuarem mais jogos com o mesmo vigor do início da competição e valorizando a sua presença, pois é exemplar o comparecimento dos cabelinhos brancos praticando o futebol de mesa.
Talvez não fosse isso que você desejasse que eu dissesse, mas, depois de analisar muito e profundamente, pensar por vários dias sobre o assunto, não vejo com bons olhos qualquer modificação que possa trazer proveito para a continuidade daquilo que já é de domínio público.
Pelo menos eu fico tranquilo comigo mesmo, pois o que foi construído, ao longo dos anos, teve bases sólidas e concretas. Será muito difícil qualquer modificação que interfira naquilo que deu tão certo desde o primeiro brasileiro em 1970.
Na foto dois veteraníssimos vencedores do futebol de mesa, Luiz Pizzamilgio e Marcos Zeni (AFM Caxias) e que hoje já sofrem com competições de longa duração. Exemplo disso, jogaram o mais fino futebol de mesa no último estadual individual na categoria Especial e ficaram entre os 16melhores do estado. Na 3ª fase caíram fora pelo cansaço e mesmo assim fizeram jogos duríssimos para seus adversários mais jovens.

Até a semana que vem, se Deus permitir.
Sambaquy

domingo, 13 de maio de 2012

WALMIR MERISIO, O VELHO


Hoje, a nostalgia voltou e me lembrei de um antigo companheiro de luta que pontificou no nosso esporte na cidade de Brusque.
Trata-se de Walmir Merísio. Em sua juventude, craque de futebol do Carlos Renaux e do Paysandú, clubes que defendeu com muito brio e virilidade. Merísio era um zagueiro que chegava junto e na maior parte das vezes “levantava” seu adversário. Por isso, muitas vezes foi expulso de campo.
Na Foto da esquerda para direita: Adauto Sambaquy, Walmir Merísio (de amarelo), 
José Ari Merico e Oscar Bernardi (então vice presidente da Associação Brasileira e
presidente da Associação Brusquense) 
Ao se aposentar do futebol, passou a trabalhar com seu sogro em uma Marcenaria. As famílias tradicionais de Brusque construíam suas casas em terrenos próximos, e a família Merísio se situava nas terras dos Walendowsky. Seu sogro e o irmão dele tinham terras na Avenida Primeiro de Maio ,onde estava localizada a empresa Walendoswy e a Marcenaria do seu Alois, do sogro do Merísio.
Cidade pequena, grande parte dos seus moradores tem laços de parentesco.
Quando recebemos a primeira mesa oficial, enviada pelo Marcos Zeni, houve um envolvimento de muitas pessoas na cidade. Estavam interessados em saber como era o futebol de mesa organizado, com Associações, Federações e Campeonatos Nacionais. Por isso, ao ter de receber a mesa, solicitei ao Roberto Zen (São Paulo F. C.) que arrumasse pessoas para levá-la à sede da AABB. Roberto chamou seu irmão Valter e o cunhado Sérgio Walendowsky, e os três carregaram a dita por três lances de escada até sua colocação final no recinto social da Associação Atlética Banco do Brasil no centro da cidade de Brusque. O Roberto já havia adquirido um time do São Paulo, fabricado pelo José Castro Sturaro da Bahia. Eu havia recebido alguns times para a comercialização e os dois se interessaram imediatamente. O Sérgio comprou um Vasco da Gama e o Valter, um Fluminense.
O Sérgio, diretor da empresa Walendowsky mandou confeccionar uma mesa para seu uso particular. Foi então que ele chamou o Merísio para verificar a mesa oficial e fabricar uma idêntica.
Comprada a madeira, começa a tarefa de produção da citada mesa. O Merísio, um cara de bem com a vida, que gozava com a cara de todos os seus amigos, a cada visita do Sérgio ou do Valter na Marcenaria, ria e dizia: Dois barbados jogando botãozinho... Não acredito, ainda quero ver isso acontecer.
Só que ele ainda não tinha visto os times de botão. Não tinha conhecimento de como era praticado o futebol de mesa. Os dois já estavam praticando o futebol de mesa nas dependências da AABB e, por isso, já se tornava habitual o manejo dos botões.
A mesa fica pronta e é levada para a casa do Sérgio. Noite festiva, pois era aguardado com ansiedade esse momento histórico. Os cavaletes ajustados, a mesa colocada sobre eles e os dois cunhados, pois o Valter era casado com a irmã do Sérgio, colocam seus times na mesa.
Nesse momento, os olhos do Merísio brilham de forma diferente. Ele esquece todas as gozações que havia feito com os dois primos, pois era casado com uma prima do Sérgio e diz textualmente e alto e bom som: Eu fiz a mesa e por isso serei o primeiro a jogar nela. Ninguém conseguiu dissuadi-lo disso. Pegou o time do Valter e jogou uma partida contra o Sérgio. Ao final dela, apanhou o time do Sérgio e enfrentou o Valter. Mudavam os adversários, pois o Merísio continuava na mesa. Foi amor à primeira vista.
No dia seguinte, ele foi me procurar. Queria um time de qualquer maneira. Entre os que eu tinha para colocação, havia um Juventus, da Mooca, grená. Foi nesse que ele se encantou. Batizou-o como, o Juventus, da cidade de Rio do Sul, um time que era simpático a todos os catarinenses.
Ninguém mais segurou o homem. Jogava e treinava sempre. Bem diferente do seu tempo de futebolista, quando não gostava de treinar. Quando caprichava era difícil dobrá-lo, pois era incisivo no ataque e seguro na defesa. Foi o primeiro a me derrotar em terras catarinenses.
Ao todo, jogamos 23 vezes, com nove vitórias conseguidas contra ele, seis derrotas e oito empates.
Quando ele jogava a sério, era muito difícil vencê-lo. Foi campeão no segundo campeonato brusquense, quando ainda jogava com a Juventus. Depois disso, mandou confeccionar um Corinthians, com o qual conseguiu feitos memoráveis, como ser campeão do Torneio dos Campeões Brusquenses.
Seu espírito brincalhão, muitas vezes, fazia com que se desse mal. Em 1977, ao ter de enfrentar o “Calito” Moritz (Flamengo), que iniciava na prática do futebol de mesa, resolveu brincar e relaxou. Só que o Calito foi amontoando gols, enquanto o Merísio brincava. Quando se deu conta, estava com quatro goles negativos e não deu tempo para mudar a história. Custou cara a brincadeira, pois com essa derrota ficou fora das finais. Depois disso, procurava sempre levar a sério os jogos, sempre afirmando que estava vingando-se daquela derrota vexatória, a qual nos serviu de vingança por todas as suas brincadeiras.
Tornou-se o amigo número um dos caxienses: Airton Dalla Rosa, Luiz Ernesto Pizzamiglio e Nelson Prezzi. Era uma festa quando os encontrava; e o Pizza, também, eterno brincalhão, apelidou-o de “Velho”, coisa que pegou dali por diante. Para nós, o “Velho” era o exemplo da dedicação e o fabricante das mesas que serviram de palco para o primeiro Centro Sul, na época Sul Brasileiro, realizado em 1979 e o sétimo Brasileiro em 1981. Suas mesas eram elogiadas por todos e ele as fazia sempre na cor verde, pois a primeira recebida era assim.
Sempre que estava necessitado de dinheiro, telefonava para mim perguntando se eu precisava de alguma coisa da marcenaria. Então eu pedia alguma coisa, pois sabia que ele faria com presteza. Tenho até hoje uma estante com gavetas, onde guardo os times de botão das diversas regras. Em outras ocasiões, dizia-lhe que necessitava de um balcão para a pia na minha adega; ele ia até a minha casa, media o espaço e, no dia seguinte, estava o mesmo colocado. Dois a três dias depois não conseguia abrir a porta da estante e, se a abria, não conseguia fechá-la. Ele ia lá e arrumava e me cobrava o trabalho. Mas, eram sempre valores pequenos, pois o resultado era para uma festinha programada, coisa frequente naquele tempo.
Foi um colaborador excelente no primeiro centro sul e no sétimo brasileiro. Fazia questão de brincar com todos os que nos visitavam e foi, por eles todos, admirado. Sempre que me encontrava, fazia a tradicional pergunta: “Os veadinhos de Caxias não vêm jogar com a gente? Quero vencer aqueles dois bichinhas.”
Através do futebol de mesa, resgatou todos os prêmios que havia ganhado nos diversos campeonatos de futebol que disputara e um dia me convidou para ir até a sua casa. Fui lá e ele, orgulhoso, mostrou-me uma estante envidraçada que havia construído, contendo os troféus do futebol de mesa e os prêmios que arrebatou no futebol. Havia faixas de campeão catarinense, campeão brusquense, da Liga Blumenauense, misturadas aos diversos prêmios angariados com seu desempenho no futebol de botão.
Depois de sofrer um enfarte, diminuiu sua atividade. Mas estava sempre junto conosco. Era uma figura que se sobressaía em qualquer ocasião. Quando estávamos promovendo o Campeonato Brasileiro, fomos convidados a ir até Florianópolis participar do programa do Roberto Alves, falando sobre a grande iniciativa da Associação Brusquense, inédita em Santa Catarina. Ao entrarmos no estúdio, o Roberto Alves, ao ver o Merísio, enalteceu o craque futebolista e com isso a promoção ganhou um destaque especial. Nessa ocasião, presenteamos o comentarista com um time do Fluminense.
Em janeiro de 1995, o grande Merísio sofreu mais um enfarte e não resistiu. Nessa mesma ocasião, após uma cirurgia, eu sofri várias hemorragias e estive com um pé no lado de lá. O pessoal da Associação, em tom de brincadeira, afirmou que Deus, olhando para os dois que iriam ter de subir, disse: Os dois aqui não. Só um. Que venha o Merísio.
Hoje, com muita saudade, recordo os momentos que passamos juntos, praticando o esporte que tanta alegria nos concedeu.
Até a semana que vem se Deus assim permitir.
Sambaquy